Caiado endurece discurso e sobe o tom contra o STF em nova propaganda eleitoral

Candidato do PSD reforça discurso de segurança pública e apresenta propostas contra facções e feminicidas

O novo conjunto de peças da propaganda eleitoral de Ronaldo Caiado (PSD) mostra uma mudança importante de estratégia em relação ao primeiro programa apresentado pelo candidato. Se a estreia na televisão procurou sobretudo apresentar Caiado ao eleitor nacional como um gestor experiente, associando sua trajetória aos resultados obtidos em Goiás, agora a campanha começa a explorar com mais intensidade uma persona de candidato de enfrentamento.

A mudança aparece de forma mais evidente no filme de cerca de dois minutos, dedicado quase integralmente à segurança pública. A peça começa com uma provocação sobre o significado da liberdade no Brasil e rapidamente desloca o foco para a criminalidade.

Caiado questiona onde está a liberdade de quem vive sob o domínio de facções criminosas e milícias e pergunta onde está a soberania do país.

O candidato, então, apresenta propostas de forte apelo punitivista. Entre elas estão a construção de 40 presídios de segurança máxima, a retirada de traficantes de regiões de fronteira e da Amazônia e a chamada “reconquista do território nacional”.

A peça também propõe uma espécie de “Lei do Terrorismo Doméstico” para punir agressores de mulheres e defende o confisco de seus bens.

É uma comunicação bastante diferente daquela utilizada na estreia. Em vez de gastar boa parte do tempo explicando quem é Caiado, a nova produção procura responder “o que Caiado fará” — e o faz a partir de uma agenda que dialoga diretamente com o eleitor conservador: combate ao crime organizado, endurecimento das penas, feminicídio, fronteiras e narcotráfico.

Da segurança pública para o confronto com o sistema

Na pílula de 30 segundos, a campanha abandona o formato de apresentação de propostas e parte para o ataque. Caiado afirma que uma “banda podre” comanda o Brasil há 20 anos e está “corroendo o Brasil por dentro”. Na sequência, cita uma denúncia envolvendo a Suprema Corte e questiona: “O que está acontecendo? Que contratos são esses? Que relações são essas?”.

No trecho mais estratégico, entretanto, Caiado coloca Lula e Flávio Bolsonaro no mesmo campo de cobrança, afirmando que os dois não darão as respostas necessárias e “também têm que se explicar”. A escolha reforça uma tentativa que já vinha aparecendo na campanha: não se posicionar simplesmente como mais um nome da direita na disputa contra Lula, mas como alguém que pretende cobrar explicações de todos os lados.

Essa estratégia ganhou combustível com a crise envolvendo o STF e as novas revelações relacionadas ao Banco Master. A própria campanha confirmou que as novas inserções foram pensadas para explorar o episódio e elevar o tom das críticas ao Supremo.



Alô Valparaíso/* Com as informações do R7 | Foto: Divulgação/PSD