Bets em escolas: 20,4% dos alunos já apostaram, diz pesquisa

Levantamento aponta o crescimento no número de alunos que já apostaram ao longo do ensino básico, indo de 20,3% aos 14 anos para 32,3% aos 17

Contornando restrições de idade, 20,4% dos alunos do ensino básico afirmam já ter apostado online. Além disso, 9,5% dos estudantes de até 11 anos de idade ouvidos já usaram as “bets”, mostra levantamento da Frente Parlamentar Mista da Educação (FPME) divulgado nesta quarta-feira (9).

A pesquisa, realizada em parceria com o Equidade.info, também evidencia o crescimento no número de apostadores ao longo da trajetória escolar, principalmente entre os jovens do sexo masculino.

Aos 14 anos, 20,3% dos estudantes entrevistados já apostaram. Aos 17, o número cresce para 32,3%. E a partir dos 18 anos, cerca de 40,1% já acessaram as bets.

Os dados também mostram que 27,8% dos meninos afirmam já ter realizado apostas online, contra 12,6% das meninas. A diferença é de 15,2 pontos percentuais.

Esse aumento gradual com a idade é mais acentuado no público masculino. Entre os jovens de 14 a 17 anos, a proporção daqueles que já apostaram é de 24% e 46,5%, respectivamente. Já os de 18 ou mais possuem 53,2%.

Entre as alunas do sexo feminino, a parcela vai de 16,6%, aos 14 anos de idade, para 17,4% aos 17. O número atinge seu auge entre as jovens de 18 anos ou mais, das quais 24,6% já apostaram.

Para o professor de educação da universidade de Stanford e responsável pela supervisão da pesquisa, Guilherme Lichand, é essencial entender o comportamento desse público nas apostas online.

“Os números geram incômodo e muitas outras perguntas. Essas apostas estão concentradas em eventos esportivos, sobretudo futebol? Como crianças e adolescentes descobrem essas plataformas? Como contornar as restrições de idade, problema comum tanto aos sites de apostas esportivas quanto às redes sociais?”, questiona.

A parceria entre a FPME e a Equidade.info tem o objetivo de produzir dados para embasar políticas públicas. Esse levantamento, portanto, sugere a adoção de medidas sistêmicas de proteção, como maior tributação sobre transações nas plataformas, restrições à publicidade e medidas de proteção especialmente voltadas a menores de 18 anos.

Segundo Lichand, ferramentas de autorregulação das plataformas, como lembretes sobre perdas passadas ou limites auto impostos sobre valores apostados, são insuficientes para combater o problema em nível nacional.

“Em vez disso, a proibição de propaganda e impostos relevantes sobre valores transacionados pelas bets colocam a responsabilidade nos atores corretos e têm efeitos comprovados sobre redução do risco de exposição”, argumenta o pesquisador.

Em resposta à pesquisa, a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) destacou que o acesso de menores de idade às bets legalizadas, ou seja, aquelas autorizadas pelo Ministério da Fazenda, é estritamente bloqueado. “Os casos aos quais a pesquisa se refere são de adolescentes que, infelizmente, tiveram acesso a um dos milhares de sites clandestinos que não possuem dispositivo que impeça o login de pessoas com menos de 18 anos”, disse a associação em nota.



Alô Valparaíso/* Com as informações do SBT News | Foto: Joédson Alves/Agência Brasil