Chances do El Niño ser “muito forte” no final de 2026 chegam a 81%

Previsão é da agência do clima norte-americana NOAA

O El Niño se intensificou e tem 81% de chance de atingir a categoria “muito forte” entre os meses de outubro e dezembro próximos, segundo estimativa publicada nesta quinta-feira (9) pela National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), agência de previsão climática dos Estados Unidos, uma das mais importantes do mundo.

Segundo a NOAA, se a previsão se confirmar, esse pode ser o maior El Niño desde 1950, ano em que começaram a ser feitas as medições.

Havia uma previsão de que o fenômeno pudesse se intensificar ao longo de 2026, mas não se sabia exatamente a intensidade a que poderia chegar. Esse novo boletim do instituto marca, portanto, uma mudança importante.

O fortalecimento do fenômeno climático tem ainda 97% de chance de perdurar até os meses de março a junho de 2027, quando é primavera no Hemisfério Norte e outono no Hemisfério Sul.

De acordo com o instituto norte-americano, o El Niño ganhou força no mês de junho, causando uma série de alterações na temperatura de uma grande área da superfície do Oceano Pacífico central e leste, provocando aumento superior a 1ºC nessas regiões.

Ainda segundo a NOAA, um El Niño mais forte não significa necessariamente que haverá eventos climáticos graves, mas que há uma probabilidade maior de que aconteçam mais tempestades e forte calor em diferentes regiões do planeta.

O El Niño é o fenômeno meteorológico que provoca o aquecimento acima da média da superfície do Pacífico equatorial. Essa elevação da temperatura causa alterações no ritmo das chuvas e também na circulação dos ventos.



Alô Valparaíso/* Com as informações da Agência Brasil | Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

MP pede indenização de R$ 120 milhões a Virgínia e site de bets

Influenciadora e plataforma são acusados de explorar apostadores

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) protocolou nesta quarta-feira (8) uma ação civil pública contra a influenciadora digital Virgínia Fonseca e a plataforma de apostas Blaze.

O órgão pede a condenação de ambos ao pagamento solidário de R$ 120 milhões em danos morais coletivos pela divulgação abusiva do site de apostas.

De acordo com a ação civil, Virginia e a plataforma sustentam uma “engenharia predatória de exploração” para aproveitar a vulnerabilidade dos apostadores.

O promotor de justiça Paulo Binicheski, responsável pelo caso, citou na ação um dos casos que seria irregular e disse que Virginia teria recebido cerca de 30% sobre a perda dos apostadores captados por ela durante a partida entre Argentina e Cabo Verde, válida pela Copa do Mundo.

“Em 3 de julho de 2026, durante a Copa do Mundo, a influenciadora Virginia Ellen Fonseca Serrão, então com 56,7 milhões de seguidores no Instagram, divulgou em seu perfil, por meio da ferramenta Stories, sem advertir claramente que era conteúdo publicitário”, argumentou. 

Durante a investigação, servidores do órgão foram infiltrados na plataforma e realizaram cadastro para monitorar o sistema de apostas. Os investigadores concluíram que são utilizados e-mails promocionais que utilizam promessas de vantagens.

Além disso, a Promotoria de Defesa do Consumidor também recebeu 42 mil reclamações contra a plataforma.

Na avaliação do promotor do caso, as condutas da influenciadora e da Blaze vão além da publicidade irregular.

“A divulgação de apostas por influenciadores, associada à falsa percepção de ganhos fáceis e à minimização dos riscos, pode estimular o comportamento compulsivo e contribuir para perdas milionárias suportadas por consumidores”, afirmou.

Outro lado

A defesa de Virgínia Fonseca declarou que tomou conhecimento da ação do Ministério Público pela imprensa e disse que as alegações da acusação serão respondidas durante o processo.

O advogado Sanderson Mafra também rebateu a imputação de prejuízo aos consumidores e de atuação predatória.

“A defesa refuta as alegações manifestadas na ação, especialmente qualquer afirmação de conluio, atuação predatória ou intenção de causar prejuízo aos consumidores. A responsabilização civil deve estar amparada em provas concretas, e não em presunções ou ilações decorrentes da condição de pessoa pública da influenciadora”, afirmou o advogado.

A plataforma Blaze informou que cumpre a legislação e as normas que regulamentaram as apostas on-line. O site também acrescentou que prestará os devidos esclarecimentos quando for notificado sobre o andamento da ação civil.

“Nossas operações e parcerias são sempre pautadas pelas melhores práticas de mercado, com foco absoluto na segurança de nossos usuários, seguindo princípios legais e normas aplicáveis, assim como com base nas diretrizes de jogo responsável”, declarou. 



Alô Valparaíso/* Com as informações da Agência Brasil | Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Senado aprova uso de arrecadação das bets para a PF

Medida provisória destina parte da arrecadação das apostas esportivas ao fundo da Polícia Federal para custear despesas com saúde de servidores

O Senado Federal aprovou nesta quarta-feira (9) a Medida Provisória (MP) que destina parte da arrecadação das apostas esportivas de quota fixa, conhecidas como bets, ao Fundo para Aparelhamento e Operacionalização das Atividades-Fim da Polícia Federal (Funapol).

Como o texto foi alterado durante a tramitação no Congresso, a proposta segue agora para sanção do presidente da República.

O texto altera uma lei de 2018 e ajusta a divisão da arrecadação das apostas. A principal mudança prevê que os recursos, antes destinados à seguridade social, passem a financiar despesas com saúde de servidores da Polícia Federal.

Pela medida, o percentual da arrecadação das bets destinado ao Funapol aumentará de forma escalonada: 1% em 2026, 2% em 2027 e 3% a partir de 2028.

Além disso, o governo federal poderá repassar até R$ 200 milhões ao fundo ainda em 2026 com recursos livres do Tesouro Nacional.

Bets também financiarão combate ao crime organizado

Além da arrecadação das apostas esportivas, o Funapol poderá receber transferências voluntárias de estados, municípios e organismos internacionais destinadas ao enfrentamento do crime organizado, além de doações de pessoas físicas e jurídicas.

Antes da medida provisória, apenas 0,5% da parcela da arrecadação das bets destinada a órgãos públicos era direcionada ao fundo. Com a nova regra, todo o percentual adicional da tributação das apostas esportivas será destinado ao Funapol, reforçando o financiamento das atividades da Polícia Federal e das despesas com saúde de seus servidores.



Alô Valparaíso/* Com as informações do SBT News | Foto: Divulgação/PF

Senado aprova projeto que endurece penas para violência sexual digital

Texto torna crimes hediondos, aumenta punições para casos envolvendo inteligência artificial e segue para sanção presidencial

O Senado aprovou nesta terça-feira (7) o projeto de lei que endurece as punições para crimes de violência sexual digital contra crianças e adolescentes, incluindo aqueles cometidos com o uso de inteligência artificial e tecnologias como deepfakes. O texto segue agora para sanção do presidente da República.

O Projeto de Lei 3.066/2025 aumenta as penas para crimes como produção, armazenamento, divulgação e comercialização de conteúdo de violência sexual envolvendo menores. Além disso, inclui diversos desses delitos no rol dos crimes hediondos, tornando mais rigoroso o cumprimento das penas e restringindo benefícios como progressão de regime e indulto.

De autoria do deputado Osmar Terra (PL-RS), o texto foi aprovado em regime de urgência e teve como relator no Senado o senador Fabiano Contarato (PT-ES). Para ele, o aumento dos casos de exploração sexual infantil demonstra que as punições previstas atualmente no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) não têm sido suficientes para coibir esse tipo de crime.

Além de ampliar as penas, o projeto substitui na legislação a expressão “pornografia infantil” por “violência sexual contra criança ou adolescente”, por considerar que o termo atual não traduz a gravidade dos crimes.

Penas maiores

A proposta aumenta a punição para quem produz, registra, vende ou divulga conteúdo de violência sexual contra crianças e adolescentes. Também endurece as penas para quem adquire, armazena, solicita ou acessa esse tipo de material de forma deliberada.

Outra mudança é o aumento da pena para o crime de aliciamento de crianças e adolescentes pela internet para a prática de atos libidinosos.

Nos casos em que a divulgação ocorrer por meio de redes sociais, aplicativos de mensagens ou outras plataformas digitais, a punição poderá ser ampliada.

Inteligência artificial

O projeto prevê agravantes para crimes praticados com o uso de inteligência artificial, deepfakes, filtros de imagem, perfis falsos, aplicativos de mensagens, redes sociais, jogos on-line e mecanismos utilizados para ocultar a identidade do criminoso.

Também aumenta a pena para quem criar montagens ou conteúdos que simulem a participação de crianças e adolescentes em cenas de violência sexual, mesmo sem que a vítima tenha participado da gravação original.

Além disso, quem utilizar técnicas para mascarar o endereço IP ou dificultar a identificação durante a prática dos crimes poderá ter a pena aumentada de um terço a dois terços.

Crimes hediondos

O texto também classifica como hediondos diversos crimes relacionados à violência sexual contra crianças e adolescentes, como a produção, divulgação, comercialização e armazenamento desse tipo de material.

Outra novidade é a autorização para a chamada ronda virtual, permitindo que órgãos de investigação monitorem ambientes digitais públicos em busca de conteúdos relacionados a esses crimes. Em situações de flagrante ou risco à integridade da vítima, autoridades poderão solicitar dados cadastrais diretamente aos provedores, devendo comunicar a Justiça em até 48 horas.

O projeto ainda assegura atendimento psicológico e psicossocial especializado às vítimas e determina que o agressor arque integralmente com os custos do tratamento, incluindo o ressarcimento das despesas realizadas pelo SUS (Sistema Único de Saúde).



Alô Valparaíso/* Com as informações do R7 | Foto: Carlos Moura/Agência Senado