Bets saem do ar com R$ 1,3 bilhão para devolver a jogadores

Cerca de 26,5 milhões de apostadores ainda tinham saldo nas plataformas; instituições financeiras devem devolver os valores entre dia 9 e 14 de outubro

Esta terça-feira (6) é o primeiro dia sem operação das plataformas de apostas que tinham autorização para funcionar no Brasil. Cerca de 26,5 milhões de usuários ainda têm saldo a receber, somando R$ 1,325 bilhão, segundo boletim da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), do Ministério da Fazenda.

O prazo para solicitar voluntariamente a retirada do dinheiro terminou às 23h59 de segunda-feira (5). Segundo o Ministério da Justiça, as empresas têm até quarta-feira (7) para enviar os saldos restantes às instituições financeiras, com a identificação dos valores por CPF e das contas bancárias usadas nos depósitos. A devolução aos apostadores deve ocorrer entre sexta-feira (9) e quarta-feira (14).

Segundo o Ministro da Economia, Dario Durigan, 188 sites que tinham autorização até segunda-feira foram retirados do ar. O governo continua, porém, a combater páginas que oferecem apostas de forma ilegal.

Governo pede bloqueio de mais de 11 mil sites

De acordo com Durigan, até esta terça, 11.740 sites ilegais já haviam sido bloqueados. Também foi solicitada a retirada de 3.489 páginas, perfis, canais e grupos em redes sociais e aplicativos de mensagens, que alcançavam cerca de 17,2 milhões de usuários e seguidores.

Segundo Durigan, entre R$ 600 milhões e R$ 650 milhões por dia eram enviados às plataformas de apostas antes da proibição.



Alô Valparaíso/* Com as informações do SBT News | Foto: Canva

TDAH na escola: saiba como identificar os sinais

Transtorno requer abordagem integrada, combinando família, cuidadores e suporte psicológico

No meu dia a dia na medicina do adolescente e na pediatria vejo com frequência jovens cuja trajetória escolar é marcada por rótulos injustos. O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é uma condição neurobiológica de causas genéticas, caracterizada por sintomas persistentes de desatenção, inquietude e impulsividade, que afeta entre 5% e 7% das crianças e adolescentes em idade escolar no mundo. Não se trata de falta de limites ou má vontade, mas de um funcionamento cerebral diferente que exige olhar clínico e acolhimento.

O que a escola costuma perceber primeiro

A escola costuma ser o primeiro lugar onde esses sinais se destacam, justamente porque a rotina pedagógica exige foco prolongado, organização e convivência em grupo. Sem a devida atenção, a criança ou o jovem enfrenta prejuízos no aprendizado, dificuldades de socialização e queda na autoestima, podendo chegar ao isolamento emocional. Por isso, a equipe pedagógica exerce um papel estratégico: o professor é, muitas vezes, o observador qualificado capaz de notar que algo não vai bem.

Quando a informação vira ponte entre saúde e educação

Pensando nessa ponte indispensável entre saúde e educação, iniciativas que aproximam conhecimento científico e prática escolar podem contribuir para uma abordagem mais adequada do TDAH. É com esse propósito que a Apsen apresenta a trilha de formação gratuita “TDAH Levado a Sério na Escola”, que conta com o aval científico do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) e o apoio institucional da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). A proposta é oferecer aos educadores informações para reconhecer sinais do transtorno e de possíveis comorbidades, contribuindo para uma abordagem mais adequada e menos estigmatizante dos alunos.

Sinais, diagnóstico e caminhos de cuidado

Na prática, educadores e famílias devem ficar atentos a comportamentos persistentes, como erros frequentes por descuido em tarefas, perda constante de objetos, agitação motora, distração diante de estímulos externos, fala excessiva e dificuldade para esperar a própria vez. É fundamental ressaltar que a observação desses sinais não substitui uma avaliação profissional adequada. O diagnóstico é clínico e deve ser realizado por um especialista, a partir da análise do histórico comportamental da criança ou do adolescente.

O manejo do TDAH requer uma abordagem integrada, combinando família, cuidadores, suporte psicológico, adaptações no ambiente escolar e tratamento medicamentoso quando indicado.

Atualmente, o repertório terapêutico conta com opções estimulantes e não estimulantes, categoria na qual a atomoxetina se destaca por ser o único medicamento não estimulante disponível no Brasil. Essa classe atende a perfis específicos que se beneficiam de maior tolerabilidade e de um controle contínuo dos sintomas de foco e impulsividade ao longo do dia, permitindo uma abordagem verdadeiramente individualizada.

Quando identificamos e tratamos o TDAH de forma precoce, oferecemos a essas crianças e adolescentes a oportunidade real de desenvolver todo o seu potencial acadêmico e emocional. Garantir que médicos, famílias e educadores caminhem juntos contra a desinformação é o único caminho para transformar o ambiente escolar em um espaço verdadeiramente inclusivo e acolhedor.



Alô Valparaíso/* Com as informações do SBT News | Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Moraes concede regime semiaberto a Débora do Batom, condenada pelo 8/1

Mulher que escreveu Perdeu Mané em estátua está em regime domiciliar

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu progressão de regime para o semiaberto à cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos, conhecida como Débora do Batom, que foi condenada a 14 anos de prisão por sua participação nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023. 

Débora ganhou notoriedade por ter pichado com um batom a frase Perdeu, mané na estátua A Justiça, localizada em frente ao edifício-sede do STF. 

Apesar da progressão, Moraes manteve Débora do Batom em regime domiciliar de cumprimento de pena, em razão de ela ter filhos menores de idade. Com a mudança de regime, ela agora poderá sair de casa durante o dia. 

Débora iniciou o cumprimento de pena em setembro de 2025, quando já se encontrava presa preventivamente em regime domiciliar. 

Condenação

Por seus atos no 8 de janeiro, a cabeleireira foi condenada pela Primeira Turma do STF pelos crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, associação criminosa armada, dano qualificado e deterioração do patrimônio tombado. O placar final de julgamento foi 4 a 1. 

A progressão de regime para o semiaberto era pedida pela defesa desde maio, quando os advogados também pediram que fosse aplicado ao caso dela a Lei da Dosimetria, promulgada pelo Congresso Nacional naquele mesmo mês. 

Criada especificamente para alterar o cálculo das penas de pessoas condenadas pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, a Lei da Dosimetria teve seus efeitos suspensos por decisão de Alexandre de Moraes. A suspensão é válida até que o plenário do STF julgue ações que questionam a nova lei.
 

Brasília (DF), 08/01/2023 - Estátua da Justiça em frente ao STF pintado com os dizeres
Estátua da Justiça pichada em frente ao STF durante os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 – Joedson Alves/Agencia Brasil

Golpe

Em 8 de janeiro de 2023, centenas de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, insatisfeitos com a derrota na tentativa de reeleição, invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes, em Brasília. O prédio do STF foi um dos mais atingidos, com diversas avarias ao plenário, por exemplo. 



Alô Valparaíso/* Com as informações da Agência Brasil | Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Bets começam a sair do ar nesta terça-feira

De 9 a 14 de outubro bancos deverão devolver saldos remanescentes

Os sites e aplicativos de apostas esportivas e jogos online, conhecidos como bets, começam a sair do ar em todo o país nesta terça-feira (6). A medida cumpre o previsto na MP 1.394/2026, que proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade dessas atividades no Brasil.

O prazo para que os usuários retirassem voluntariamente os recursos mantidos nas plataformas terminou às 23h59 de ontem (5). 

As empresas terão os dias 7 e 8 de outubro para informar às instituições financeiras os saldos remanescentes de seus clientes, vinculados aos respectivos CPFs. De 9 a 14 de outubro, os bancos deverão efetuar a devolução dos valores aos apostadores.

Nos casos em que houver impedimento para a restituição dos recursos pelas instituições financeiras, a Caixa Econômica Federal poderá intermediar os pagamentos a partir de 14 de outubro.

A medida provisória foi assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 25 de setembro. A proibição alcança as apostas esportivas e os jogos online e determina o encerramento das atividades das plataformas no país.

Devolução de valores

A devolução vale para os saldos mantidos nas plataformas autorizadas. Segundo estimativas da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), cerca de 23 milhões de apostadores tinham recursos nessas contas. O governo calcula que aproximadamente R$ 1,7 bilhão deverá ser devolvido aos usuários.

Quem não conseguiu sacar os recursos dentro do prazo não perderá o dinheiro. As empresas deverão repassar aos bancos os dados dos saldos remanescentes para que a devolução seja feita aos apostadores. Nos casos em que houver impedimento para a devolução pelos bancos, a Caixa Econômica Federal poderá intermediar os pagamentos a partir de 14 de outubro.

O governo orienta os usuários a guardar comprovantes de saldo e de eventuais solicitações de saque feitas antes do encerramento das operações. Quem não retirou os recursos até o fim do prazo deverá acompanhar os procedimentos de devolução pelas instituições financeiras.

Lojas de aplicativos, provedores de internet e o Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) participam do processo de bloqueio dos sites e aplicativos. Usuários que tentarem acessar as plataformas poderão ser direcionados para páginas com orientações sobre a devolução dos valores.

Fiscalização

O governo também ampliou as ações contra plataformas irregulares. Até o fim de setembro, os ministérios da Justiça e da Fazenda haviam solicitado o bloqueio de 5.209 domínios ligados à exploração ilegal de apostas.

A MP 1.394/2026 está em vigor, mas ainda precisa ser analisada pelo Congresso Nacional. Como toda medida provisória, perderá a validade se não for aprovada pelos parlamentares dentro do prazo constitucional.

Veja o cronograma para o fim das bets nas plataformas e a devolução dos recursos



Alô Valparaíso/* Com as informações da Agência Brasil | Foto: Joédson Alves/Agência Brasil