Lula e Flávio Bolsonaro lançam aliados no Rio e defendem medidas contra facções

Lula promete retomar territórios e Flávio defende ‘tolerância zero’ contra grupos criminosos

Candidatos à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) participaram, neste sábado (22), de comícios na cidade do Rio de Janeiro para lançar as candidaturas de aliados ao governo do estado. Nos eventos, os dois abordaram promessas para a segurança pública e o combate ao crime organizado.

Lula participou do evento que marcou o lançamento da candidatura de Eduardo Paes (PSD), enquanto Flávio esteve ao lado de Douglas Ruas (PL), nome do partido ao governo estadual.

Os dois presidenciáveis apresentaram propostas diferentes para enfrentar a atuação de facções criminosas e milícias no estado. Enquanto Flávio propôs classificar PCC (Primeiro Comando da Capital), CV (Comando Vermelho) e milícias como grupos terroristas, Lula falou em criar um Ministério da Segurança Pública para preparar e equipar melhor as forças policiais.

Flávio defende medidas mais duras contra criminosos

Flávio defendeu uma política de segurança baseada em medidas de maior rigor contra criminosos. “O bandido vai ser tirado de circulação em pé ou deitado, porque quem tem que andar sem medo na rua somos nós. Eu não vou baixar a cabeça para bandido. Já estou avisando”, afirmou.

Ao defender que PCC e CV sejam tratados como terroristas, Flávio disse que “esses caras vão mofar na cadeia ou vão ser neutralizados pela nossa polícia se enfrentarem”.

Entre as propostas apresentadas pelo senador está ainda a criação de uma pena mínima de oito anos de prisão para pessoas condenadas por roubo de celulares. Ele também defendeu que os detentos trabalhem para custear sua permanência no sistema prisional e indenizar as vítimas.

Outra medida citada foi a castração química para estupradores e pessoas que abusarem de mulheres e crianças. Flávio também prometeu utilizar tecnologia para aumentar a proteção de mulheres e permitir a prisão imediata de agressores que descumprirem medidas protetivas.

“Marginais narcoterroristas, vocês têm até dezembro desse ano para meter o pé do Brasil. Porque, a partir de janeiro do ano que vem, nós vamos declarar guerra aos narcoterroristas”, frisou o candidato do PL.

Lula promete retomada de territórios dominados pelo crime

Lula afirmou que pretende avançar na atuação federal sobre a segurança pública e citou a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Segurança Pública, enviada pelo governo ao Congresso.

Segundo Lula, após a aprovação da proposta pelo Senado, a intenção é criar um Ministério da Segurança Pública. A nova estrutura, de acordo com o presidente, teria entre seus objetivos preparar e equipar melhor a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal, além de criar uma força especial federal.

Lula também direcionou parte do discurso aos moradores da Zona Oeste do Rio de Janeiro e prometeu retirar criminosos de áreas dominadas por organizações criminosas.

O presidente afirmou que a retomada dos territórios deverá ser feita de maneira planejada, sem “carnaval” ou “pirotecnia” e sem operações marcadas por tiroteios desordenados. A ideia, segundo ele, é prender os criminosos e devolver o controle das ruas às comunidades.

“Nós vamos tirar o bandido do território de vocês e vamos devolver o território ao povo do Rio de Janeiro. Pode ficar certo. Não vamos fazer carnaval, pirotecnia, matar ao vento. Não, nós vamos prendê-los e vamos dizer: ‘A rua é do povo, a vila é do povo, a escola é do povo, a padaria é do povo, não é dos bandidos’”, destacou o petista.



Alô Valparaíso/* Com as informações do R7 | Foto:  Ricardo Stuckert/PR e Geraldo Magela/Agência Senado

Caiado muda discurso e diz ser a favor do fim da escala 6×1

Agora, quem não tiver biometria cadastrada nas bases governamentais poderá autorizar a operação sem reconhecimento facial

O candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) afirmou neste sábado, 22, ser a favor do fim da escala de trabalho 6×1, após dias evitando dar sua opinião sobre a proposta.

Durante agenda em Campinas, no interior de São Paulo, Caiado foi questionado por jornalistas se aprova ou não a medida, ao qual ele respondeu: “Sim, sou a favor”, sem dar mais explicações.

A declaração é uma mudança de discurso do candidato, que disse nesta semana que a proposta tem objetivo “populista e eleitoreiro”. “Eu não voto nessa matéria. Não posso influenciar uma matéria que está com viés eleitoreiro”, havia afirmado na última quarta-feira, 19, durante o 11º Fórum CNT de Debates – Edição Presidenciáveis, realizado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), em Brasília.

Infraestrutura

Neste sábado, Caiado ainda apontou a infraestrutura como “maior gargalo” do país e sinalizou que quer investir, em seu possível mandato, em modais de transporte, como ferrovias, hidrovias, rodovias e portos.

“Todos nós sabemos que o maior gargalo que nós temos hoje é a infraestrutura. O Brasil está investindo 0,9% do PIB em infraestrutura. Nós não estamos suportando mais esse diferencial no custo do transporte no Brasil. Isso tira, em grande parte, a competitividade”, afirmou o candidato, pontuando que o setor do agronegócio sofre com a situação.

Para o agro, o candidato do PSD ainda disse que a elevada taxa de juros e a dependência de insumos importados elevam o custo da produção. “Mesmo com alta produtividade, as contas não estão fechando.”

Ausência em debates

Ao comentar sobre as ausências dos dois candidatos mais bem colocados nas pesquisas, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), nos debates de primeiro turno, Caiado foi taxativo e disse que “quem foge do debate não deveria ter direito de registrar candidatura”. “Devem ter muito a esconder e nada a mostrar”, afirmou.

Ele afirmou que sua campanha espera os debates para melhorar a colocação nas pesquisas de intenção de voto. “O que toda a campanha espera é o debate”, disse. “Infelizmente, os candidatos deram uma de fujões, correram e pipocaram.”



Alô Valparaíso/* Com as informações do R7 | Foto:  Carlos Takahashi/PSD

Caiado aposta em resultados de Goiás para se apresentar ao Brasil na TV

Com o terceiro maior tempo entre os candidatos à Presidência, a campanha do PSD pretende explorar legado do ex-governador

A propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão será um dos principais palcos para Ronaldo Caiado (PSD) apresentar sua candidatura à Presidência da República ao eleitorado nacional.

Com 2 minutos e 2 segundos em cada bloco de propaganda em rede, o ex-governador de Goiás terá o terceiro maior tempo entre os candidatos, atrás de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 5 minutos e 31 segundos, e Flávio Bolsonaro (PL), com 4 minutos e 20 segundos.

O horário eleitoral gratuito do primeiro turno começa em 28 de agosto e será veiculado até 1º de outubro, conforme o calendário do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Mais do que apresentar propostas, a estratégia da campanha de Caiado será utilizar os programas para transformar a experiência administrativa do candidato em uma espécie de cartão de visitas nacional. A ideia foi detalhada pelo coordenador-geral da campanha, Adriano da Rocha Lima, em conversa com o portal R7 nesta sexta-feira (21).

Segundo ele, a comunicação partirá da trajetória de Caiado à frente do governo de Goiás e dos resultados que a campanha atribui às duas gestões do ex-governador. Segurança pública, educação, saúde, equilíbrio fiscal e transformação digital serão os principais eixos explorados na propaganda.

“Caiado saiu do governo com índices muito altos de aprovação. Na gestão, Goiás avançou especialmente em segurança pública, educação, saúde, equilíbrio fiscal e transformação digital”, afirmou Adriano.

A segurança pública deverá ocupar espaço relevante na narrativa eleitoral. A campanha pretende apresentar os resultados obtidos em Goiás como uma demonstração prática da capacidade de Caiado para enfrentar um dos temas que estarão no centro da disputa presidencial.

A educação também será utilizada como vitrine. Adriano cita a posição alcançada por Goiás no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), além da regionalização da saúde, com a ampliação da rede de hospitais e policlínicas no interior do Estado. A digitalização dos serviços públicos e da área da saúde também deverá aparecer nos programas.

“É a partir dessas realizações que queremos apresentar Caiado ao Brasil, não como um candidato de teses, mas como alguém que mostra o que já fez e, a partir disso, apresenta propostas estruturadas para o país, principalmente em segurança e saúde”, disse o coordenador.

Comparação sem ataque pessoal

A estratégia definida pela campanha também indica que Caiado deverá se posicionar em relação aos dois candidatos que terão mais tempo de televisão: Lula e Flávio Bolsonaro. Adriano, porém, nega que exista uma orientação específica para intensificar ataques contra Flávio.

A explicação ganha importância diante da recente mudança na equipe de comunicação da campanha e das discussões internas sobre a forma como o candidato deveria se posicionar em relação ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

De acordo com Adriano, a orientação não é estabelecer uma campanha baseada em ataques, mas colocar diferentes trajetórias políticas e administrativas diante do eleitor.

“Naturalmente, ao mostrar trajetória, experiência e resultados, surgem diferenças em relação a Flávio, assim como existem diferenças profundas em relação a Lula, de quem Caiado é adversário histórico. Mas nunca houve uma estratégia de ‘atacar mais’ ou ‘atacar menos’ Flávio”, afirmou.

A campanha pretende, portanto, construir a imagem de Caiado a partir do que considera resultados concretos de sua passagem pelo governo de Goiás. A comparação com os adversários deverá aparecer como consequência dessa apresentação, e não necessariamente como eixo central da comunicação.

“A estratégia é apresentar Caiado e permitir que o eleitor compare trajetórias, resultados e propostas. As diferenças serão apontadas com base em fatos, nunca em ataques pessoais, fake news ou oportunismo. É assim que a campanha está sendo pautada e continuará”, declarou Adriano.



Alô Valparaíso/* Com as informações do R7 | Foto:  Lula Marques/ Agência Brasil

Alcolumbre envia PEC do fim da escala 6×1 para CCJ do Senado

Relator será o senador Omar Aziz (PSD-AM)

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), despachou na tarde desta sexta-feira (21) para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) a proposta de emenda à Constituição PEC que prevê o fim da escala de trabalho 6×1. 

O relator da matéria na CCJ será o senador Omar Aziz (PSD-AM).

Na semana passada, Alcolumbre havia sinalizado que iria destravar o andamento da proposta na Casa após conversas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A PEC do fim da escala foi aprovada na Câmara dos Deputados em 27 de maio, e reduz a carga horária máxima de trabalho para 40 horas semanais. A PEC estabelece ainda dois dias de repouso semanal remunerado, sem redução salarial. 

PEC da Segurança Pública

A PEC da Segurança Pública (18/2025) também foi enviada para a CCJ do Senado. O texto ficará sob a relatoria do senador Rogério Carvalho (PT-SE).

Aprovada pelos deputados federais em março, a PEC reorganiza o sistema de segurança pública no país, como a destinação parcial da arrecadação das apostas esportivas aos fundos nacionais de segurança pública e do sistema penitenciário.

As duas PECs precisam ser aprovadas na comissão. Depois, serão encaminhadas ao Plenário, necessitando do aval de 49 senadores, no mínimo, em dois turnos. Em seguida, é promulgada em sessão solene do Congresso Nacional.

Se aprovadas na CCJ, as PECs ainda precisam ser confirmadas no Plenário, onde precisam conquistar o apoio de três quintos dos senadores — o equivalente a 49 votos, no mínimo, em dois turnos. Depois de aprovada, a emenda é promulgada em sessão solene do Congresso Nacional.



Alô Valparaíso/* Com as informações da Agência Brasil | Foto:  Lula Marques/Agência Brasil.