Bolsonaro teve picos de pressão e soluços, diz relatório

Relatório médico enviado ao STF aponta que ex-presidente foi medicado e estabilizado; fisioterapeuta também registrou episódios de soluço durante a semana

O ex-presidente Jair Bolsonaro, de 71 anos, apresentou episódios de aumento da pressão arterial e leves crises de soluço nos últimos dias, segundo relatórios médicos enviados ao Supremo Tribunal Federal (STF). De acordo com a equipe responsável pelo acompanhamento domiciliar, os picos de pressão ocorreram nos dias 3 e 4 de agosto e exigiram um ajuste temporário na medicação.

O relatório semanal, datado desta sexta-feira (7), informa que Bolsonaro respondeu de forma satisfatória ao tratamento e, no momento, apresenta estabilidade hemodinâmica e cardiorrespiratória. Após o controle da pressão arterial, os médicos mantiveram a prescrição dos medicamentos de uso regular e contínuo.

Apesar da estabilidade, o ex-presidente ainda apresenta efeitos colaterais relacionados ao uso de medicamentos de ação central. Entre os sintomas estão instabilidade no equilíbrio corporal e sonolência durante o dia. Por isso, a equipe médica mantém cuidados preventivos para reduzir o risco de quedas.

O documento também aponta uma evolução considerada satisfatória e progressiva dos movimentos do braço direito. Bolsonaro não apresenta queixas de dor na região e não teve intercorrências significativas no período.

Segundo os médicos, ele segue uma dieta rigorosa, realiza atividades físicas regularmente e mantém cuidados para reduzir também o risco de refluxo gastroesofágico.

Fisioterapia registra crises de soluço

Relatório fisioterapêutico referente ao período de 3 a 6 de agosto também registra que Bolsonaro teve leves crises de soluço durante as sessões de recuperação do ombro direito.

De acordo com o fisioterapeuta Kleber Antonio Caiado de Freitas, os episódios provocaram rigidez na região cervical e na cintura escapular, mas não impediram a continuidade do tratamento.

O fisioterapeuta avaliou que Bolsonaro apresenta evolução estável na recuperação pós-operatória do ombro direito e responde satisfatoriamente ao tratamento. A recomendação é manter as sessões para ampliar o fortalecimento muscular, a mobilidade e a recuperação funcional do braço.

Visitas no Dia dos Pais

A defesa de Jair Bolsonaro pediu ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorização para que o ex-presidente receba os filhos no próximo domingo (9), Dia dos Pais. O pedido foi protocolado na quarta-feira (5) e ainda aguarda decisão.

Os advogados solicitaram, em caráter excepcional, a visita de Carlos Bolsonaro, Jair Renan Bolsonaro e Flávio Bolsonaro. Segundo a defesa, o encontro teria caráter “estritamente humanitário e familiar” e não comprometeria o cumprimento das medidas impostas ao ex-presidente.

Bolsonaro está com as visitas gerais suspensas por 30 dias e proibido de receber visitas com motivação político-eleitoral até o fim das eleições de outubro. Flávio, que é pré-candidato à Presidência, está impedido de visitá-lo por 90 dias.



Alô Valparaíso/* Com as informações do SBT News | Foto: Reprodução/Instagram

PT protocola programa de governo e oficializa candidatura de Lula à reeleição

Documento de 84 páginas tem 13 eixos, cita terras raras e coloca defesa da soberania nacional entre as prioridades

O PT protocolou na Justiça Eleitoral, na noite desta sexta-feira (7), o programa de governo e o registro da candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição. O documento aprovado tem 84 páginas e está dividido em 13 grandes eixos para um eventual novo mandato.

O blog teve acesso antecipado aos 13 tópicos que estruturam o programa. Entre as prioridades estão o combate às desigualdades, segurança pública, educação, saúde, economia sustentável e digital, segurança alimentar, transição energética, meio ambiente e valorização do trabalho.

Entre os 13 eixos, o programa reserva o último capítulo à defesa da soberania nacional e ao protagonismo internacional do Brasil. O tema ganha peso em meio às recentes disputas comerciais e geopolíticas. Nesta sexta, Lula voltou a criticar o tarifaço dos Estados Unidos e defendeu a soberania brasileira diante das pressões externas.

O documento também faz menções diretas às terras raras e minerais críticos. A proposta é tratar a exploração desses recursos como estratégica para o desenvolvimento e para a soberania do país. O capítulo também aborda a regulação das grandes empresas de tecnologia.

Propostas que chegaram a ser defendidas por setores do PT ficaram fora da versão final. Entre elas, a reestatização de empresas e serviços privatizados, que chegou a ser defendida durante a elaboração do plano de governo.

A elaboração do documento foi coordenada pelo ex-presidente da Petrobrás Sérgio Gabrielli, responsável por conduzir as discussões que resultaram na versão final aprovada pelo partido e por Lula.

Os 13 eixos do programa são:

1. Fortalecer a democracia, a participação social e modernizar o Estado

2. Combater as desigualdades

3. Proteger a vida com uma segurança pública mais eficiente e integrada

4. Garantir o direito à educação para transformar vidas e o país

5. Fortalecer a saúde com equidade, inovação e soberania

6. Ampliar o acesso à cultura e ao esporte como vetores de transformação social

7. Fortalecer o direito à cidade

8. Promover uma economia mais sustentável, produtiva e digital, para todas e todos

9. Segurança alimentar e produção agrícola

10. Ampliar a segurança energética e liderar a transição para uma economia de baixo carbono

11. Promover a sustentabilidade ambiental e climática

12. Valorizar o trabalho em suas múltiplas formas

13. Defender a soberania nacional e o protagonismo internacional do Brasil



Alô Valparaíso/* Com as informações da Agência Brasil | Foto: Ricardo Stuckert/Campanha Lula

Lula chama Marco Rubio de ‘bolsonarista’ e ‘anti latino-americano’

Presidente declarou que secretário de Estado dos EUA toma ações inversas ao que foi acordado com Donald Trump

O presidente da República e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), classificou o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, como “bolsonarista” e “anti latino-americano”. Em mais uma fala crítica ao republicano, o presidente declarou, nesta sexta-feira (7), que Rubio toma ações inversas ao acordado com o presidente norte-americano, Donald Trump.

“Trump tem um cidadão que não gosta do Brasil, que não gosta da América Latina e que é um bolsonarista, que é o Marco Rubio. Eu disse para o Trump: esse moço não gosta do Brasil. Ele é um anti latino-americano, ou um latino-americano frustrado”, disse Lula, em visita ao Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), em São José dos Campos (SP). “Ele faz as coisas diferentes daquilo que a gente conversa com o Trump”, completou.

Lula também destacou que entregou a Trump, durante a reunião que teve com ele na Casa Branca, em maio, documentos com dados sobre comércio, combate ao crime organizado e terras raras para tentar arrefecer a crise com os EUA.

O presidente brasileiro disse então que ficou esperando por uma resposta de Trump, e que a equipe dele telefonava toda a semana para os EUA para tentar realizar reuniões.

Desmatamento

Na agenda da visita ao Inpe, Lula acompanhou a divulgação de dados sobre desmatamento. O tema ganhou destaque nos compromissos do petista por ser utilizado pelo governo dos EUA como um dos argumentos para taxar em 25% os produtos exportados brasileiros.

Lula afirmou que o Brasil pode alcançar o desmatamento zero até 2030, destacando ainda que o compromisso foi assumido pelo governo por iniciativa própria e que os indicadores mostram que a meta é viável.

“Assumimos o compromisso que ninguém pediu, foi um compromisso desaforado, de que é possível a gente chegar a desmatamento zero até 2030”, ressaltou.

Segundo o presidente, o país poderá atingir o objetivo caso mantenha o ritmo atual de redução do desmatamento e continue destinando recursos para as políticas ambientais.

Tarifaço

As declarações ocorrem após o governo Trump anunciar, em julho, uma tarifa adicional de 25% sobre parte das importações brasileiras, resultado de uma investigação comercial conduzida pelos Estados Unidos.

Entre as justificativas apresentadas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estado Unidos está a alegação de que o Brasil falha no combate ao desmatamento ilegal.

Dias depois, Washington anunciou uma sobretaxa adicional de 12,5% sobre parte das exportações brasileiras, ampliando as medidas comerciais contra o país.



Alô Valparaíso/* Com as informações do R7 | Foto: Ricardo Stuckert/Campanha Lula

Caiado promete rever reforma tributária e reduzir burocracia

Candidato à Presidência também defendeu a autonomia de estados e municípios e disse que vai enxugar a máquina pública

O candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, afirmou nesta sexta-feira (7) que pretende revisar pontos da reforma tributária caso seja eleito. Durante sabatina da GloboNews, o governador de Goiás disse que as mudanças terão como objetivo corrigir assimetrias, reduzir a burocracia e aliviar os custos impostos pelo novo sistema ao que ele chamou de profissionais liberais, além de pequenos e médios empresários.

Segundo Caiado, a intenção não é revogar a reforma tributária aprovada pelo Congresso, mas aperfeiçoá-la por meio de ajustes em seus principais dispositivos.

Na avaliação do candidato, o modelo atual impõe custos excessivos a parte do setor produtivo e pode estimular o aumento da informalidade. Ele, no entanto, não detalhou quais mudanças pretende implementar.

Caiado também criticou a adoção de mecanismos inspirados em modelos tributários estrangeiros, como o split payment, implementado na Índia. Segundo o candidato, o sistema enfrenta dificuldades de funcionamento até mesmo no país asiático e, por isso, não seria compatível com a realidade brasileira.

Caiado também defendeu a preservação da autonomia de estados e municípios. Para ele, o sistema concentra poder em Brasília e reduz a capacidade de decisão dos governos estaduais.

Na área fiscal, Caiado afirmou que pretende promover a contenção da máquina pública e avaliar a eficiência dos programas governamentais.

“O que precisamos focar, com certeza, é fazer contenção das máquinas e das estruturas. E, a partir daí, você vai avaliando cada um dos projetos para saber qual é a eficiência e o resultado”, disse.

O candidato também citou medidas adotadas durante sua gestão no governo de Goiás para sustentar a proposta.

“Eu promovi uma grande reforma administrativa. Cortei incentivos fiscais, mais de R$ 3 bilhões no estado. Fiz uma reforma da previdência no estado de Goiás. Tudo isso que eu estou dizendo aqui, eu as pratiquei no meu mandato. Então, isso me credencia para dizer que eu saberei buscar as melhores cabeças para poder compor o governo para discutir”, afirmou.

Caiado também rebateu a ideia de que o ajuste fiscal seja incompatível com programas sociais. Segundo ele, é possível conciliar responsabilidade fiscal e políticas públicas, desde que haja eficiência na gestão.

“O equilíbrio fiscal não briga de maneira alguma com as políticas sociais. Isso é [para] quem pensa pequeno. […] Eu expandi enormemente os programas sociais de Goiás, no sentido emancipatório das pessoas, e recuperei o equilíbrio fiscal”, disse.



Alô Valparaíso/* Com as informações do SBT News | Foto: Reprodução