Caiado defende verba da educação ligada a metas das escolas

Candidato cita experiência como governador de Goiás e defende avaliação do ensino básico e das faculdades

O candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) defendeu, nesta segunda-feira (24), que os recursos destinados à educação sejam vinculados ao desempenho dos alunos. Após o evento Pacto Brasil de Futuro, em São Paulo, ele afirmou que prefeitos, governadores e o governo federal precisam assumir responsabilidade pelos resultados do ensino.

“O que não se pode é deixar a educação descolada da realidade”, afirmou Caiado. Segundo o candidato, estados e municípios devem ser avaliados a partir das notas obtidas pelos estudantes e das metas estabelecidas para as escolas.

Caiado citou a experiência de Goiás, onde, segundo ele, foram feitas mudanças na legislação, parcerias com municípios e alterações na grade curricular. O candidato afirmou que os alunos passaram a ser avaliados anualmente, disse que existe uma plataforma mostrando o desempenho de cada um no estado e defendeu que o modelo seja utilizado como referência para o país.

“Aqueles colégios que atingirem a meta terão um repasse maior”, disse. Para Caiado, a medida não deve ser tratada como punição. “Isso não é penalizar, é motivar”, afirmou.

Na avaliação de Caiado, o ensino básico precisa garantir que as crianças desenvolvam habilidades fundamentais. “É exatamente fazendo com que cada município, estado se preocupe, junto com o Governo Federal, em poder fazer uma criança saber ler, escrever, entender, interpretar”, afirmou. Ele defendeu responsabilizar cada prefeito e governador.

Ele também pontuou alternativas para os jovens no ensino médio, com maior oferta de formação profissional e preparação para novas áreas, incluindo o uso de inteligência artificial. “Nós precisamos ter gestão e compromisso em educar.” Para Caiado, o governo federal deve garantir que o dinheiro público destinado ao setor seja acompanhado pela qualidade do ensino.

O candidato criticou faculdades que, segundo ele, priorizam a cobrança de mensalidades em vez da qualidade da formação. “As faculdades não podem virar bets legalizadas”, afirmou.

Em outro momento, o candidato reforçou a participação de Eduardo Leite e Ratinho Junior em seu projeto político. “O Eduardo Leite estará comigo governando o país, isso não é questão de compromisso com ele, é questão de bom senso. (…) Não abro mão da presença dele e muito menos do Ratinho”, destacou.



Alô Valparaíso/* Com as informações do SBT News | Foto:  Secom-GO

Veja como saber se você foi convocado para ser mesário nas eleições de 2026

Justiça Eleitoral envia convocações por diferentes canais;

A poucos meses das eleições de 2026, eleitores começam a se perguntar se foram escolhidos para atuar como mesários no dia da votação. A convocação é feita pela Justiça Eleitoral e pode ocorrer por carta, e-mail, aplicativo ou contato telefônico, dependendo do estado e dos dados cadastrados pelo eleitor.

Os cidadãos que foram convocados recebem uma comunicação oficial informando o local de trabalho, a função que irão desempenhar e as datas dos treinamentos obrigatórios. Quem já atuou como mesário em eleições anteriores tem mais chances de ser novamente selecionado.

Mas, se você tem dúvidas se foi convocado ou não, é possível fazer a verificação diretamente pelos canais oficiais da Justiça Eleitoral.

A consulta pode ser feita no aplicativo e-Título ou nos sites dos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs), que costumam disponibilizar informações sobre convocações e treinamentos. Outra alternativa é entrar em contato com o cartório eleitoral responsável pela zona onde o eleitor está inscrito.

O trabalho é obrigatório.

Se convocado, trabalhar como mesário é obrigatório, salvo em casos de impedimento justificado aceitos pela Justiça Eleitoral. Em contrapartida, os voluntários e convocados têm direito a benefícios como dias de folga no trabalho e, em alguns concursos públicos, critério de desempate na classificação final.

A orientação da Justiça Eleitoral é que os eleitores mantenham seus dados cadastrais atualizados para garantir o recebimento de comunicados e evitar problemas durante o processo eleitoral.



Alô Valparaíso/* Com as informações do R7 | Foto:  Marcelo Camargo/Agência Brasil

Lulistas e bolsonaristas se veem como radicais, diz Ipsos

Simpatizantes de Lula e de Flávio Bolsonaro têm visões mais parecidas do que imaginam; descompasso de percepção aumenta entre pessoas com ensino superior

Lulistas e simpatizantes de Flávio Bolsonaro enxergam o grupo político adversário como mais distante de suas próprias posições do que ele realmente é. Isso é o que mostram os resultados da segunda pesquisa More in Common/Ipsos-Ipec, que mediu o chamado “descompasso de percepção” (perception gap) entre os dois campos políticos.

Divulgado neste domingo (23), o levantamento ouviu 2.000 pessoas em 130 municípios brasileiros, entre os dias 6 e 10 de agosto.

No relatrório “Lulistas e bolsonaristas: descompasso de percepção”, o diretor-executivo da More in Common, Pablo Ortellado, explica que, atualmente, esse tipo de pesquisa tem o objetivo de medir o quanto “esses erros de percepção exageram as diferenças entre os grupos políticos, levando a hostilidade, polarização política e comportamentos antidemocráticos”.

A pesquisa, que não mede intenção de voto, considera como “bolsonaristas” os entrevistados que declararam ter mais simpatia por Flávio Bolsonaro do que por Lula, e como “lulistas” aqueles que disseram ter mais simpatia por Lula.

Os 18% que não declararam simpatia por nenhum dos dois ficaram fora da análise.

Para verificar o descompasso, os pesquisadores apresentaram aos dois grupos afirmações associadas a estereótipos atribuídos ao campo político adversário. Depois, compararam a opinião efetiva dos entrevistados com aquilo que o outro grupo imaginava que eles responderiam.

Ideias de quem simpatiza com Flávio

Um dos resultados mostra que os simpatizantes de Flávio Bolsonaro têm posições mais favoráveis à igualdade social e de gênero do que esperam os lulistas.

Em uma escala de 0 a 100, na qual 0 significa discordância total e 100 concordância total, os bolsonaristas deram nota média de 86 à afirmação de que é positivo que pessoas pobres possam viajar de avião e frequentar lugares antes restritos aos mais ricos.

Os lulistas estimaram que a média entre os bolsonaristas seria de apenas 69.

A diferença é ainda maior na questão da igualdade salarial entre homens e mulheres: os bolsonaristas deram 94 pontos para a afirmação de que homens e mulheres devem receber o mesmo salário quando realizam o mesmo trabalho, enquanto os lulistas estimaram uma média de 73.

Até mesmo na defesa da democracia há diferença, embora menor: a média dos bolsonaristas foi de 71 para a afirmação de que nenhum presidente deveria poder fechar o Congresso e acabar com a democracia. Os lulistas estimaram 65.

Lulistas também diferem do estereótipo

Na direção contrária, o cenário se repete. Em algumas questões, lulistas demonstram posições mais conservadoras do que os bolsonaristas imaginam.

A maior diferença aparece na afirmação de que “ser pobre não é desculpa para cometer crimes”. A média de concordância dos lulistas foi de 86, mas os bolsonaristas estimaram que seria de apenas 67.

Na defesa da autonomia financeira, os lulistas deram nota média de 84 à afirmação de que todos deveriam trabalhar para ter a própria renda, sem depender do governo. A expectativa dos bolsonaristas foi de 65.

A diferença também aparece na valorização da família: a média dos lulistas chegou a 95 para a afirmação de que “a família é a base de tudo”, enquanto os bolsonaristas estimaram 72.

Segundo a análise de Ortellado, o descompasso entre percepção e realidade é, na maioria das afirmações, da ordem de 20 pontos em uma escala de 0 a 100.

A organização resume o resultado afirmando que lulistas são mais “conservadores” e “liberais” do que imaginam os simpatizantes de Flávio Bolsonaro, enquanto bolsonaristas são mais “progressistas” e “democratas” do que imaginam os lulistas.

Escolaridade aumenta o descompasso

A distância na percepção do outro é maior entre pessoas com ensino superior. Não houve diferença significativa no descompasso quando os entrevistados foram separados por sexo ou faixa etária, mas a escolaridade produziu diferenças importantes.

Entre lulistas com curso superior, por exemplo, a diferença entre a opinião efetiva dos bolsonaristas e a percepção que eles têm sobre o adversário chega a 27 pontos na afirmação sobre pobres viajarem de avião e a 33 pontos na questão da igualdade salarial.

No conjunto dos lulistas, as diferenças nessas duas questões são de 17 e 21 pontos, respectivamente.

Entre bolsonaristas com ensino superior, o descompasso cresce de forma mais moderada. Na questão sobre a necessidade de trabalhar para ter renda própria, a diferença chega a 25 pontos; na afirmação sobre a família ser a base de tudo, chega a 27 pontos.

“Pessoas com ensino superior têm percepções mais distorcidas sobre o que pensam os adversários políticos. Em algumas afirmações, a distância quase dobra com relação a quem não tem ensino superior”, diz o relatório.

Na análise de Ortellado, isso mostra que o descompasso não é uma estimativa errada, causada por ignorância ou pouco estudo.

Ele afirma que pesquisas internacionais encontraram esse mesmo padrão e a mesma assimetria, e diz que não há consenso sobre por que isso acontece.

“A explicação com mais apoio empírico é a de que os mais escolarizados convivem com pessoas politicamente parecidas com elas. Outras hipóteses são que os mais escolarizados usam modelos mentais mais abstratos, que terminam caricaturando os adversários e que consomem mídias mais alinhadas às próprias posições, amplificando os vieses”, fala.

Entre as hipóteses mencionadas também está o consumo de meios de comunicação alinhados às próprias opiniões.

Mais parecidos do que imaginam

A conclusão da pesquisa é que a polarização política pode ampliar artificialmente a percepção de distância entre os grupos. Nos seis temas analisados, nenhuma das afirmações teve média de concordância inferior a 70 pontos.

De acordo com a More in Common, os bolsonaristas demonstram forte apoio à promoção social dos pobres, à igualdade salarial entre homens e mulheres e à democracia.

Os lulistas, por sua vez, rejeitam a ideia de que a pobreza justifique crimes, defendem que as pessoas tenham sua própria renda e atribuem grande importância à família.

Para a organização, o que separa os dois grupos não são apenas suas posições sobre questões concretas, mas também as identidades políticas e os estereótipos construídos sobre quem pertence ao campo adversário.

Entenda a pesquisa

Para medir a percepção distorcida que simpatizantes de Lula e de Flávio Bolsonaro fazem do eleitor adversário, os pesquisadores partiram de três características que pessoas de esquerda costumam atribuir às pessoas de direita: que elas seriam contrárias à igualdade social, que seriam contrárias à igualdade entre homens e mulheres e que não teriam apreço pelo regime democrático.

“Depois, pegamos três características que pessoas de direita costumam atribuir às pessoas de esquerda: que elas seriam lenientes com os criminosos, que estimulariam a dependência do Estado e que seriam contra a família”, descreve o relatório.

Cada uma dessas posições foram transformadas em afirmações. Os simpatizantes de Lula foram questionados sobre o quanto concordam com os estereótipos sobre a esquerda, numa escala de zero a dez, na qual zero é discordo totalmente e dez é concordo totalmente.

Aos simpatizantes de Flávio foi pedido para estimarem como simpatizantes de Lula teriam respondido, e vice-versa. A diferença entre expectativa e realidade é o “perception gap”, o descompasso de percepção.



Alô Valparaíso/* Com as informações do SBT News | Foto:  Ricardo Stuckert

Lula inclui gestão Dilma em ‘década de retrocesso’ em seu plano de governo

Documento cita que Brasil rompeu com o isolamento geopolítico e reassumiu seu protagonismo na arena global

A equipe que elaborou o plano de governo do presidente Lula, candidato à reeleição, afirma que a atual gestão recuperou, em três anos e meio, “uma década de retrocessos”. A conta inclui o período que antecedeu a volta de Lula ao Palácio do Planalto em 2023 e, portanto, alcança os anos do governo Dilma Rousseff.

O trecho está no plano de governo apresentado ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Ao tratar do cenário internacional, o documento afirma que o Brasil “rompeu definitivamente com o isolamento geopolítico pretérito e assumiu seu protagonismo na arena global”.

Na sequência, a equipe de Lula afirma: “Esse legado evidencia os resultados robustos que devolveram ao país a melhores patamares nos indicadores econômicos, sociais e ambientais. Recuperamos uma década de retrocessos em três anos e meio de mandato”.

Lula iniciou o terceiro mandato em 2023. Uma década antes, em 2013, Dilma Rousseff estava no primeiro ano de seu primeiro mandato. A petista governou o país de 2011 a 2016.

A reportagem questionou a equipe de Lula sobre a afirmação de que o governo recuperou uma década de retrocessos e sobre a inclusão do período Dilma nesse intervalo. Não houve resposta até a publicação. O espaço permanece aberto.



Alô Valparaíso/* Com as informações do R7 | Foto:  Ricardo Stuckert/PR