Caiado minimiza pesquisa Quaest e diz que eleitor ainda está ‘experimentando’ candidatos

Candidato do PSD aposta em crescimento nas próximas semanas; em SP, anunciou Ratinho Junior como futuro ministro da Infraestrutura

O candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, minimizou nesta quarta-feira (2) o resultado da nova pesquisa Quaest, que aponta apenas 1% das intenções de voto para ele no primeiro turno.

Em visita ao Mercado Municipal de Pinheiros, na Zona Oeste de São Paulo, Caiado afirmou que o eleitorado ainda está em processo de avaliação dos candidatos e que o cenário pode mudar com o avanço da campanha.

“Pesquisa é um retrato do momento. Nós estamos começando a campanha agora”, afirmou o ex-governador de Goiás. Segundo Caiado, o eleitor ainda não consolidou suas escolhas. “O eleitor está experimentando. Ele está vendo quem é quem, está vendo as propostas, está vendo o que cada um fez”, declarou.

O candidato também procurou relativizar a distância em relação aos nomes que aparecem nas primeiras posições e citou o crescimento de Augusto Cury (Avante), que chegou a 10% no levantamento. Para Caiado, o resultado demonstra que há espaço para mudanças no quadro eleitoral.

A pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira mostra Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 37% das intenções de voto no primeiro turno, seguido por Flávio Bolsonaro (PL), com 30%, e Cury, com 10%. Renan Santos (Missão) tem 3%, enquanto Caiado, Romeu Zema (Novo), Pablo Marçal (PRTB) e Samara Martins (UP) aparecem com 1%.

Ratinho Junior no Ministério da Infraestrutura

Durante a agenda em São Paulo, Ronaldo Caiado também confirmou mais uma de suas escolhas para um eventual governo. O governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), foi anunciado como futuro ministro da Infraestrutura, caso Caiado seja eleito presidente.

“Olha a notícia boa para o Brasil todo: o nosso ministro de Infraestrutura, Ratinho Junior. Veja lá o que ele fez no Paraná e o que ele vai fazer no Brasil”, afirmou Caiado ao apresentar o aliado.



Alô Valparaíso/* Com as informações do R7 | Foto:  Bruno Varani/PSD

Senado adia votação do fim da 6×1 por falta de votos e deixa PEC para depois das eleições

Randolfe Rodrigues diz que oposição esvaziou plenário, mas admite que governo não tinha segurança dos 49 votos necessários

A votação da PECdo fim da escala 6×1 não deve mais ocorrer nesta semana no Senado e pode ficar para depois do primeiro turno das eleições.

O adiamento ocorreu nesta quarta-feira (2), após o governo concluir que não tinha segurança sobre os 49 votos necessários para aprovar uma proposta de emenda à Constituição.

A decisão expôs uma dificuldade que vai além do quórum registrado no plenário. Apesar de o painel ter chegado a marcar 75 senadores presentes, o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), afirmou que presença não significa necessariamente voto favorável.

Segundo ele, o governo trabalha com uma estimativa de 53 a 54 votos favoráveis, mas considerou arriscado levar a PEC à votação sem a garantia de que esse apoio seria efetivamente convertido em votos.

Em entrevista no fim do dia, Randolfe atribuiu o adiamento a uma articulação da oposição.

Segundo o senador, o grupo liderado por Rogério Marinho (PL-RN) e com participação de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria atuado para esvaziar o plenário e impedir que a votação alcançasse os votos necessários. “Hoje houve uma ação coordenada da oposição”, afirmou.

O próprio líder, porém, reconheceu que o governo decidiu não correr o risco de colocar a PEC em votação sem ter um número consolidado. Pela Constituição, uma proposta de emenda precisa de pelo menos 49 votos favoráveis em dois turnos no Senado.

“Não é adequado correr risco sobre esse tema. Nós queremos colocar esse tema para votar com a garantia que ele vai ser aprovado”, disse Randolfe.

Eleições entram no cálculo

A dificuldade de reunir votos ocorre justamente quando o calendário eleitoral começa a se sobrepor à agenda do Congresso. O primeiro turno das eleições será realizado em 4 de outubro, e um eventual segundo turno está marcado para 25 de outubro.

Nos bastidores, a avaliação é de que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), pode usar as próximas semanas para medir o cenário político antes de decidir o momento de colocar a PEC em votação.

A estratégia permite que o Senado observe o resultado do primeiro turno e o desempenho dos principais candidatos antes de definir como conduzir uma pauta de forte apelo entre trabalhadores.

A PEC tem potencial de impacto direto na disputa presidencial. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) incorporou o fim da escala 6×1 ao discurso de defesa de uma agenda voltada aos trabalhadores, enquanto Flávio Bolsonaro atuou nesta quarta-feira contra a tentativa de levar a proposta à votação.

Randolfe afirmou que o governo pretende tentar uma convocação extraordinária ainda em setembro para votar a matéria. Caso isso não seja possível, a alternativa será o segundo esforço concentrado do Senado, previsto para ocorrer na segunda semana de outubro.

O senador, no entanto, estabeleceu um limite: disse que a PEC será votada até o fim de outubro. “Eu posso garantir que até o final de outubro, de qualquer forma, essa matéria vai ser votada”, anunciou.

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Alô Valparaíso/* Com as informações da Agência Brasil | Foto:  Ton Molina/Agência Senado

Escala 6×1: 67% apontam que jornada piora saúde mental, diz pesquisa

Para 62%, rotina laboral atual prejudica saúde física do trabalhador

Trabalhar seis dias seguidos e descansar apenas um proporciona piora da saúde mental para 67% dos brasileiros ouvidos por levantamento do Instituto Locomotiva, divulgado nesta terça (2). O possível fim da escala 6×1 está em tramitação avançada no Congresso. 

A proposta de emenda à Constituição sobre o tema foi aprovada nesta tarde pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. A pesquisa do Locomotiva apresenta também, por exemplo, que a rotina laboral da escala 6×1 prejudica a saúde física para 62% das pessoas.

Segundo avaliou o presidente do instituto, Renato Meirelles, o levantamento aponta que o problema central para os brasileiros está no tamanho da vida que sobra depois do trabalho.

“A pesquisa mostra que a jornada pesa sobre dimensões fundamentais da qualidade de vida, como saúde mental, descanso, tempo com a família e relações pessoais”, destaca.

O levantamento foi feito em parceria com a QuestionPro entre os dias 2 e 8 de junho e ouviu 1.030 brasileiros em todas as regiões. 

Menos sono e saúde

Ao todo, 69% entendem que o tempo com a família é prejudicado ao trabalhar seis dias seguidos e folgar um, e 61% dizem que o sono e o descanso são impactados.  Inclusive, 71% dos brasileiros afirmam que a jornada dificulta a manutenção de hábitos saudáveis e 78% dizem que é difícil descansar de verdade trabalhando tanto tempo. 

O sentimento de que vivem cada vez mais cansadas é citado por 83% das pessoas. O levantamento de quem atua na escala 6×1 é de sacrificar saúde e lazer em nome da renda para 85%. Entre as mulheres, o percentual chega a 89%.

Brasília (DF), 02/09/2026 - Pesquisa sobre escala 6x1 e jornada de trabalho. Foto: Instituto Locomotiva/Divulgação
 Instituto Locomotiva/Divulgação

Projeto

A PEC 221 de 2019, que tramita no Congresso Nacioanl, prevê a obrigatoriedade de descanso remunerado de dois dias por semana, sem diminuição salarial. A proposta reduz a atual jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, com uma regra de transição de 14 meses. 

Nas discussões no Congresso, os parlamentares destacam que estudos sobre o fim da escala 6×1 divergem sobre os impactos para a inflação e o Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos no país).   



Alô Valparaíso/* Com as informações da Agência Brasil | Foto:  Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Lula recebe Gilmar Mendes fora da agenda no Planalto em meio a crise no STF

Segundo relatos de interlocutores, o petista demonstrou preocupação com o impacto do episódio sobre a imagem institucional do Supremo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no Palácio do Planalto, na tarde de terça-feira (1º/9), em meio à crise provocada pelas revelações envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A informação foi publicada pelo jornal O Globo e confirmada pela reportagem.

Segundo relatos de interlocutores, Lula demonstrou preocupação com o impacto do episódio sobre a imagem institucional do Supremo. Na avaliação do petista, é preciso evitar que o caso amplie o desgaste da Corte diante das revelações que vieram a público nos últimos dias.

A conversa entre Lula e Gilmar ocorreu fora da agenda oficial divulgada pela Presidência da República.

Mensagens que tiveram o sigilo retirado nessa terça-feira (1/9) por determinação do ministro André Mendonça mostram que Vorcaro mantinha contato com Moraes durante o período mais crítico enfrentado pelo Banco Master, no fim do ano passado. Os diálogos indicam que o banqueiro recebeu orientações do magistrado naquele período.



Alô Valparaíso/* Com as informações do Correio Braziliense | Foto:  Nelson Jr./SCO/STF