Escala 6×1, CLT e aplicativos: confira as propostas dos presidenciáveis para o trabalho

Programas de governo apresentam visões distintas sobre jornada, contratação, informalidade, sindicatos e proteção aos trabalhadores

As propostas para o mercado de trabalho colocam em lados diferentes os principais candidatos à Presidência da República. Enquanto uns priorizam a ampliação da proteção trabalhista e a redução da jornada, outros defendem maior flexibilização das relações entre empresas e trabalhadores e adaptação do mercado às novas tecnologias.

A seguir, a reportagem apresenta as principais propostas sobre esse assunto feitas pelos candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão).

Lula

O programa de Lula defende a continuidade da política de valorização real do salário mínimo e apoia o fim da escala 6×1, com redução da jornada para 40 horas semanais sem redução salarial.

O plano também propõe revisar normas consideradas precarizantes, combater fraudes em terceirizações e reforçar a participação sindical nas homologações de contratos de trabalho.

Outro eixo é a regulamentação do trabalho por aplicativos. A proposta prevê direitos trabalhistas e previdenciários para motoristas e entregadores, além de remuneração considerada justa, condições de trabalho seguras e transparência sobre os algoritmos utilizados pelas plataformas.

As empresas também passariam a contribuir para a Previdência Social desses trabalhadores.

No campo da igualdade, o plano de Lula defende medidas para reduzir diferenças salariais entre homens e mulheres, ampliar a contratação de pessoas com deficiência e combater discriminações no ambiente profissional. O programa também prevê tolerância zero ao trabalho infantil e ao trabalho análogo à escravidão.

Para aumentar a empregabilidade, a proposta é integrar qualificação profissional, cursos e vagas por meio de uma plataforma pública nacional do Sine com uso de IA (inteligência artificial).

Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro concentra sua proposta no eixo “Trabalho que compensa”. A proposta é diminuir o custo da contratação sem retirar direitos dos trabalhadores. Para públicos considerados mais vulneráveis à exclusão do mercado, seriam criados modelos específicos de contratação.

O chamado Contrato de Primeiro Emprego seria destinado a jovens de 18 a 24 anos, com menor custo de folha para as empresas. Já o Contrato de Reingresso seria voltado a pessoas com 50 anos ou mais que estejam desempregadas há pelo menos um ano.

A candidatura também defende maior flexibilidade nas jornadas e o fortalecimento do princípio de que acordos entre trabalhadores e empregadores possam prevalecer sobre determinadas regras gerais previstas na legislação, respeitados os limites legais.

Outra proposta é a criação de um Banco Nacional de Vagas integrado aos departamentos de recursos humanos das empresas.

Para os aplicativos, Flávio defende a manutenção das oportunidades de renda oferecidas pelas plataformas, combinada com proteção social e previdenciária.

Entretanto, o programa rejeita a participação obrigatória de entidades sindicais na formulação dessas regras e critica o que chama de “República Sindical”.

Ronaldo Caiado

Caiado propõe modernizar o mercado de trabalho sem abandonar mecanismos de proteção. O programa estabelece como prioridades a redução da informalidade, a formação continuada e a adaptação dos trabalhadores às novas formas de emprego.

Uma das principais medidas é ampliar o ensino técnico integrado ao ensino médio e à educação de jovens e adultos. A formação seria desenvolvida em parceria com governos estaduais, institutos federais e empresas, levando em consideração as necessidades produtivas de cada região.

O currículo dos cursos também seria atualizado para áreas como IA, automação, cibersegurança, análise de dados industriais e manutenção preditiva.

Para trabalhadores que recebem benefícios sociais, o plano prevê uma transição gradual para o mercado formal. Em vez de perder imediatamente o benefício ao conseguir emprego ou aumentar a renda, o trabalhador passaria por uma redução progressiva do auxílio.

O programa também prevê ações para ampliar a contratação de jovens, fortalecer a igualdade salarial entre homens e mulheres e combater o assédio em diferentes ambientes profissionais, incluindo trabalho doméstico, rural e por plataformas digitais.

Romeu Zema

O programa de Zema defende que o modelo tradicional da CLT é rígido e encarece as contratações, além de não atender adequadamente trabalhadores informais e aqueles que atuam por aplicativos.

A principal proposta é criar uma alternativa à CLT baseada na prevalência do negociado sobre o legislado. Nesse regime, empregado e empregador poderiam definir consensualmente aspectos como remuneração variável, periodicidade do pagamento, jornada e distribuição das férias, dentro dos limites estabelecidos pelo programa.

Zema também defende a extinção de determinadas contribuições sobre a folha de pagamento e a simplificação de obrigações burocráticas para as empresas.

Na qualificação profissional, o programa propõe o uso de vouchers para conectar trabalhadores a cursos técnicos oferecidos em parceria com o setor privado e o Sistema S.

A candidatura ainda defende o fim da obrigatoriedade de contribuição sindical e a redução da atuação de conselhos profissionais, além da desregulamentação de profissões que não envolvam riscos diretos à saúde ou à segurança.

Renan Santos

No plano de Renan, as propostas trabalhistas estão concentradas no eixo “Produtividade pela Cidadania”. A candidatura defende uma reforma para flexibilizar as relações de trabalho e reduzir as demandas que chegam à Justiça do Trabalho.

O programa considera que a rigidez do marco legal trabalhista dificulta adaptações das empresas e pode afastar investimentos. A proposta é alterar as regras para aumentar a flexibilidade e a segurança jurídica.

O programa propõe substituir o Bolsa Família por um sistema de “Frentes Cidadãs” voltado à população em idade economicamente ativa.

Nesse modelo, beneficiários participariam de frentes de trabalho remuneradas em atividades de utilidade pública, em vez de receber apenas transferências de renda. A medida é apresentada como uma forma de incentivar a entrada no mercado formal.

O programa também propõe direcionar recursos da educação superior para áreas de STEM — ciência, tecnologia, engenharia e matemática — com o objetivo de formar profissionais para esses setores.

Outra frente seria a criação de incentivos para reter e repatriar profissionais qualificados e aproximar universidades, empresas e indústria.



Alô Valparaíso/* Com as informações do R7 | Foto:  Ricardo Stuckert/PR, Vittor Sales/Flickr @flaviobolsonaro e Gabriel Pinheiro/CNI

Caiado estreia na TV com ‘coragem’ e aposta em contraste com PT e resultados de Goiás

Programa eleitoral do candidato do PSD transforma segurança pública em principal cartão de visitas para a disputa presidencial

O primeiro programa de propaganda eleitoral de Ronaldo Caiado (PSD) aposta menos na apresentação de propostas detalhadas e mais na construção da imagem do candidato. Em cerca de dois minutos, a campanha recupera episódios da trajetória pessoal e política de Caiado para sustentar o principal conceito da candidatura: a “coragem para mudar”.

A peça começa com imagens rurais e referências à história de vida do candidato, destacando a formação como médico e a escolha pelo serviço público. Em seguida, resgata a atuação política de Caiado e dá ênfase à segurança pública, área que aparece como uma das principais credenciais para apresentá-lo ao eleitorado nacional. A campanha relembra o cenário de violência encontrado por ele ao assumir o governo de Goiás, em 2019, e afirma que o então governador “colocou os líderes na prisão”.

O programa também recorre a imagens de obras e ações dos dois mandatos de Caiado para apresentar Goiás como uma espécie de vitrine de sua capacidade administrativa. Saúde, construção de hospitais, inteligência artificial e modernização do Estado são citados como exemplos de resultados alcançados durante sua gestão. A propaganda ainda destaca a aprovação de Caiado ao deixar o governo.

A estratégia é clara: transformar a experiência administrativa em Goiás no principal argumento para convencer o eleitor de que Caiado está preparado para governar o país. Em vez de começar pela discussão de propostas nacionais, a campanha apresenta resultados concretos e tenta associá-los à figura pessoal do candidato.

Caiado critica ainda a “conivência” e a “incompetência” dos grupos que, segundo ele, governam o Brasil há duas décadas e associa esse período à criminalidade e às dificuldades econômicas enfrentadas pela população.

A conclusão explicita ainda mais o posicionamento político da candidatura: “Tirar o PT de vez do poder”. A frase coloca Caiado diretamente no campo da oposição ao governo Lula e sinaliza que a campanha pretende disputar o eleitorado de direita, sem, neste primeiro momento, concentrar o discurso exclusivamente no confronto com outros nomes, como Flávio Bolsonaro.



Alô Valparaíso/* Com as informações do R7 | Foto:  Reprodução/PSD

Saiba como justificar a ausência nas eleições de 2026

Procedimento pode ser realizado tanto no dia da votação quanto após o pleito

Eleitores que não puderem comparecer às urnas nas eleições de 2026 poderão justificar a ausência por diferentes canais disponibilizados pela Justiça Eleitoral. O procedimento poderá ser feito no próprio dia da votação ou após o pleito, desde que respeitados os prazos estabelecidos para cada turno.

A justificativa é destinada ao eleitor que estiver fora do seu domicílio eleitoral no dia e horário da votação, das 8h às 17h. O pedido pode ser apresentado tanto no primeiro quanto no segundo turno, caso o eleitor não consiga comparecer em uma ou nas duas etapas da eleição.

É importante destacar que cada turno é considerado uma votação independente. Assim, quem deixar de votar no primeiro e no segundo turno deverá apresentar uma justificativa separada para cada ausência.

Como justificar no dia da eleição?

De acordo com o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), no dia da votação, o eleitor poderá justificar a ausência pelo aplicativo e-Título, disponível para celulares com sistemas Android e iOS, ou por meio do RJE (Requerimento de Justificativa Eleitoral). O formulário poderá ser entregue nas mesas receptoras de votos ou de justificativas instaladas para essa finalidade nos locais indicados pela Justiça Eleitoral.

Nesta modalidade, não é necessário apresentar documentos que comprovem o motivo da ausência. A justificativa feita no próprio dia da eleição será registrada pela Justiça Eleitoral após o recebimento do pedido.

Caso o eleitor opte pelo formulário físico, será necessário informar o número do título eleitoral, já que o CPF não é aceito, e apresentar um documento oficial de identificação com foto, como e-Título, carteira de identidade, passaporte, carteira nacional de habilitação, carteira de trabalho ou outro documento equivalente reconhecido por lei. Documentos fora do prazo de validade também são aceitos.

O formulário RJE pode ser obtido nos cartórios eleitorais, postos e centrais de atendimento da Justiça Eleitoral, nos portais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e dos Tribunais Regionais Eleitorais, além dos locais de votação ou justificativa no dia do pleito.

Como justificar depois da eleição?

Quem não apresentar a justificativa no dia da votação terá até 60 dias após cada turno para regularizar a situação. O pedido poderá ser feito pelo aplicativo e-Título, pelo Autoatendimento Eleitoral (Título Net) ou presencialmente em qualquer cartório eleitoral.

Após a eleição, o eleitor deverá anexar documentos que comprovem o motivo da ausência para análise da autoridade judiciária responsável pela zona eleitoral. Caso a justificativa seja aceita, o registro será incluído no histórico eleitoral. Se o pedido for negado, será necessário quitar o débito correspondente.

Para as eleições de 2026, os prazos para apresentar a justificativa após a votação são até 3 de dezembro de 2026 para ausência no primeiro turno, marcado para 4 de outubro, e até 8 de janeiro de 2027 para eventual ausência no segundo turno, previsto para 25 de outubro.

Eleitores brasileiros que estiverem no exterior também poderão justificar a ausência pelo e-Título ou pelo Autoatendimento Eleitoral. Quem possui título eleitoral no Brasil e estiver fora do país no dia da votação poderá ainda apresentar a justificativa em até 30 dias após o retorno ao Brasil, em qualquer cartório eleitoral, com a documentação que comprove o motivo da ausência.

Consequências para quem não justificar

A ausência às urnas é registrada pela Justiça Eleitoral após o pleito, independentemente dos prazos disponíveis para apresentação da justificativa. Caso o eleitor não regularize a situação, poderá ficar impedido de realizar atos que dependem da quitação eleitoral.

Entre as consequências estão a impossibilidade de obter passaporte ou carteira de identidade, participar de concursos públicos, tomar posse em cargos públicos, renovar matrícula em instituições oficiais de ensino e praticar atos que dependam de comprovação de regularidade eleitoral.

A falta de regularização também pode impedir a emissão de certidão de quitação eleitoral, documento exigido em diferentes procedimentos perante a Justiça Eleitoral.

Como pagar a multa eleitoral pelo aplicativo?

Quem não justificar a ausência dentro do prazo ou tiver outros débitos eleitorais pode regularizar a situação diretamente pelo aplicativo e-Título. O processo é feito de forma digital e permite consultar as pendências associadas ao cadastro eleitoral.

Depois de acessar o aplicativo com os dados registrados na Justiça Eleitoral, o eleitor deve entrar em “Mais opções” e, em seguida, selecionar “Pagar Multa Eleitoral”. O sistema apresenta as eventuais pendências vinculadas ao CPF ou ao título de eleitor.

A quitação pode ser feita por boleto bancário, Pix ou cartão de crédito. No caso do Pix, o próprio aplicativo disponibiliza um QR Code para que o pagamento seja realizado pelo aplicativo do banco.

Se não for possível fazer a leitura do QR Code, há ainda a alternativa de copiar o código alfanumérico gerado pelo sistema e informá-lo manualmente no banco escolhido pelo eleitor.

Após a quitação, a situação eleitoral poderá ser regularizada conforme o processamento do pagamento pela Justiça Eleitoral.

Quantas vezes é possível justificar a ausência?

A Justiça Eleitoral permite que o eleitor apresente justificativas quantas vezes forem necessárias. Porém, a ausência em três eleições consecutivas, sem pagamento das multas correspondentes ou apresentação de justificativas, pode resultar no cancelamento da inscrição eleitoral. Cada turno de votação é considerado uma eleição para essa finalidade.

O histórico de ausências e justificativas pode ser consultado pelo aplicativo e-Título, disponível para eleitores com o título regular ou suspenso.



Alô Valparaíso/* Com as informações do R7 | Foto:  Fernando Frazão/Agência Brasil

Quaest GO: Vilela tem 37%; Marconi 20%; Wilder 12%

No segundo turno, Daniel Vilela tem vantagem de 25 pontos percentuais contra Marconi Perillo; na disputa para o Senado, Gracinha Caiado lidera com 21%

Pesquisa Quaest divulgada nesta quinta (27) para o governo do Goiás mostra Daniel Vilela (MDB) com 37% das intenções de voto no primeiro turno, contra 20% de Marconi Perillo (PSDB).

Na sequência aparecem Wilder Morais (PL), com 12%, e Luis Cesar Bueno (PT), que marca 4%. O restante dos candidatos não chegam a 3% das intenções. Brancos e nulos somam 7%, enquanto 20% não souberam responder.

No levantamento anterior da Quaest, divulgado no fim de julho, Daniel Vilela, o atual governador do estado, tinha 37% das intenções. Por sua vez, o ex-deputado federal Marconi Perillo marcava 21% e o senador Wilder Morais 11%.

Leia o cenário estimulado completo:

Segundo turno

A pesquisa mostra que Daniel Vilela venceria os adversários em um possível confronto direto no segundo turno. Contra Marconi Perillo, o governador tem vantagem de 25 pontos percentuais. Leia os cenários abaixo:

Cenário 1

Cenário 2

A Quaest entrevistou 804 eleitores do Goiás de 23 a 26 de agosto. O levantamento tem margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos em um intervalo de confiança de 95%. O número de registro na Justiça Eleitoral é GO-06186/2026.

Senado

Há duas vagas em disputa para o Senado neste ano. Conforme a Quaest, Gracinha Caiado (União Brasil) lidera a corrida pela primeira delas, com 21% dos votos. Há outros quatro candidatos empatados tecnicamente na disputa pela segunda cadeira.

Leia abaixo o cenário completo:

Aprovação do Governo

A Quaest também perguntou aos eleitores sobre a avaliação do governo de Daniel Vilela. Leia abaixo:



Alô Valparaíso/* Com as informações do SBT News | Foto:  Divulgação/ Facebook @danielvilelaoficial e @marconiperillo