Canetas emagrecedoras: por que rosto e cabelo mudam rápido?

Entenda os efeitos na pele, nos fios e nas unhas e como prevenir danos estéticos sem abrir mão da saúde durante o processo de emagrecimento

O advento das medicações análogas ao GLP-1, popularmente conhecidas como canetas emagrecedoras, revolucionou o tratamento da obesidade e o manejo do sobrepeso no mundo. Ao promover saciedade precoce e desacelerar o esvaziamento gástrico, essas substâncias permitiram reduções ponderais outrora alcançadas quase exclusivamente por meio de intervenções cirúrgicas.

No entanto, o ritmo acelerado com que a perda de peso se estabelece impõe ao organismo uma transição metabólica drástica, que pode resultar em efeitos deletérios na pele, nos cabelos e nas unhas.

O que acontece com a pele e com o rosto

Na prática clínica dermatológica, observamos que o espelho frequentemente cobra o preço da rapidez da balança, demandando um olhar preventivo e terapêutico minucioso. O fenômeno mais visível e comentado é o “derretimento do rosto”. A face humana possui compartimentos de gordura superficiais e profundos (coxins gordurosos) que desempenham um papel crucial na sustentação, no relevo e na jovialidade.

Quando ocorre uma perda de gordura acentuada e abrupta, esses coxins são depletados e o resultado clínico é a acentuação dos sulcos faciais (bigode chinês, linhas de marionete), o aprofundamento das olheiras e a perda de definição do contorno facial. Somado a isso, a rápida perda de peso impede que a pele se retraia de forma proporcional, gerando flacidez cutânea.

Queda de cabelo e unhas fracas: sinais comuns

Além da pele, o cabelo é alvo de impacto importante. A queixa de queda capilar é um dos motivos que mais levam pacientes ao consultório poucos meses após o início da perda de peso. Esse quadro caracteriza o Eflúvio Telógeno Agudo, uma queda de cabelo transitória, porém intensa. O emagrecimento acentuado, a dieta restritiva e a introdução da nova medicação funcionam como estressores metabólicos, de modo que o organismo adota um mecanismo de sobrevivência, priorizando o aporte de energia e nutrientes para órgãos vitais. Consequentemente, o ciclo de vida dos folículos capilares é interrompido precocemente, forçando uma transição em massa dos fios da fase de crescimento (anágena) para a fase de queda (telógena).

Essa desordem metabólica atinge também o aparato ungueal. A restrição calórica severa, muitas vezes acompanhada por uma ingestão proteica abaixo das necessidades basais, pode resultar em unhas frágeis, quebradiças, com descamação em lâminas e lentidão no crescimento.

Como prevenir e tratar sem comprometer a saúde

A abordagem desses efeitos deve ser iniciada, idealmente, de forma concomitante ao tratamento com as canetas emagrecedoras, e não apenas após o estabelecimento dos danos. O pilar fundamental reside no suporte nutricional, na hidratação e na perda controlada de peso.

No que tange à rotina domiciliar de cuidados com a pele, o foco deve se voltar para a restauração da barreira cutânea e o estímulo à renovação celular. Pela manhã, recomenda-se o uso de hidratantes e antioxidantes, além do protetor solar, claro. À noite, a incorporação de retinoides pode atuar estimulando os fibroblastos a produzirem colágeno e elastina, atenuando a progressão da flacidez.

Em relação à perda volumétrica, as intervenções em consultório tornam-se mandatórias. Os bioestimuladores de colágeno injetáveis, como o ácido poli-L-lático e a hidroxiapatita de cálcio, são as ferramentas de escolha para melhorar a espessura dérmica e combater a flacidez da pele, tanto facial quanto corporal.

Para reestruturar os volumes perdidos nos compartimentos de gordura, o preenchimento estratégico com ácido hialurônico devolve o aspecto saudável sem causar artificialidade. Adicionalmente, tecnologias como o ultrassom microfocado e a radiofrequência monopolar agem promovendo um efeito de ancoragem muscular e retração tecidual de dentro para fora.

Em suma, o emagrecimento obtido por meio das canetas emagrecedoras representa um ganho inestimável para a saúde metabólica e a longevidade dos pacientes. Contudo, para que a conquista da balança se reflita em bem-estar global, o acompanhamento dermatológico deve ser integrado desde o princípio. Cuidar da pele, dos cabelos e das unhas ao longo do processo de emagrecimento garante que a perda de peso seja sinônimo de vitalidade, mantendo a jovialidade e a autoestima em perfeita harmonia com a saúde.

Lembre-se: visitar um bom médico dermatologista, que se preocupe, em primeiro lugar, com a sua saúde, continua sendo o procedimento mais valioso e sofisticado que você pode realizar pela sua vida.

** Ana Helena Gomes de Barros Murgolo é médica dermatologista e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia

 



Alô Valparaíso/* Com as informações do SBT News | Foto: Reprodução

Câncer de mama: Saúde diz que reduziu tempo de análise de biópsia de 15 para 4 dias

Ainda este ano, SUS oferecerá acesso a teste genético de alta precisão capaz de identificar mutações hereditárias

O Ministério da Saúde reduziu, em algumas unidades da federação, o tempo de análise de biópsias de câncer de mama de 15 para 4 dias. A informação foi dada em nota oficial da pasta.

O Ministério ainda acrescentou que deve começar a oferecer, ainda este ano, um teste genético de alta precisão capaz de identificar mutações hereditárias ligadas à doença, que identifica mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 e indica predisposição hereditária aumentada à doença. Após fazer esse teste, a atriz americana Angelina Jolie descobriu ser portadora da mutação no BRCA1 e fez uma mastectomia preventiva.

O posicionamento da pasta ocorre após a coluna divulgar os dados de que metade das mulheres espera mais de dois meses para iniciar o tratamento contra o câncer de mama depois de diagnosticadas. Em nota, o ministério garantiu que vem “ampliando as ações de enfrentamento ao câncer de mama no SUS”.

“Na etapa de diagnóstico, foram realizadas no ano passado 4 milhões de mamografias pelo SUS, com ampliação da faixa etária de quem pode fazer o exame para 40 a 74 anos. Segundo a pesquisa Vigitel de 2025, 92% das mulheres de 50 a 59 anos afirmaram ter realizado mamografia”, disse.

“Em 2025 e 2024, o Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica (Pronon) investiu R$ 26,16 milhões em equipamentos para realização de biópsias guiadas por imagem (mais precisas e menos dolorosas) e R$ 6,85 milhões na aquisição de mamógrafos. Com esses investimentos, o SUS passa a dispor de 3.305 mamógrafos, suficientes para a realização dos exames em todas as regiões. A pasta também criou, no ano passado, o Super Centro Brasil de Diagnóstico para o Câncer, com capacidade para realizar 400 mil exames anualmente”, detalhou.

Outras ações envolvem o Programa Agora Tem Especialistas, que com 93 Carretas de Saúde, conseguiram zerar as filas de exames de imagem, oncológicos e oftalmologia em 40 regiões de saúde. “No total, as carretas já realizaram mais de 787 mil procedimentos. O maior mutirão da história voltado a saúde da mulher registrou 230 mil atendimentos em um fim de semana, mobilizando mais de 200 hospitais públicos e filantrópicos”, explicou.

Na esteira de ações da pasta comandada por Alexandre Padilha, está também a oferta do medicamento trastuzumabe entansina, que pode reduzir em até 50% a mortalidade por câncer de mama (do tipo HER2 positivo).

“O Ministério da Saúde também regulamentou a Assistência Farmacêutica Oncológica, que vai viabilizar a oferta de 23 novas tecnologias para o tratamento do câncer, incluindo o abemaciclibe, indicado para alguns casos de câncer de mama. Os novos tratamentos contarão com investimentos federais de R$ 2,2 bilhões”, informou.

“Desde 2023, o SUS já comprou 155 novos aceleradores lineares (equipamentos utilizados nas sessões de radioterapia). Esses equipamentos permitiram a inauguração de novos centros de radioterapia em 12 unidades federativas. Das soluções previstas no Plano de Expansão da Radioterapia no SUS, 86 já estão em funcionamento. A previsão é que todas as soluções sejam concluídas até o fim de 2026”, explica.

 



Alô Valparaíso/* Com as informações da R7 | Foto: Leonardo Rattes/Saúde GovBA

Campanha Nacional de Multivacinação começa nesta segunda

Quem estiver com a caderneta incompleta pode aproveitar a mobilização

A Campanha Nacional de Multivacinação 2026 tem início nesta segunda-feira (3), em todo o Brasil. A mobilização segue até o dia 1º de setembro com o objetivo de aumentar a cobertura vacinal.

A vacinação é gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e está disponível em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS) e pontos de vacinação de todo o país. 

Quem está com o esquema vacinal incompleto pode aproveitar a campanha para tomar as doses.

A mobilização terá o ponto alto no Dia D nacional, realizado no sábado 22 de agosto em todo o país.

O Ministério da Saúde destaca que todas as vacinas oferecidas pelo SUS são seguras e eficazes. “A vacinação ajuda a reduzir a circulação de doenças e protege tanto quem recebe a vacina quanto as pessoas que não podem ser vacinadas por orientação médica”.

Entre as vacinas disponíveis estão: BCG (tuberculose); tríplice viral; poliomielite inativada; rotavírus; pneumocócica 10-valente (conjugada); meningocócica C (conjugada); meningocócica ACWY (conjugada); influenza; Covid-19; febre amarela; Papilomavírus Humano (HPV), varicela; DTP, hepatites B e A.

Sarampo 

Na última semana, o Ministério da Saúde ampliou a recomendação de vacinação contra o sarampo para conter a circulação do vírus, em três municípios de São Paulo: Guarulhos, São Bernardo do Campo e São Paulo. A estratégia foi definida após a identificação de casos da doença, que indicam uma cadeia de transmissão relacionada à importação do vírus nessas localidades.

Caderneta Digital da Criança

O Ministério da Saúde disponibiliza, pelo celular, a Caderneta Digital da Criança para que as famílias de todo o país possam acessar as informações sobre o histórico de vacinas, consultas e acompanhar a saúde da criança.

Pela Caderneta Digital, é possível monitorar se as vacinas estão em dia e receber alertas sobre a data de tomar uma nova dose. Lá também estão os marcos principais para acompanhar o desenvolvimento das crianças, como registros de peso, altura, perímetro cefálico e Índice de Massa Corporal (IMC).

A caderneta física, em papel, continua sendo distribuída nas UBS.

 



Alô Valparaíso/* Com as informações da Agência Brasil | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Caminhadas buscam conscientizar população sobre lipedema

Mobilização será feita em 26 cidades no domingo no Brasil e exterior

Uma em cada 10 mulheres no Brasil sofre com um acúmulo excessivo de gordura nas extremidades do corpo, resultando em um aumento desproporcional do tecido adiposo sobretudo nos braços e nas pernas. O quadro, comumente confundido com celulite, é chamado lipedema e incomoda além da estética, já que pode causar dores, inchaço, sensibilidade e limitações físicas.

Neste domingo (2), pacientes, familiares e profissionais de saúde participam de caminhadas agendadas em um total de 26 cidades no Brasil e no exterior com o objetivo de ampliar a conscientização e o diagnóstico precoce da condição.

Em entrevista à Agência Brasil, a cirurgiã vascular, angiologista e membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular Tatiana Losada detalhou que o lipedema é uma doença crônica do tecido adiposo, caracterizada pelo acúmulo exagerado de gordura, principalmente nas pernas, nos quadris e, em alguns casos, nos braços.

“Acomete quase exclusivamente mulheres e pode provocar dor, sensibilidade ao toque, sensação de peso, inchaço e facilidade para desenvolver hematomas”, disse, ao citar que a celulite, por sua vez, é uma alteração estética da superfície da pele, responsável pelo aspecto de casca de laranja e que, em geral, não provoca dor importante ou aumento desproporcional dos membros.

De acordo com a médica, no caso do lipedema, além das irregularidades na pele, costuma existir aumento simétrico e excessivo das pernas ou dos braços, dor ou sensibilidade ao toque, peso nas pernas, inchaço e hematomas frequentes. “É comum também haver preservação dos pés e das mãos, formando uma espécie de garrote na região dos tornozelos ou punhos”.

Tatiana destacou ainda que, apesar das diferenças entre ambas as condições, somente uma avaliação médica pode confirmar o diagnóstico.

“O diagnóstico é predominantemente clínico, realizado por meio da história da paciente e do exame físico. Não existe, atualmente, um exame laboratorial ou de imagem que confirme o lipedema. Exames como doppler podem ser solicitados para avaliar a circulação e afastar outras condições.”

Apesar de ser considerado uma condição crônica, o lipedema, segundo ela, pode ser tratado e controlado. O tratamento, individualizado, pode envolver alimentação equilibrada, controle do peso, exercícios físicos, sobretudo fortalecimento muscular, fisioterapia, terapia compressiva e acompanhamento multiprofissional.

“Em pacientes selecionadas, pode ser realizada cirurgia. O objetivo é reduzir dor e inchaço, preservar a mobilidade e melhorar a qualidade de vida”, explicou.

Brasília - 02/08/2026 - Caminhadas buscam conscientizar população sobre lipedema. Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil
Brasília – 02/08/2026 – Caminhadas buscam conscientizar população sobre lipedema. Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil

As causas do lipedema, de acordo com a médica, ainda não foram completamente esclarecidas, mas há forte associação a fatores genéticos e hormonais. Por esse motivo, é comum encontrar diversas mulheres de uma mesma família com características semelhantes, mesmo que nunca tenham recebido o diagnóstico.

“Os sintomas também podem surgir ou se intensificar em períodos de mudanças hormonais, como adolescência, gravidez e menopausa. Ganho de peso, sedentarismo e alterações metabólicas não são considerados causas diretas do lipedema, mas podem agravar os sintomas, a inflamação, a sobrecarga articular e as limitações de mobilidade.”

Tatiana ressaltou que, diante de sinais de um possível lipedema, o paciente deve procurar um médico com experiência no diagnóstico da doença e não atribuir o quadro apenas ao excesso de peso.

“Quanto mais cedo for realizada a avaliação, mais cedo será possível controlar os sintomas, proteger as articulações, preservar a mobilidade e evitar tratamentos desnecessários. O diagnóstico adequado também ajuda a reduzir a culpa que muitas mulheres carregam por acreditarem que o problema decorre somente da alimentação ou da falta de esforço para emagrecer”, concluiu.

 



Alô Valparaíso/* Com as informações da Agência Brasil | Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil