Alcolumbre tenta deixar marca positiva ao pautar fim da escala 6×1 no Senado

Redução de jornada de trabalho é positiva para 78% dos brasileiros e pode ser última grande aprovação do senador na presidência

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), pode ter a última grande “vitória” com a Casa sob o seu comando caso a PEC que acaba com a escala 6×1 e prevê redução da jornada de trabalho seja aprovada nos próximos dias.

O senador amapaense articulou com o governo para colocar em pauta no plenário a proposta de emenda à Constituição que ficou três meses parada na Casa. A votação em 1º turno está prevista para a próxima quarta-feira (14).

A justificativa para a demora foi justamente evitar contaminar as eleições. Mas a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está apostando no tema para vencer Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, marcado para 25 de outubro.

Além de deixar a sua marca na mudança para os trabalhadores, que é aprovada por 78% dos brasileiros, segundo pesquisa do Instituto Locomotiva, Alcolumbre tenta melhorar a sua imagem após desgaste político no Amapá, que se consolidou após a derrota de seu candidato ao governo, Clécio (União). Dr. Furlan (PSD) venceu no 1º turno com 62% dos votos.

Segundo levantamento do Atlas/Bloomberg de 23 de setembro, Davi Alcolumbre liderava índices de imagem negativa entre políticos, com 82% de rejeição e imagem positiva para apenas 3% dos entrevistados.

Essa é a segunda vez que Alcolumbre ocupa a cadeira da Presidência do Senado. Ele fica no cargo até fevereiro de 2027, quando completa dois anos na presidência. O senador pode tentar a reeleição para o posto.

No entanto, o cenário que se desenha aponta para uma mudança na chefia da Casa. Os nomes mais cotados são o líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN), e a senadora e ex-ministra da Agricultura no governo Jair Bolsonaro, Tereza Cristina (PP-MS).

A senadora já manifestou algumas vezes o desejo de se tornar a primeira mulher a presidir o Senado, mas ainda não confirmou a sua candidatura. A expectativa entre interlocutores é que a direita unifique um nome para o comando da Casa em 2027.

Outros destaques

Sob esta gestão do amapaense, o Senado aprovou, por exemplo, a proposta do governo federal de isentar o Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000 mensais, no fim de 2025.

A partir da declaração de 2027, quem recebe entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350 por mês também contará com uma redução gradual no imposto devido.

Na segurança pública, foi aprovado o PL Antifacção, também sugerido pelo Poder Executivo, conhecido como o marco legal de combate ao crime organizado. A norma prevê, entre outras medidas, punição de até 40 anos de reclusão para líderes e participantes de organizações criminosas ultraviolentas.

Outros projetos de destaque aprovados na atual gestão foram o ECA Digital, com regras de proteção de crianças na internet, e propostas de proteção a mulheres, como monitoramento eletrônico de agressores.

Alcolumbre ainda presidiu sessões sobre aumento da tributação das plataformas de apostas online de quota fixa, tarifa social de energia, que garante a gratuidade total da conta de luz para famílias de baixa renda, e a Lei Geral do Licenciamento Ambiental, que tramitou por duas décadas no Congresso Nacional.



Alô Valparaíso/* Com as informações do R7 | Foto: Carlos Moura/Agência Senado