Mais tempo de TV, estrutura e votos: por que alianças são cobiçadas nas eleições

Em contrapartida, chapa puro-sangue pode reduzir conflitos internos e exposição a crises políticas

Na corrida presidencial, o tempo de propaganda na televisão é uma das vantagens mais cobiçadas pelos candidatos na hora de formar coligações para as eleições.

Outros pontos positivos da “união de forças” são o fortalecimento da imagem, por demonstrar capacidade de articulação e construção de alianças políticas, e a maior capilaridade da campanha, como explica o advogado especialista em direito eleitoral Rodrigo Pedreira.

“[O candidato conta] com o apoio das lideranças, filiados, prefeitos, vereadores e candidatos proporcionais de todos os partidos integrantes da coligação, aumentando a presença territorial e a capacidade de mobilização de eleitores”, diz.

Além disso, aumenta a possibilidade de ampliar os recursos financeiros, tanto por meio da destinação de recursos do fundo eleitoral quanto do fundo partidário.

E os contras?

Em contrapartida, ao contar com o apoio de outras siglas, muitas vezes é preciso dividir o protagonismo político. “Exige concessões na formação da chapa, no programa de governo e na condução da campanha”, pontua Pedreira.

Além disso, o risco de crises também aumenta e existe possibilidade de conflitos internos entre os partidos, especialmente quando possuem orientações ideológicas ou interesses regionais distintos, o que não costuma acontecer com chapas puro-sangue. É o caso dos candidatos Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), que formaram chapas dentro de seus próprios partidos.

Fragmentação da direita

Nas eleições gerais de 2026, tem-se desenhado um cenário parecido com pleitos anteriores. No dia 4 de outubro, os eleitores terão diversas opções de candidatos com perfil alinhado à direita, descentralizando os votos, enquanto a esquerda aparece mais forte com o atual presidente Lula, que busca a reeleição.

Segundo o professor do Instituto de Ciência Política da UnB (Universidade de Brasília) Edvaldo Fernandes, a fragmentação da direita reflete uma descentralização partidária combinada à polarização personalista da política brasileira, com dois polos: o lulismo e o bolsonarismo.

Ele diz que em 2018 houve o pico da fragmentação partidária no Brasil, com treze candidatos à Presidência da República, número que foi superado nas eleições de 1989.

“À esquerda, a convergência entre Ciro Gomes, [Fernando] Haddad e outros nomes da esquerda talvez pudesse ter derrotado Jair Bolsonaro, mas não foi o que aconteceu”, lembra.

Em 2026, ele considera como maiores desafios a fragilidade partidária e as divergências internas nas legendas. “Ainda tem a falta de concatenação entre os programas dos partidos do centro e da direita com certos pontos da agenda de setores bolsonaristas”, analisa Fernandes.

Mesmo assim, o cientista político avalia que, em um eventual segundo turno, a tendência é de que as forças políticas menores – que tentam se organizar em candidaturas alternativas – se aglutinem em torno de Flávio Bolsonaro, já que não há tanta pressão dos interesses regionais, o que pode alavancar a vitória da direita.

Outros critérios

Nem só as coligações servem de base para o cálculo das propagandas nas eleições. No caso da televisão e do rádio, a Justiça Eleitoral leva em conta os tamanhos das bancadas na Câmara dos Deputados.

De acordo com o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), 90% do tempo é distribuído proporcionalmente ao número de deputados federais eleitos em 2022. Os 10% restantes são divididos igualmente entre os partidos que superaram a cláusula de desempenho.

Tempo de televisão em 2026

Por contabilizar federações e coligações, o tempo de cada candidato à Presidência será calculado após 15 de agosto, prazo para registro formal das candidaturas junto à Justiça Eleitoral.



Alô Valparaíso/* Com as informações do R7 | Foto: Ricardo Stuckert/PR – Vittor Sales/Flickr @flaviobolsonaro e Gabriel Pinheiro/CNI

Militar perde posto e patente após transmitir o HIV de forma intencional

STM acata pedido do Ministério Público contra 2º tenente condenado na Justiça do Maranhão por enganar ex-companheiras sobre a saúde

Um tenente aposentado do Exército perdeu o posto e a patente por decisão do STM (Superior Tribunal Militar) após ser condenado pela Justiça do Maranhão a quase seis anos de reclusão por lesão corporal gravíssima e ameaça. A pena foi aplicada por ele ter transmitido intencionalmente o HIV a duas ex-companheiras. Na última quarta-feira (5), a Corte acolheu representação do MPM (Ministério Público Militar) e declarou o oficial ‘indigno para o oficialato’.

De acordo com o órgão, o 2º tenente sabia que portava o vírus desde 2003, mas escondeu a condição e enganou duas ex-companheiras, entre 2012 e 2013, dizendo que seus exames de saúde estavam normais.

Para o MPM, a conduta do oficial violou os princípios éticos e morais das Forças Armadas, já que o militar usou o próprio cargo no Exército para transmitir confiança às mulheres.

A defesa argumentou que a punição é desproporcional, uma vez que os fatos ocorreram no âmbito da vida privada do militar. Os advogados destacaram ainda que o homem foi aposentado por invalidez e sofre de sequelas neurológicas permanentes, dependendo de cuidados especializados.

No julgamento, contudo, prevaleceu o entendimento de que a conduta é incompatível com a permanência no Exército.



Alô Valparaíso/* Com as informações do R7 | Foto: Joédson Alves|Agência Brasil

Moraes nega autorização para que Bolsonaro receba visita dos filhos

Defesa citou caráter “humanitário e familiar” para solicitar que o ex-presidente pudesse receber Flávio, Carlos e Jair Renan na casa dele, em Brasília

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou pedido de autorização para que o ex-presidente Jair Bolsonaro receba a visita dos filhos no domingo (09), quando será comemorado o Dia dos Pais. A decisão do magistrado foi proferida neste sábado (08) e rejeitou uma solicitação feita pela defesa do político.

No despacho, Moraes destaca que todas as visitas a Jair Bolsonaro, com exceção da equipe médica e dos advogados, estão suspensas por 30 dias. Bolsonaro receberia a visita dos filhos Flávio Bolsonaro, Carlos Bolsonaro e Jair Renan, já que Eduardo Bolsonaro está nos Estados Unidos e não pretende retornar ao Brasil.

Os advogados solicitaram a visita dos filhos com base em finalidade “humanitária e familiar”. No entanto, Moraes afirmou que houve violação de medida cautelar com a divulgação, por Flávio, pré-candidato à Presidência, de uma carta escrita por Jair.

O ex-presidente está preso após ser condenado a 27 anos e seis meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.

Leia também



Alô Valparaíso/* Com as informações do Correio Braziliense | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Da campanha à posse, veja o calendário completo para as eleições 2026

TSE organiza cronograma desde as convenções até a posse dos eleitos, marcado por uma mudança inédita de data

O calendário das Eleições 2026 já está em curso desde julho, quando aconteceram as convenções partidárias, etapa em que os partidos escolhem oficialmente seus candidatos e fecham as coligações.

Daqui até a posse dos últimos eleitos, em fevereiro, todas as fases devem seguir à risca um cronograma previamente estipulado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), sob pena de multas e até impugnação das candidaturas.

Da candidatura ao primeiro turno

O registro das candidaturas na Justiça Eleitoral tem prazo até 15 de agosto. A partir do dia seguinte começa oficialmente a campanha, incluindo a propaganda na internet. Antes dessa data, pedir voto abertamente é considerado propaganda antecipada e pode gerar multa.

O horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão só entra no ar depois, entre 28 de agosto e 1º de outubro, de segunda a sábado. A grade varia por cargo:

Fora desses blocos, ainda há as inserções de 30 e 60 segundos, espalhadas pela programação entre 5h e meia-noite, somando 70 minutos diários por emissora.

A votação do primeiro turno acontece em 4 de outubro, das 8h às 17h. Nesta eleição, os brasileiros escolhem presidente, governador, senador e deputados federais, estaduais e distritais, todos na mesma urna.

O que muda se houver segundo turno

Para vencer no primeiro turno, presidente e governador precisam da maioria dos votos válidos, sem contar os brancos e nulos. Se nenhum candidato atingir essa marca em 4 de outubro, os dois mais votados disputam o segundo turno, em 25 de outubro.

Nesse intervalo, a propaganda eleitoral gratuita volta ao ar entre 9 e 23 de outubro, mas com uma regra diferente: os dois concorrentes remanescentes passam a ter exatamente o mesmo tempo de propaganda.

Diplomação e posse

Encerrada a votação, a Justiça Eleitoral tem até 18 de dezembro de 2026 para diplomar os eleitos, ato que confirma oficialmente o resultado das urnas.

A posse, porém, não é no mesmo dia para todo mundo. Presidente e vice-presidente assumem em 5 de janeiro de 2027, data inédita que rompe com a tradição de posses em 1º de janeiro, seguida desde a Constituição de 1988.

Governadores e vice-governadores assumem um dia depois, em 6 de janeiro. Já senadores e deputados só tomam posse em 1º de fevereiro de 2027.

A mudança nas datas do Executivo foi definida por uma emenda constitucional aprovada em 2021, em parte para facilitar a presença de representantes de outros países nas cerimônias — já que o dia 1º de janeiro costuma ser concorrido no calendário diplomático internacional.

Mais de 158 milhões de eleitores estão aptos a votar em 2026, segundo o cadastro fechado pelo TSE em maio, prazo final para quem precisava tirar o primeiro título, transferir domicílio ou atualizar dados cadastrais.



Alô Valparaíso/* Com as informações do R7 | Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil