Dinheiro esquecido: veja como consultar valores no BC

Maioria dos contemplados tem entre R$ 10 e R$ 100 disponíveis para resgate

Milhões de brasileiros ainda possuem saques no Sistema Valores a Receber (SVR), do Banco Central. Segundo o balanço mais recente da instituição, cerca de R$ 6,2 bilhões seguem disponíveis para resgate, sendo R$ 4,4 bilhões para pessoas físicas e R$ 1,8 bilhões, para empresas.

Apesar do valor bilionário acumulado, a maior parte dos beneficiários (67,56%) tem pequenas quantias disponíveis, na faixa de R$ 10. Já os valores entre R$ 10,01 e R$ 100 correspondem a cerca de 19,49% dos correntistas, enquanto somente 2% dos contemplados têm direito a receber mais de R$ 1 mil.

Segundo o Banco Central, os valores esquecidos estão, sobretudo, em Consórcios, que concentram R$ 2,91 bilhões (46,5%). Os bancos aparecem em seguida, com R$ 2,25 bilhões (36,1%).

Também há R$ 586,7 milhões esquecidos em cooperativas, R$ 311,5 milhões em instituições de pagamento, R$ 106,3 milhões em financeiras e R$ 71 milhões em corretoras e distribuidoras. Outras instituições, por sua vez, reúnem cerca de R$ 8,8 milhões.

Veja como realizar a consulta no sistema Valores a Receber:

Pedido automático

Desde maio do ano passado, o Banco Central disponibiliza a solicitação automática de resgate de valores para pessoas físicas. Com a funcionalidade habilitada, não é preciso consultar o sistema periodicamente, nem registrar manualmente a solicitação de cada valor que existe. Para fazer a adesão, é preciso:

Não caia em golpes

Em meio aos resgates no sistema, o Banco Central alerta para tentativas de golpes. Segundo a agência, os consumidores devem ignorar mensagens recebidas pelo WhatsApp e, principalmente, evitar clicar em links enviados por números desconhecidos. Confira outros cuidados:



Alô Valparaíso/* Com as informações do SBT News | Foto: Divulgação/Governo

Autismo em adultos: por que os diagnósticos estão aumentando

Avanço no conhecimento sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) permite identificar casos antes subdiagnosticados

Durante muitos anos, o autismo foi associado principalmente à infância e a manifestações mais evidentes. Com o avanço da neurociência e da compreensão sobre o desenvolvimento cerebral, esse cenário mudou. Atualmente, um número crescente de adultos recebe o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA), não necessariamente porque existem mais pessoas autistas, mas porque a ciência passou a reconhecer apresentações que antes eram pouco identificadas.

Segundo a neurologista Ana Carolina Andorinho, membro da Academia Brasileira de Neurologia (ABN), o conhecimento sobre o transtorno evoluiu e permitiu uma compreensão mais ampla do espectro. Ela explica que características mais sutis podem ter passado despercebidas durante a infância, especialmente em pessoas que desenvolveram estratégias de adaptação ao longo da vida.

“Podemos supor que o conhecimento sobre o TEA parece ter crescido e, além disso, a condição se tornou menos subdiagnosticada”, afirma.

O TEA é uma condição do neurodesenvolvimento que acompanha a pessoa desde os primeiros anos de vida e pode envolver diferenças na comunicação, na interação social, na flexibilidade cognitiva e no processamento dos estímulos do ambiente. Em adultos, sinais como dificuldades persistentes em situações sociais, necessidade de rotinas rígidas ou desafios na regulação emocional podem ter sido interpretados durante anos como características de personalidade.

A avaliação de um adulto com suspeita de TEA considera principalmente a história de vida, desde a infância, além do impacto das características no funcionamento diário, nas relações pessoais e no ambiente profissional. A investigação deve ser feita por um profissional capacitado, levando em conta também a possibilidade de outras condições associadas, como o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) ou outros quadros neuropsiquiátricos.

Para a neurologista, o diagnóstico exige uma análise cuidadosa e não deve ser baseado apenas em comportamentos isolados. “Porém, mais do que considerar aspectos particulares no modo de agir, devemos olhar a competência nos múltiplos domínios e o impacto dos achados na funcionalidade e na independência do paciente, haja vista que alguns traços do espectro autista podem ser encontrados em outras condições psiquiátricas ou até mesmo em determinadas personalidades.”

Ela acrescenta que receber o diagnóstico na vida adulta pode representar uma nova compreensão sobre a própria trajetória, permitindo permitir que o paciente tenha acesso a suporte adequado.



Alô Valparaíso/* Com as informações do SBT News | Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Mesários têm papel fundamental na garantia do processo eleitoral

Eles são responsáveis pelo fluxo e transparência nas seções

A atuação de mesários durante a votação é considerada fundamental para o sucesso das eleições e para a garantia da transparência do processo eleitoral. Cabe a eles a responsabilidade pela condução dos trabalhos nas seções eleitorais, desde a abertura até o encerramento da votação, assegurando que o voto seja exercido de forma organizada, segura e regular.

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os mesários continuarão, nas eleições de 2026, a desempenhar funções essenciais nas mesas receptoras de votos (MRVs), estruturas encarregadas de receber os eleitores e viabilizar a votação por meio da urna eletrônica.

De acordo com o TSE, as mesas são formadas por cidadãos sem vínculo com a Justiça Eleitoral. Eles atuam como agentes públicos convocados para colaborar diretamente com o processo democrático.

Mesária voluntária

Com a experiência de mesária em três eleições, a bancária Carolina Carfero, 45, diz que a motivação inicial para trabalhar como mesária foi a curiosidade.

“Eu queria saber como era. E queria participar do processo eleitoral por dentro”, disse. Desde então, ela passou a prestar o serviço à Justiça Eleitoral de forma voluntária e acabou pegando gosto pela coisa. “Nas duas primeiras, eu fui apenas mesária mesmo. Na eleição passada, fui presidente de mesa, o que significa ter mais responsabilidades na seção de votação.”

“Gosto de participar do processo eleitoral. É bastante cansativo, mas também é muito bom.”

Carolina lembra que, como presidente de mesa, tem de ir ao local de votação um dia antes, para arrumar a sala. “Mesmo assim, eu gosto, já que este é um dia que precisa ser reservado para votação. Não vejo problema em reservá-lo também para participar do processo.”

Folga

A mesária destaca que o serviço prestado nos dias de eleições dá direito a folgas. “Cada dia trabalhado na eleição me dá direito a dois dias de folga. O Banco do Brasil, onde trabalho, é muito correto com relação a garantir meu direito”.

Em geral, segundo Carolina, a equipe das seções sempre é formada pelas mesmas pessoas. “Por sorte, nunca tivemos problemas durante a prestação do serviço. Nem com as urnas eletrônicas, que sempre funcionaram direitinho, nem com as pessoas da seção, que são muito tranquilas.”

Como funciona

Segundo o tribunal, cada mesa receptora conta com presidente, mesários e secretários responsáveis pela condução dos trabalhos da seção eleitoral.

O presidente é a maior autoridade da seção e tem a responsabilidade de manter a ordem no local, podendo solicitar apoio da força pública quando necessário.

Os primeiro e segundo mesários auxiliam o presidente e o substituem em eventuais ausências. Já o secretário registra as ocorrências do dia na ata da seção eleitoral.

Entre as atribuições dos mesários estão:

Os integrantes da mesa receptora devem garantir que os procedimentos sigam as normas da Justiça Eleitoral.

Segundo a assessora-chefe de Gestão Eleitoral do TSE, Sandra Damiani, mais do que acompanhar as atividades, os mesários agem para viabilizá-las.

“O olhar das cidadãs e dos cidadãos sobre a engrenagem da votação garante a transparência e a universalidade do ato de votar”, disse Damiani.

O TSE destaca que todos os mesários convocados recebem treinamento específico antes das eleições. A capacitação pode ocorrer presencialmente ou por meio do ambiente virtual de aprendizagem da Justiça Eleitoral.

Mesmo quem já atuou em eleições anteriores deve fazer novo treinamento a cada ano eleitoral, para atualização das orientações e procedimentos.

Como ser mesário voluntário nas Eleições 2026

Quem pode participar

Quem não pode participar

Como se inscrever

Após a inscrição, o cartório eleitoral analisa a disponibilidade de vagas e verifica se o eleitor atende aos requisitos legais. Havendo necessidade e inexistindo impedimentos, a pessoa poderá ser convocada para atuar nas eleições.

Benefícios

Quem atua como mesário tem direito a:

A Justiça Eleitoral disponibiliza orientações e cadastro por meio da página oficial de mesários: Mesárias e Mesários – Justiça Eleitoral.



Alô Valparaíso/* Com as informações da Agência Brasil | Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Cesárea aumenta risco de câncer de placenta após mola gestacional

Pesquisadores da UFRJ mostraram correlação em estudo

Pessoas que passaram por cesariana têm 45% mais risco de desenvolver neoplasia trofoblástica gestacional, um tipo raro de câncer que surge a partir de células da placenta e cresce no útero. A conclusão é de um estudo liderado por pesquisadores da Maternidade Escola da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). 

A neoplasia trofoblástica é a consequência mais grave da doença trofoblástica, mais conhecida como mola gestacional. Ela ocorre quando a fertilização anormal entre óvulos e espermatozóides dá origem a uma estrutura placentária anômala, algumas vezes sem feto (mola completa), outras com um feto inviável (mola parcial). 

Em até 20% dos casos, células da mola gestacional se alojam no útero e evoluem para o câncer de placenta. No Brasil, a incidência de doença trofoblástica é de um caso a cada 200 a 400 gestantes, com cerca de 2,9 mil registros de neoplasia por ano. 

Já se sabia que o risco de neoplasia é maior nos casos de mola completa, em pacientes com mais de 40 anos, em mulheres com níveis muito elevados do hormônio HCG ou que já tenham vivido episódios anteriores de mola completa e cistos nos ovários. 

Referência internacional

A idéia de investigar a relação entre as cesáreas e o câncer de placenta surgiu após a publicação de um estudo semelhante feito na Coreia do Sul, mas com poucas pacientes, como explica a líder da pesquisa brasileira, Gabriela Paiva. 

A Maternidade Escola da UFRJ, ligada à rede HU Brasil e ao Sistema Único de Saúde, abriga o Ambulatório de Doença Trofoblástica Gestacional, terceiro maior centro de pesquisa e atendimento de mola do mundo. Toda semana, cerca de 80 pacientes com mola são atendidas na unidade.  

“Com a quantidade de pacientes que a gente tem aqui, a gente pensou que poderia fazer essa avaliação trazendo um resultado muito mais preciso. Considerando também a grande quantidade de cesarianas que é feita no Brasil”, complementa Gabriela, que também atua como médica no ambulatório

Rio de Janeiro (RJ), 26/05/2026 – A médica obstetra do ambulatório e maternidade da Maternidade Escola UFRJ, Gabriela Paiva posa para foto na instituição, na zona sul do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
A médica obstetra do ambulatório e maternidade da Maternidade Escola UFRJ Gabriela Paiva liderou o estudo sobre câncer de placenta e cesárea. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

A pesquisa foi feita em parceria com o Centro de Doença Trofoblástica da Nova Inglaterra, ligado à Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Foram analisados dados de 2.904 pacientes atendidas lá e no hospital da UFRJ, entre 2002 e 2022, sendo 83,9% sem histórico de cesárea e 468 com ao menos uma cirurgia do tipo. 

Entre as mulheres que já tinha sido submetidas à cesariana, 26,5% desenvolveram o câncer, contra 20,8% daquelas que não tinham esse histórico. Todos os outros fatores que pudessem contribuir para esse resultado foram controlados, mostrando que a cirurgia prévia aumenta o risco de forma independente. 

A principal hipótese dos pesquisadores é que o corte do útero, feito durante a cesariana, desregule o sistema imunológico da mulher, além de obrigar o remodelamento dos vasos sanguíneos e causar fibrose. 

“A cicatriz da cesárea é uma área frágil dentro do útero. Então, é como se fosse uma porta de entrada para a mola, que acaba tendo mais poder de invasão para entrar no útero e levar ao câncer”, complementa Gabriela Paiva, que realizou a pesquisa durante o seu doutorado. 

Contexto brasileiro

O coordenador do ambulatório e orientador do trabalho, Antônio Braga, destaca a importância desse achado no contexto do Brasil, que lidera as taxas mundiais de cesárea. Enquanto a Organização Mundial da Saúde preconiza que 15% dos nascimentos devem ocorrer por via cirúrgica, essa proporção chega a 55% no país

“Esse é um tema que merece ser tratado como mais um risco agregado para as mulheres submetidas a cesarianas. Cesariana é uma cirurgia salvadora de vidas, muito importante para garantir a segurança da mãe e do bebê, mas ela deve ser feita de forma consciente”, acrescenta. 

“A neoplasia trofoblástica gestacional pós-molar também deve ser considerada uma possível consequência de longo prazo do parto cesáreo prévio”, ao lado de outros desfechos adversos já conhecidos, como “risco de ruptura uterina, do espectro da placenta acreta, de parto prematuro e de outras complicações”, defendem os autores. 

Rio de Janeiro (RJ), 26/05/2026 – O médico, professor de obstetrícia e responsável pelo laboratório de doenças trofoblástica gestacional da Maternidade Escola da UFRJ, Antônio Braga posa para foto na instituição, na zona sul do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
O médico, professor de obstetrícia e responsável pelo laboratório de doenças trofoblástica gestacional da Maternidade Escola da UFRJ, Antônio Braga Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

O estudo estima ainda que uma redução de 20 pontos percentuais na taxa de cesarianas do país, chegando a 35%, poderia evitar aproximadamente 177 casos de câncer por ano, uma redução de 6,1% na incidência anual estimada da doença.

Apesar da força da correlação, os pesquisadores não recomendam que as mulheres com histórico de cesariana passem por um tratamento mais agressivo caso desenvolvam a neoplasia. A principal recomendação é que elas sejam acompanhadas com maior vigilância desde o diagnóstico da mola.  

Atualmente, a conduta nos casos de câncer envolve o esvaziamento do útero por aspiração, sessões de quimioterapia, e o monitoramento do hormônio HCG, produzido durante a gravidez e também nos casos de mola. A histerectomia, ciurgia de retirada do útero, só é recomendada em casos específicos. 



Alô Valparaíso/* Com as informações da Agência Brasil | Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil