‘NYT’ repercute caso Moraes-Vorcaro e indica possível impacto nas eleições brasileiras

Reportagem destaca crise após revelações sobre mensagens entre Moraes e Vorcaro e pagamentos ao escritório da esposa do ministro

O jornal The New York Times publicou nesta quinta-feira (24) um artigo repercutindo as relações descobertas pela Polícia Federal sobre o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e os efeitos para as instituições e eleições brasileiras.

O texto descreve as ações que fizeram Moraes ser considerado “herói” para uns e “vilão” para outros: a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro e de aliados por golpe de Estado, a punição de manifestantes que alegaram fraude eleitoral e a remoção de postagem com alegações infundadas sobre fraude no pleito.

O jornal considera a atuação do STF, como um todo, e a conduta de Moraes, em especial na eleição de 2024, como importantes para repelir ameaças à democracia e garantir a integridade da votação e uma transição pacífica de poder.

Entretanto, afirma que a atual crise do STF, deflagrada após a revelação de troca de mensagens entre Moraes e Daniel Vorcaro, além de pagamentos feitos pelo banqueiro ao escritório de advocacia da mulher de Moraes, pode enfraquecer a Corte.

O texto diz ainda que as revelações provocaram questionamentos sobre a integridade e saúde da instituição, alimentando pedidos de impeachment e investigações de ministros do Supremo.

Eleições

O jornal americano também expressa preocupação de que a Corte e as autoridades eleitorais não possam reagir à “interferência eleitoral dos Estados Unidos, à desinformação impulsionada por inteligência artificial ou a uma votação contestada caso Bolsonaro perca”, aponta o artigo a partir da avaliação de especialistas.

A crise, o jornal defende, tem se aprofundado ainda mais com a descoberta de ligações de Vorcaro com outros ministros da Corte, entre eles Kassio Nunes Marques, que está no comando do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Além disso, a publicação afirma que a atual crise abastece a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência. O NYT destaca que o candidato tem se aproveitado de uma associação entre Moraes e o candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como discurso político. Para isso, recuperam uma fala do filho de Jair Bolsonaro dita recentemente: “votar em Lula é votar em Alexandre de Moraes.”

Para o jornal, a crise do Judiciário traz mais uma vantagem para os bolsonaristas. “Ela eclipsou as revelações de que ele próprio [Flávio Bolsonaro] está sendo investigado pelas autoridades por ter recebido milhões de dólares de Vorcaro para financiar uma cinebiografia sobre seu pai.”

Às vésperas da eleição, que ocorrerá no próximo dia 4, o jornal questiona se a Corte pode ser chamada a arbitrar em prol da democracia e da lisura do processo eleitoral e se terá condições para tal.



Alô Valparaíso/* Com as informações do R7 | Foto: Rosinei Coutinho/STF e Banco Master/Divulgação

Flávio endossa fim das bets, mas culpa Lula por “Tigrinho”

Em entrevista, o candidato afirmou ser contra as bets e acusou o governo Lula de não combater sites ilegais de apostas

Após o governo Luiz Inácio Lula da Silva anunciar que vai proibir as “bets”, como são chamados os sites de apostas esportivas online, o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), endossou a medida e disse que sempre foi “contra as bets” e os “jogos” no país. Ainda assim, como forma de se diferenciar do concorrente petista, Flávio acrescentou que a verdadeira “epidemia” estaria no “Jogo do Tigrinho”, como é popularmente conhecido um tipo de cassino online. Na avaliação dele, Lula seria o culpado pela disseminação dessa modalidade.

“Eu sempre fui contra as bets. Sou contra os jogos”, afirmou Flávio, ao fazer uma distinção entre as apostas esportivas e os cassinos on-line. “Tem que fazer essa distinção muito clara, porque uma coisa é você permitir, como já é permitido no Brasil há décadas, que brasileiros, por livre e espontânea vontade, possam apostar nos jogos que são reais, no jogo de futebol, e mesmo assim tem questionamentos. Sou contra, mas é o que está em vigor”, emendou..

Flávio falou sobre o assunto durante coletiva de imprensa no Rio de Janeiro, onde participou de uma cerimônia de formatura da Polícia Militar. Em seguida, o candidato do PL chamou o adversário de “pai do Tigrinho”. Na avaliação do candidato, a expansão dos jogos de cassino pela internet contribuiu para o aumento do endividamento de famílias e da dependência em apostas.

“O Lula é o pai do Tigrinho e contribuiu para que chegasse nessa catástrofe, que é essa epidemia, essa grande doença que se generalizou pelo Brasil e que são os viciados em jogos”, declarou.

Flávio também criticou a fiscalização das plataformas. Segundo ele, parte dos sites que oferecem jogos de cassino on-line opera de forma ilegal e não é retirada do ar pelo governo.

“Grande parte desses sites que oferecem esse tipo de vício são ilegais e o Lula não faz absolutamente nada para coibir. Não faz porque não quer”, afirmou.

Flávio também afirmou que pretende endurecer a fiscalização sobre plataformas de apostas que operam de forma irregular.



Alô Valparaíso/* Com as informações do SBT News | Foto: Charles Vieira/Campanha Flávio Bolsonaro/Flickr

Lula proíbe bets e cria cronograma para resgate de valores apostados

Medida é adotada a uma semana do primeiro turno; apostadores poderão solicitar dinheiro até 5 de outubro

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta sexta-feira (25) a proibição das apostas on-line a partir da publicação de uma medida provisória, o que deve acontecer ainda nesta sexta.

Além disso, Lula criou um cronograma para que os apostadores recuperem os valores aplicados nas plataformas. Os prazos ficaram assim:

O pacote anunciado pelo governo também prevê o envio ao Congresso de um projeto de lei para criminalizar a exploração das apostas. Pela minuta preparada pelo Executivo, quem explorar ou operar bets poderá ser condenado a uma pena de quatro a seis anos de prisão, além de multa.

O projeto funcionará como complemento à medida provisória. Enquanto a MP interrompe a atividade das plataformas, o PL cria crimes específicos para punir quem continuar explorando, divulgando ou facilitando financeiramente apostas depois da proibição.

Por que o governo decidiu proibir

Ao anunciar a medida, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo tomou a decisão após analisar os dados do setor e concluir que as apostas passaram a representar um problema para a renda das famílias e para a saúde pública.

Durigan lembrou que as apostas foram autorizadas por lei em 2018, durante o governo Michel Temer. Segundo ele, a legislação estabeleceu inicialmente um prazo de dois anos para a regulamentação da atividade, posteriormente prorrogado, mas as regras não foram implementadas durante o governo Jair Bolsonaro.

“A partir daquele momento, você tem a autorização legal para as empresas operarem no país. Foi dado um prazo de dois anos, 2019 e 2020, para que houvesse a regulamentação no país. Não foi feito. Nenhuma regra foi estabelecida. O Congresso deu mais dois anos, portanto 2021 e 2022, para que houvesse a regulamentação. Mais uma vez, nada foi feito”, afirmou.

A regulamentação avançou a partir de 2023, quando o governo Lula encaminhou mudanças ao Congresso e foram aprovadas novas regras para o setor.

Segundo Durigan, a regulamentação permitiu ao poder público reunir informações mais detalhadas sobre o funcionamento das plataformas e os efeitos das apostas sobre a população. O ministro afirmou que, desde então, mais de 70 mil sites foram retirados do ar em ações realizadas em parceria com a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações).

Com acesso aos dados do setor, o governo também passou a identificar apostadores em situação de vulnerabilidade e a desenvolver ações na área da saúde.

“Nós estamos com um problema de saúde pública por causa das bets. É um problema grave”, disse.

Durigan citou casos de famílias afetadas pelo vício em apostas e afirmou que o governo recebeu relatos envolvendo suicídios.

“Tem um caso que é muito grave, que nos entristece muito. Temos várias famílias com esse problema, que são casos de suicídio”, declarou.

Segundo o ministro, a decisão de proibir as plataformas foi tomada depois de o Executivo avaliar os efeitos sociais e econômicos da atividade.

Publicidade também pode virar crime

Além da operação das plataformas, o projeto preparado pelo governo prevê pena de dois a quatro anos de prisão para quem fizer publicidade ou ações de marketing destinadas a incentivar apostas ou divulgar as marcas e os canais utilizados para a atividade.

A punição também poderá alcançar quem indicar apostadores, assim como quem patrocinar publicidade de bets.

A pena será aumentada pela metade quando a captação ocorrer mediante participação nos valores apostados ou nas perdas dos jogadores.

A proposta abre uma exceção expressa para conteúdos jornalísticos, informativos, educativos, acadêmicos, científicos ou críticos sobre apostas, que não serão considerados crime.



Alô Valparaíso/* Com as informações da Agência Brasil | Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Inmet emite alerta de grande perigo por onda de calor no fim de semana

Até quarta-feira (30), oito estados podem registrar mais de 40ºC

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu um alerta vermelho, que caracteriza grande perigo, para uma onda de calor que deve se estabelecer no país a partir deste sábado (26). A previsão é que, até a próxima quarta-feira (30), oito estados possam registrar mais de 40 graus Celsius (ºC).

O instituto explica que uma onda de calor é a persistência, no mínimo por cinco dias consecutivos, de termômetros ao menos 5ºC acima da média histórica das temperaturas máximas em um período.

Isso significa que, se uma região registra até 30ºC historicamente nesta época, é considerada onda de calor a repetição de 35ºC por ao menos cinco dias. Mas, se uma região já costuma registrar máximas de 38ºC, não há alerta de onda de calor mesmo se as temperaturas chegarem a 40ºC. Mesmo assim, as altas temperaturas exigem cuidados da população e das autoridades.

Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná estão abrangidos pelo alerta em toda a sua extensão. Já Minas Gerais, Rio de Janeiro e Mato Grosso devem registrar o fenômeno na porção mais ao sul de seus territórios, incluindo Cuiabá e a capital fluminense.

Mesmo que os critérios técnicos para definir uma onda de calor não sejam atingidos em unidades da Federação como Tocantins, Distrito Federal, Bahia e Espírito Santo, o Inmet alerta que também haverá altas temperaturas.

40 graus

A partir deste fim de semana, os termômetros podem marcar mais de 40ºC, o que já ocorre desde quinta-feira (24) em 16 localidades monitoradas pelo Inmet no Piauí, Tocantins, Goiás e Mato Grosso.

No sábado (26), essa marca deve ser atingida principalmente em áreas do Pantanal de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, com destaque para Corumbá (MS), Porto Murtinho (MS) e Poconé (MT).

No domingo (27), mais áreas estarão sob esse calor intenso, que alcançará Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, além do noroeste de São Paulo, Triângulo Mineiro, sul do Tocantins e Piauí.

O fenômeno continuará a ganhar força na segunda-feira (28), e as localidades com possibilidade de superar 40°C incluem Cuiabá (MT), Rondonópolis (MT), Corumbá (MS), Porto Murtinho (MS), Três Lagoas (MS), Água Boa (MT), Barra do Garças (MT), Goiás (GO), Quirinópolis (GO), Ituiutaba (MG), Jales (SP), Gurupi (TO) e Araguaçu (TO).

Segundo o Inmet, na terça-feira (29), o núcleo das maiores temperaturas permanece sobre Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, São Paulo e Triângulo Mineiro, com possibilidade de valores superiores a 40°C em diversas localidades.

Na quarta, uma frente fria deve chegar ao Sul do país, reduzindo as temperaturas na região e em Mato Grosso do Sul. O calor deve se concentrar em áreas de Mato Grosso, Pará, Goiás, Tocantins, São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Piauí.



Alô Valparaíso/* Com as informações da Agência Brasil | Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil