Vale a pena trabalhar por aplicativo? Estudo mostra impactos da jornada, custos e direitos

Apesar da renda mensal próxima à média, ganhos são menores quando se leva em conta a jornada e as despesas da atividade.

O motorista de aplicativo pode até olhar o valor depositado na conta no fim do mês e achar que ganhou mais do que outros trabalhadores. Mas, quando o cálculo considera o tempo dedicado ao trabalho, o cenário é outro.

Um estudo do Tribunal Superior do Trabalho (TST) mostra que a renda desses profissionais é pressionada por jornadas mais longas, custos elevados para manter a atividade e um modelo em que grande parte dos riscos recai sobre o próprio motorista.

Segundo a pesquisa, o ganho médio mensal dos motoristas de aplicativo chega a R$ 2.996. O valor fica acima do salário mínimo federal, que atualmente é de R$ 1.621, mas ainda abaixo da renda média dos brasileiros considerando todas as fontes de rendimento, que alcançou R$ 3.367 em 2025.

Enquanto a jornada média dos trabalhadores em geral é de 39,3 horas por semana, motoristas de aplicativo trabalham cerca de 44,8 horas. Com isso, o rendimento por hora fica 8,3% menor do que o de quem atua fora das plataformas.

O levantamento faz parte de um diagnóstico mais amplo sobre o trabalho por aplicativos no Brasil, especialmente no transporte de passageiros, que concentra a maior parcela desses profissionais.

Atualmente, cerca de 1,7 milhão de pessoas trabalham por plataformas digitais no país. Quase 60% delas atuam no transporte de passageiros.

A ideia de que esse modelo garante liberdade e flexibilidade, um dos principais argumentos das empresas, é questionada pelo estudo. Na prática, esses trabalhadores têm pouca influência sobre decisões relevantes da atividade, aponta o TST.

O estudo aponta que o controle não desapareceu, apenas mudou de forma. Em vez de um chefe supervisionando de perto, entram em cena sistemas de avaliação, notas e rankings.

Esses mecanismos podem influenciar diretamente a quantidade de corridas recebidas e, consequentemente, a renda. Motoristas que recusam muitas viagens ou recebem avaliações baixas podem ter menos oportunidades na plataforma.

Outro ponto destacado pelo TST é que praticamente todos os custos da atividade ficam com o trabalhador. Combustível, manutenção do carro, seguro, impostos, alimentação e até a internet utilizada no trabalho saem do próprio bolso.

Segundo a pesquisa, a falta de clareza sobre esses gastos pode criar uma percepção equivocada sobre a renda gerada pela atividade.

O impacto aparece também no endividamento. Dados citados no levantamento indicam que 92% dos trabalhadores de plataformas estão endividados.

Em alguns casos, as próprias empresas oferecem linhas de crédito aos motoristas. Assim, o trabalhador passa a depender do aplicativo não apenas para gerar renda, mas também para quitar dívidas que podem ser descontadas diretamente dos seus ganhos.

A falta de proteção trabalhista é outro ponto destacado pelo estudo. A maioria desses profissionais não tem acesso a direitos como férias, 13º salário, seguro-desemprego ou aposentadoria garantida.

Sem essa proteção, qualquer imprevisto pode interromper a fonte de renda, explica o TST. Uma doença, um acidente ou até um problema mecânico no carro pode deixar o trabalhador sem ganhos, já que as plataformas não oferecem uma rede de proteção equivalente.

Além disso, motoristas estão expostos diariamente a riscos como acidentes de trânsito e violência urbana, sem garantias de assistência em situações desse tipo.

A pesquisa também destaca a dificuldade de organização coletiva dos trabalhadores. A comunicação com as plataformas costuma ocorrer por canais automatizados, como chatbots, e decisões como bloqueios nem sempre oferecem espaço para contestação.

Para os autores do estudo, o modelo atual de trabalho por aplicativos transfere custos, riscos e responsabilidades aos trabalhadores.

O TST destaca que a discussão precisa ir além da existência ou não de vínculo empregatício e incluir medidas que garantam condições mínimas de trabalho, remuneração adequada e proteção para esses profissionais.

 



Alô Valparaíso/* Com as informações do g1 | Foto: Canva

Concurso do IBGE: inscrições para 1,4 mil vagas se encerram nesta segunda (20)

Oportunidades são para atuar no Censo Agropecuário e no 1º Censo Nacional da População em Situação de Rua. Os salários chegam a R$ 5.255,40, além de benefícios.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) encerra nesta segunda-feira, 20 de julho de 2026, às 23h59, o prazo de inscrições para o Processo Seletivo Simplificado destinado ao preenchimento de 1.466 vagas temporárias. A prorrogação foi anunciada na sexta-feira, 17 de julho, quando inicialmente estava previsto o encerramento das inscrições.

Oportunidades

Agente Censitário de Qualidade:

Analista Censitário:

Também serão oferecidos auxílio-alimentação de R$ 1.192 e demais benefícios previstos em legislação.

Segundo informações divulgadas pelo instituto, os cargos de analista censitário abrangem diversas áreas do conhecimento, entre elas geoprocessamento, agronomia, ciências sociais, assistência social, tecnologia da informação, desenvolvimento de sistemas, jornalismo, medicina, engenharia e estatística, entre outras especialidades previstas no edital.

Os interessados devem se inscrever exclusivamente pela internet, no site do Instituto Avalia, banca organizadora da seleção. A taxa de inscrição é de R$ 41,76 para nível médio e de R$ 37,00 para nível superior. É oferecida, também, a isenção da taxa aos inscritos no CadÚnico (Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal) e aos doadores de medula óssea cadastrados em entidades reconhecidas pelo Ministério da Saúde. A documentação comprobatória para o pedido deverá ser enviada até o dia 21 de julho.

A taxa de inscrição varia entre R$ 41,76 para nível médio e R$ 37,00 para nível superior. É oferecida, também, a isenção da taxa de inscrição aos inscritos no CadÚnico (Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal) e aos doadores de medula óssea cadastrados em entidades reconhecidas pelo Ministério da Saúde. A documentação comprobatória para a isenção deverá ser enviada até o dia 21 de julho.

Os resultados preliminares dos pedidos de isenção serão divulgados no dia 24 de julho, garantindo aos candidatos que tiverem a solicitação indeferida a opção de apresentar recurso nos dias 27 e 28 de julho.

Por fim, o resultado final dos pedidos estará disponível em 31 de julho, quase um mês antes da aplicação das provas objetivas, previstas para 30 de agosto de 2026, em todas as capitais brasileiras.

A lista de deferimento das inscrições deverá ser divulgada em 7 de agosto, com prazo para recursos nos dias 10 e 11 de agosto e publicação da relação definitiva em 18 de agosto.

Confira o cronograma

 



Alô Valparaíso/* Com as informações do R7 | Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Último post de Bolsonaro antes de restrição imposta por Moraes completa um ano

Ex-presidente compartilhou carta de republicano ligada à condenação antes de proibição de Moraes; texto citava tarifas

Há um ano, o ex-presidente Jair Bolsonaro fazia o último post antes da restrição para publicar nas redes sociais, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).

O conteúdo, compartilhado também em um 17 de julho, contava com dois elementos que se repetem 365 dias depois: uma carta e Donald Trump.

Em 2025, o vídeo nas redes falava sobre contato feito por Trump a Bolsonaro. O texto alegava que há um sistema injusto contra o ex-presidente. Bolsonaro cita “desaprovação” de Trump, respondida por medida tarifária.

Um ano depois, proibido de usar redes, Bolsonaro é alvo de questionamentos por ter escrito uma carta que diz apoiar o filho Flávio Bolsonaro nas eleições. A defesa do ex-presidente diz que o comunicado escrito à mão e que diz “carta aos brasileiros” não foi feito para ser divulgado. Ainda assim, foi compartilhado por Flávio nas redes.

O período também coincide com um novo tarifaço anunciado pelos Estados Unidos. O país vai implementar uma taxa adicional de 25% a uma série de produtos brasileiros. O governo prevê seguir com negociações, mas também avalia responder ao país com reciprocidade.

 



Alô Valparaíso/* Com as informações do R7 | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Pix em conta-salário será regulamentado pelo Banco Central; entenda

Quem recebe por esse tipo de conta poderá autorizar pagamentos recorrentes, como os boletos de luz, telefone e escola, sem precisar transferir o dinheiro

O uso de contas-salário em operações do Pix Automático será regulamentado pelo BC (Banco Central). Atualmente, apenas contas correntes e de pagamentos podem iniciar operações de Pix Automático.

A medida vai permitir que trabalhadores que recebem por esse tipo de conta possam usar o Pix Automático para pagamentos recorrentes, como conta de luz e telefone, mensalidades escolares, planos de saúde e assinaturas de serviços.

Com isso, não será mais necessário transferir o dinheiro para uma conta-corrente para usar a modalidade de pagamento instantâneo.

Apesar de a 28ª Reunião Plenária do Fórum do Pix ter anunciado, em março, que a nova modalidade começaria em julho, ainda não há previsão. “Os trâmites de regulação ainda vão acontecer”, informou a assessoria do Banco Central, em nota.

No momento em que o Pix é criticado pelo governo dos Estados Unidos e citado como um dos motivos para a cobrança de tarifa de produtos brasileiros, a modalidade tem avançado.

A mudança no meio de pagamento faz parte das ações da agenda evolutiva do Pix, desenvolvidas no primeiro semestre de 2026 para serem colocadas em prática no segundo.

Como funciona o Pix Automático

A modalidade de pagamento permite agendar contas recorrentes, como de energia, telefone, escolas, academias, condomínios, assinaturas, seguros, entre outras, que podem variar de valor de um mês para o outro.

O Pix Automático funciona como um débito automático, com autorização para que as cobranças sejam feitas diretamente da conta por meio do Pix. A diferença é que não depende de convênio entre banco e empresa; todas as instituições bancárias devem oferecer e não tem nenhum tipo de taxa.

O que é conta-salário

A conta-salário é uma conta bancária aberta por solicitação da empresa para depositar o salário, aposentadoria ou pensão do trabalhador. A conta é isenta de tarifas de manutenção e tem limitações de uso, servindo apenas para receber proventos e realizar saques ou transferências.

Pix automático na conta-salário

Com a nova medida, as contas-salário vão poder ser usadas para realizar operações de Pix Automático. Atualmente, apenas contas correntes e de pagamentos podem iniciar operações de Pix Automático.

​Nos casos em que o usuário final recebedor dessas transações for pessoa jurídica ou entidade não autorizada a funcionar pelo BC, por exemplo, deverão ser observadas, exclusivamente, a regulamentação específica que disciplina o Pix Automático.

Segundo o BC, essa determinação, no entanto, não se aplica aos casos em que a autorização de débito e crédito envolva a mesma instituição.

Semelhante ao débito automático

Como é feito o pagamento

 



Alô Valparaíso/* Com as informações do R7 | Foto: Bruno Peres/Agência Brasil