Cármen lamenta “descrença” e “desânimo” com instituições

Ministra diz que democracia depende da confiança na administração pública e cobra responsabilidade dos servidores

A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta quarta-feira (16) que o Brasil vive um momento de “descrença” e “desânimo” com a administração pública. Segundo ela, a confiança da população nas instituições é essencial para o funcionamento da democracia.

“A democracia vive da confiança que o cidadão tem, que a cidadã tem, nas suas instituições. Eu digo isso com muito lamento pelos momentos que nós estamos passando de descrença e de desânimo com administração pública”, afirmou.

A declaração foi feita durante participação virtual no XXII Encontro do Conselho Nacional de Controle Interno (Conaci), em Belo Horizonte. A palestra de Cármen Lúcia abriu a programação do evento.

Na avaliação da ministra, eventuais erros fazem parte das limitações humanas, mas os agentes públicos têm o dever de buscar corrigir falhas e prestar um serviço que fortaleça a confiança da sociedade. “Como eu disse, erros são do ser humano, são dos nossos limites, mas a busca do acerto é uma imposição, é um dever que todos nós, servidores, temos para garantir essa confiança que faz com que cada pessoa possa acreditar mais no país”, disse.

Cármen Lúcia afirmou ainda que a responsabilidade dos servidores públicos não deve ser tratada como um favor ou uma prerrogativa, mas como uma obrigação.

“Para que a população possa acreditar mais no país, possa acreditar mais na democracia e principalmente que ele possa saber que nós temos o dever de prestar o mesmo melhor serviço. Não é favor, não é uma prerrogativa, é obrigação. E é uma obrigação que nós temos que cumprir”, concluiu.

A fala da ministra ocorre um dia depois da sessão do STF de terça-feira (15), quando a ministra pediu desculpas à população pela condução da crise envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça. Ela afirmou estar “em estado de profunda consternação e tristeza” e disse sentir-se “um pouco envergonhada” com a exposição dos conflitos internos da Corte.

Segundo a ministra, o Judiciário deveria transmitir tranquilidade, mas acabou gerando intranquilidade. Cármen Lúcia também defendeu o esclarecimento de dúvidas envolvendo integrantes do tribunal e votou contra a reunião, em um único processo, dos casos relacionados a Moraes e Mendonça.



Alô Valparaíso/* Com as informações do SBT News | Foto: Reprodução/YouTube