Caiado rejeita câmeras corporais em policiais e diz que Brasil vive “ambiente de guerra”

Candidato do PSD visitou o largo da Penha, no Rio de Janeiro, e usou colete à prova de balas

O candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, rejeitou o uso de câmeras corporais por policiais durante visita ao largo da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro, nesta quarta-feira (26).

Em uma das regiões mais afetadas pela atuação do narcotráfico, Caiado voltou a colocar a segurança pública no centro de sua campanha e afirmou que não pretende adotar o equipamento caso seja eleito.

“Você não vai colocar câmeras nos policiais? Não, não vou. Me mostre o lugar no mundo, em guerra, que tem câmera no policial. Onde você já viu isso?”, questionou.

Caiado comparou a realidade brasileira à de países onde, segundo ele, o nível de segurança é muito superior. “A hora que eu chegar num nível de segurança pública da Inglaterra, aí ele usa um cassetete e um apito. Só isso. Ele não tem nem câmera, nem arma”, afirmou.

Para o candidato, a política de segurança precisa considerar o nível de violência enfrentado pelas forças policiais brasileiras. “Você não pode querer copiar um modelo para um ambiente de guerra”, declarou.

Durante a agenda no largo da Penha, Caiado também usou colete à prova de balas pela segunda vez desde o início da campanha presidencial. O equipamento foi recomendado pelos agentes responsáveis pela segurança do candidato, diante da avaliação de risco durante a visita à região.

A região da Penha é marcada pela forte presença do crime organizado e está inserida em uma área de intensa disputa territorial entre facções. Na semana passada, por exemplo, investigações da polícia revelaram que criminosos promoviam cursos para o uso de drones no Complexo da Penha, equipamento que passou a ser utilizado pelo tráfico para monitoramento e ataques.



Alô Valparaíso/* Com as informações do R7 | Foto:  Ricardo Stuckert

6×1: Acordo de Lula e Alcolumbre prevê apenas CCJ; plenário fica para depois das eleições

Comissão deve analisar o texto durante o esforço concentrado da próxima semana

O acordo anunciado pelo presidente Lula com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para avançar na proposta que acaba com a escala 6×1 na próxima semana inclui a votação da matéria apenas na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). A análise em plenário, porém, ficou para depois das eleições, segundo o que foi acertado entre os presidentes das duas Casas.

A PEC que reduz a jornada de trabalho já foi aprovada pela Câmara e está em tramitação na CCJ do Senado. A comissão deve analisar o texto durante o esforço concentrado da próxima semana.

O fim da escala 6×1 foi um dos temas discutidos em encontro de Lula com Motta e Alcolumbre, nesta quarta-feira (26), no Palácio da Alvorada. Também estiveram na pauta a PEC da Segurança Pública, o marco legal dos minerais críticos e a medida que trata da chamada “taxa das blusinhas”.



Alô Valparaíso/* Com as informações do R7 | Foto:  Ricardo Stuckert

Habib’s entra em recuperação judicial

Grupo Gennius tem dívida de R$ 265,2 milhões

Controlador das marcas Habib’s, Ragazzo e Tendall Grill, o Grupo Gennius entrou em recuperação judicial com uma dívida declarada de R$ 265,2 milhões. O pedido foi apresentado na segunda-feira (24) e aceito pela Justiça de São Paulo no dia seguinte (25).

O juiz Jomar Juarez Amorim, da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, nomeou a consultoria KPMG como administradora judicial.

Em nota, o grupo afirmou que a medida busca preservar a sustentabilidade dos negócios e informou que as lojas continuam funcionando normalmente.

Causas da crise

No processo, o grupo atribuiu as dificuldades financeiras aos efeitos da pandemia de covid-19, à expansão do delivery e à alta dos juros.

Segundo a empresa, a redução do fluxo de consumidores em shoppings e centros urbanos afetou as lojas físicas. Ao mesmo tempo, o crescimento das plataformas de entrega mudou os hábitos de consumo.

A alta da Selic (juros básicos da economia) também encareceu as dívidas e pressionou o capital de giro.

“As operações do Grupo seguem funcionando normalmente, mantendo o atendimento aos clientes, a rotina e a qualidade de suas unidades”, respondeu o grupo Gennius em nota.

Estrutura e dívida

A recuperação judicial envolve 178 pessoas jurídicas, incluindo:

Do total da dívida declarada, R$ 22,3 milhões são trabalhistas e R$ 241,7 milhões estão em categorias de créditos quirografários, obrigações financeiras sem garantia real (como hipotecas, penhores ou alienação fiduciária).

Próximos passos

A KPMG terá 15 dias para apresentar um relatório sobre a situação das empresas. Os credores poderão contestar valores ou solicitar a inclusão de dívidas na relação apresentada pela companhia.

O Grupo Gennius terá 60 dias para apresentar um plano de recuperação judicial. Caso não cumpra o prazo, o processo poderá ser convertido em falência.

A Justiça suspendeu ações e execuções contra as empresas, mas negou o pedido para liberar recebíveis bancários usados como garantia.

Plano de retomada

O grupo pretende realizar uma reorganização societária e afirma que planeja abrir novas unidades em mercados considerados promissores, além de ampliar o foco no delivery.

Fundado em 1987, o Habib’s cresceu com uma estratégia baseada em preços baixos e grande volume de vendas. Posteriormente, o grupo diversificou os negócios com as marcas Ragazzo e Tendall Grill.



Alô Valparaíso/* Com as informações da Agência Brasil | Foto:  Reprodução/Twitter

Eclipse parcial da Lua nesta quinta-feira será visto em todo o Brasil

Ponto máximo será às 01h31, já na madrugada da sexta-feira

A partir das 23h34, hora de Brasília, desta quinta-feira (27), um eclipse parcial da Lua poderá ser visto em todo o território brasileiro. O ponto máximo será às 01h31, já na madrugada da sexta-feira (28), quando estará na fase mais obscura.

A astrônoma do Observatório Nacional Josina Oliveira do Nascimento disse que esse tipo de eclipse ocorre toda vez que a Lua entra na sombra da Terra, formada pela incidência do Sol. 

“Sempre existe a sombra da Terra no espaço, porque o Sol está sempre iluminando a Terra, mas a Lua nem sempre entra nessa sombra”, explicou à Agência Brasil.

“A Lua vai entrar na sombra da Terra e tudo acontece por conta dessa questão da sombra. Todos os corpos que não são pontuais, recebendo uma fonte de iluminação, têm duas sombras. Uma mais clara, que a gente chama de penumbra, e uma mais escura, que é a umbra”.

“No ano que vem, vamos ter dois eclipses só penumbrais. A Lua vai passar só pela penumbra e vai sair”, adiantou Josina Oliveira.

De acordo com a astrônoma, todos os eclipses ocorrem com Lua cheia e o formato depende do quanto ela vai entrar na sombra da Terra. 

“Se o plano de órbita da Lua em torno da Terra fosse o mesmo do plano de órbita da Terra em torno do Sol, toda Lua cheia teria eclipse, mas acontece que não, porque a Lua faz um plano de órbita que é inclinado em 5 graus em relação ao outro”, explicou.

Para ter uma boa observação do fenômeno é preciso paciência.

Segundo Josina Oliveira, ao entrar na penumbra, que é a sombra mais clara, ainda não é possível notar qualquer diferença no brilho da Lua.

“A gente sabe que ela está lá, porque às 22h24 vai entrar na penumbra, mas entre 22h24 e 23h34, que é a hora que ela vai começar a entrar na umbra, a gente vai olhar para a Lua e vai ver iluminada igualmente. Não dá para perceber nenhuma diferença olhando para ela. Agora, quando for 23h34, aí começa a perceber a diferença”, explicou, acrescentando que o estudo dos horários em que os eventos ocorrem se baseia unicamente nas posições do Sol, da Terra e da Lua.

“É isso que define a luminosidade. É a mesma coisa de quando a gente sabe exatamente a hora em que a Lua entrou na Lua cheia, no quarto minguante e no quarto crescente. Cada mês tem um horário diferente. O que a gente precisa para saber disso é a posição do Sol, da Terra e da Lua, porque o que a gente está vendo é consequência desse triângulo”, explicou.

Segundo a astrônoma, durante o eclipse, primeiro se vê um pontinho preto, que vai evoluindo até a parte preta ficar em formato de uma “mordidinha”, o que significa que a Lua está entrando cada vez mais na umbra, que é a sombra escura. 

“Quando ela estiver 96,2% tomada, vai começar a sair da umbra e tomar uma tonalidade avermelhada. Logo depois vai sair”.

Nesse fenômeno de agosto, a fase parcial levará 3h18. Vai começar às 23h34, o máximo vai ser às 1h13, já do dia 28, e o final do eclipse parcial vai ser às 2h52.

Mesmo quem estiver em fuso diferente do horário de Brasília, subtrai a diferença e poderá observar o fenômeno no mesmo instante. 

“Quem estiver no fuso de menos 4 horas, diminui 1 hora dos horários [previstos para os movimentos]. O instante é o mesmo, mas a hora no relógio é diferente”.

Olho nu

Ao contrário do eclipse solar, que para observar é preciso usar filtros, equipamentos especiais ou óculos próprios, esse parcial da Lua poderá ser visto a olho nu, e de qualquer lugar. 

“No caso desse eclipse, o Brasil todo vai ver e com a Lua bem alta. A única coisa que vai fazer com que você não veja o eclipse é se chover ou ficar nublado”, apontou.

De acordo com o Observatório Nacional, o eclipse desta quinta-feira “pertence ao Saros 138, um ciclo de aproximadamente 18 anos que governa a recorrência de eclipses com características semelhantes”.

Admiração

Para a astrônoma, o fenômeno do eclipse envolve as pessoas por causa da admiração pelo céu, o que ajuda muito na divulgação e educação relacionadas a esses eventos.

“A gente tem muita ligação com escolas, projetos de educação de professores, de observação na praça e em várias cidades do Rio e do Brasil, o Ciência Cidadã, envolvendo as pessoas com a ciência através da astronomia, porque o céu é envolvente. Não conheço, em 47 anos de profissão, e nunca ouvi ninguém dizer que não gosta de olhar para o céu”, disse.

Transmissão

O eclipse parcial poderá ser acompanhado também pela live que o Observatório Nacional vai fazer no seu canal do YouTube a partir das 23h pelo horário de Brasília, em uma nova edição do programa O Céu em sua Casa: observação remota.

Segundo o Observatório, como ocorreu no eclipse solar no começo do mês, todos os veículos de comunicação poderão retransmitir gratuitamente a cobertura, mas precisam avisar antes pelo e-mail comunicacao@on.br.

Horários:



Alô Valparaíso/* Com as informações da Agência Brasil | Foto:  Marcello Casal Jr/Agência Brasil