Estelionatos batem recorde e somam 2,26 milhões de casos; alta é de quase 430% desde 2018

Golpes se consolidam como o principal crime patrimonial do país; mais de 97% dos casos registrados não chegam ao Judiciário

Os registros de estelionato no Brasil atingiram um novo recorde em 2025 e consolidaram os golpes como o principal crime patrimonial do país. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, divulgado pelo FBSP (Fórum Brasileiro de Segurança Pública), foram contabilizados 2.261.055 boletins de ocorrência no ano passado, um crescimento de 2,7% em relação a 2024 e de 429,8% na comparação com 2018, primeiro ano da série histórica.

O levantamento mostra que a escalada foi contínua ao longo dos últimos oito anos. Em 2018, o país registrava 426.799 ocorrências de estelionato. Desde então, o número praticamente quintuplicou, ultrapassando a marca de 2 milhões de casos em 2023 e chegando ao maior patamar da série em 2025.

Para o advogado criminalista Lourival Tenório de Albuquerque, esse crescimento é resultado da digitalização das relações e do aperfeiçoamento dos golpes, mas também de uma maior conscientização das vítimas, que passaram a denunciar com mais frequência tanto os crimes consumados quanto as tentativas de fraude.

Para os autores do estudo, a tendência evidencia uma mudança no perfil da criminalidade no país. Enquanto indicadores ligados aos crimes tradicionais de rua, como homicídios, roubos e furtos, apresentam redução, os estelionatos seguem em trajetória de crescimento, impulsionados principalmente pelas fraudes praticadas em ambiente digital.

Os dados mostram que os registros de estelionato por meio eletrônico cresceram 20,6% entre 2024 e 2025, passando de 286.226 para 346.753 ocorrências, reforçando a migração dos golpes para o ambiente digital.

Na avaliação do professor de Segurança Pública do Ibmec Brasília Fagner Dias, o ambiente digital tornou esse tipo de crime mais atrativo porque oferece uma relação de custo-benefício favorável aos criminosos, que conseguem aplicar golpes à distância, utilizando identidades falsas, dificultando a produção de provas e reduzindo significativamente o risco de responsabilização.

Casos não chegam ao Judiciário

Além do avanço dos registros, o Anuário chama atenção para a baixa responsabilização criminal dos autores. Em 2025, os mais de 2,26 milhões de boletins de ocorrência resultaram em apenas 63.771 processos penais e 4.819 pessoas presas por estelionato. Isso significa que mais de 97% dos casos registrados não chegaram ao Poder Judiciário.

Na avaliação do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a combinação entre alta incidência e baixa responsabilização transformou o estelionato em uma importante fonte de renda para organizações criminosas. O relatório afirma que o crime deixou de ser praticado predominantemente por indivíduos isolados e passou a integrar a estrutura financeira de grupos organizados.

Golpes mais comuns

O estudo também aponta que os golpes mais comuns sofridos pelos brasileiros envolvem clonagem ou troca de cartão (45%), golpe do WhatsApp (34%), falsa central bancária (31%), golpe do Pix (24%), uso indevido de CPF por SMS (13%) e leilões ou lojas falsas (10%).

Para conter o avanço desse tipo de crime, os especialistas defendem uma atuação integrada entre Estado, instituições financeiras e empresas de tecnologia. Fagner Dias afirma que fortalecer a educação digital da população e ampliar a proteção de dados são medidas fundamentais para reduzir o número de vítimas.

Lourival Tenório defende a criação de um banco de dados nacional integrado que reúna informações sobre telefones e contas bancárias utilizados em fraudes, facilitando a identificação dos criminosos.

Na mesma linha, o advogado especialista em segurança pública Berlinque Cantelmo afirma que o enfrentamento do estelionato passa pela integração entre polícias, bancos e operadoras de telecomunicações, permitindo o bloqueio mais rápido de contas e linhas telefônicas utilizadas em golpes e aumentando a eficiência das investigações.



Alô Valparaíso/* Com as informações do R7 | Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Eleições: estratégias de Zema e Caiado tentam furar polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro

Com baixa rejeição, mas ainda pouco conhecidos nacionalmente, os dois pré-candidatos querem ampliar alianças e ganhar visibilidade

Quase 70% das intenções de voto estão concentradas entre opresidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL), segundo apontam as últimas pesquisas eleitorais divulgadas no país. Assim, os também pré-candidatos Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) enfrentam o desafio comum de transformar a baixa rejeição em intenção de voto antes que a polarização domine de vez a corrida presidencial.

Especialistas afirmam que o principal obstáculo para os dois não é apenas crescer nas pesquisas, mas convencer eleitores, partidos e lideranças políticas de que ainda existe espaço para uma candidatura competitiva fora dos dois polos.

Na prática, as campanhas dos dois já começam a mirar esse objetivo. Caiado afirmou, nesta quarta-feira (23), que pretende buscar apoio de lideranças da federação formada por PP e União Brasil, apesar da decisão do grupo de adotar neutralidade na disputa presidencial. A declaração foi feita durante um encontro de prefeitos do União Brasil, em Goiânia.

Já Zema cumpre agenda nesta sexta-feira (24) e no sábado (25) no Rio Grande do Sul. Na capital gaúcha, ele tenta se reaproximar da direita e de aliados do PL após ter criticado duramente Flávio, por conta da revelação de seus laços com Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master.

Voto útil

Segundo o cientista político Marcio Coimbra, o grande obstáculo estrutural para a chamada “terceira via” não é a ausência de eleitores moderados ou descontentes, mas sim o chamado voto útil, determinado pela rejeição mútua que tanto Lula como Flávio sofrem.

“Para Zema ou Caiado superarem esse limite de votos, só há dois caminhos: ou um dos candidatos favoritos perde muitos eleitores, ou o público se convence de que eles têm muito mais chance de vencer no segundo turno”, avalia.

Apesar de aparecerem com índices de rejeição menores do que os de Lula e Flávio, Zema e Caiado ainda são pouco conhecidos fora de Minas Gerais e Goiás, respectivamente.

Segundo o especialista, a baixa rejeição muitas vezes apenas revela que parte do eleitorado ainda não conhece suficientemente o candidato para formar uma opinião.

“Quando o ganho de notoriedade ocorre de forma lenta e tardia, o eleitorado prefere se agarrar às lideranças tradicionais, transformando a baixa rejeição de nomes pouco conhecidos em um teto inexplorado e sem apelo de massa”, argumenta.

Narrativa nacional

A cientista política Mayra Goulart, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), avalia que tanto Caiado quanto Zema disputam espaço em um ambiente de polarização permanente, no qual candidaturas intermediárias precisam primeiro conquistar atenção para só depois disputar votos.

“A principal dificuldade de Caiado e Zema hoje não é apenas eleitoral, mas estrutural. Ambos enfrentam um ambiente em que a campanha começa muito antes do período oficial e é organizada por uma lógica de polarização permanente”, ressalta.

Ela lembra que candidaturas que conseguiram romper esse cenário — como as de Fernando Collor, Ciro Gomes e Marina Silva — cresceram em contextos políticos muito diferentes dos atuais.

Para Mayra, desde 2014, a polarização se consolidou em torno do PT e do bolsonarismo, fazendo com que o voto útil apareça cada vez mais cedo e concentre recursos, alianças e atenção nos candidatos considerados viáveis.

Na avaliação da pesquisadora, Caiado e Zema precisariam construir uma narrativa própria, nacionalizar suas lideranças e evitar serem vistos apenas como versões moderadas do bolsonarismo.

“Eles precisam explorar temas em que a polarização ainda não cristalizou posições, como pacto federativo, gestão pública, reforma administrativa, desenvolvimento regional e segurança pública. Deslocar a disputa dos temas identitários é uma das poucas formas de alterar a agenda eleitoral”, salienta.



Alô Valparaíso/* Com as informações do R7 | Foto: Reprodução e Gabriel Pinheiro/CNI

Lula: quem interferir nas eleições “vai apanhar muito”

Presidente defende soberania brasileira em convenção que oficializou a chapa de Haddad ao governo de São Paulo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste sábado (25) que qualquer tentativa de interferência estrangeira nas eleições brasileiras será rechaçada. Durante a convenção estadual da federação formada por PT, PCdoB e PV, em São Paulo, o petista declarou que “quem quiser de fora vir se meter nas eleições brasileiras vai apanhar muito”.

“E que não venha ninguém de fora querer meter o dedo nas nossas eleições. […]. Quem vai decidir o destino desse país são 157 milhões de eleitores. Quem vai decidir o destino de São Paulo são os eleitores de São Paulo”, afirmou.

Na sequência, Lula voltou a defender a soberania nacional e disse que o Brasil pretende manter boas relações com outros países, mas sem abrir mão da autonomia.

“O Brasil é soberano. O Brasil quer manter relações com todos os países do mundo. O Brasil não quer guerra, o Brasil quer paz. O Brasil não quer ódio, o Brasil quer amor”, declarou.

As falas ocorreram durante a convenção estadual que oficializou a candidatura de Fernando Haddad ao governo de São Paulo. A chapa também será composta por Márcio França (PSB) como candidato a vice-governador, além de Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (MDB) como candidatas ao Senado.

O discurso também ocorreu em meio a um novo atrito diplomático entre Brasil e Estados Unidos envolvendo o processo eleitoral brasileiro. O Itamaraty negou vistos a dois integrantes da administração do presidente Donald Trump que planejavam viajar ao país para discutir o sistema eleitoral.

Segundo reportagem do jornal norte-americano The Washington Post, a Casa Branca preparava o envio de uma missão do Departamento de Estado para avaliar a lisura e a integridade das eleições brasileiras antes do pleito presidencial de 4 de outubro.

A publicação, baseada em relatos de quatro autoridades dos Estados Unidos e do Brasil, também relatou que a delegação seria composta por Riley M. Barnes, secretário-assistente, e Samuel Samson, subsecretário-assistente, cujos pedidos de visto foram rejeitados pelo governo brasileiro.

Ainda segundo o jornal, não estava claro quais medidas os representantes norte-americanos pretendiam adotar para avaliar o sistema eleitoral brasileiro nem quais autoridades ou instituições fariam parte da agenda da visita. O Brasil é frequentemente citado como referência na América do Sul pela rapidez na apuração dos votos, com os resultados sendo divulgados poucas horas após o encerramento da votação.

Nos bastidores, integrantes do governo brasileiro ouvidos pela reportagem, sob condição de anonimato, avaliam que há uma atuação coordenada entre a iniciativa da gestão norte-americana e a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República.

A avaliação ocorre após Flávio voltar a questionar o sistema de urnas eletrônicas ao afirmar, em discurso recente, que o equipamento utilizado no Brasil teria a mesma origem das urnas da empresa venezuelana Smartmatic. A declaração, porém, é falsa.



Alô Valparaíso/* Com as informações do SBT News | Foto: Ricardo Stuckert

Caiado oficializa candidatura à Presidência neste domingo

Ex-governador de Goiás terá Gilberto Kassab como vice, numa chapa “puro-sangue” do PSD

O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) oficializa, neste domingo (26), a candidatura à Presidência da República. O evento ocorre pela manhã no bairro Bela Vista, em São Paulo.

A definição do nome de Caiado encerra a disputa interna do PSD pela candidatura presidencial, que também envolvia outros nomes da legenda: o governador do Paraná, Ratinho Júnior, e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. Para o anúncio, devem se reunir dirigentes do PSD, parlamentares, lideranças estaduais e aliados políticos.

Além de confirmar a candidatura, Caiado deve apresentar as primeiras diretrizes da campanha para as eleições de 2026, em busca do eleitorado de centro-direita. O político disputará o pleito ao lado do presidente do partido, Gilberto Kassab, escolhido como seu vice, em uma chapa “puro-sangue”. A escolha do nome veio após fracassadas tentativas de aliança do PSD com outras legendas.

Nascido em 1949 no município de Anápolis (GO), Ronaldo Ramos Caiado é formado em medicina pela UFRJ (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro), e tem especialização em ortopedia. O político é casado com a pré-candidata ao Senado por Goiás Gracinha Caiado (União Brasil), com quem tem quatro filhos.

Caiado também é produtor rural e histórico defensor do agronegócio brasileiro. Ele foi deputado federal por cinco mandatos (1991-1995, 1999-2003, 2003-2007, 2007-2011, 2011-2015), além de senador eleito por Goiás com 47,57% dos votos em 2014. Também foi candidato à Presidência da República em 1989.

Alternativa à polarização

Caiado afirma que pretende apresentar uma alternativa ao cenário de polarização política no país, marcada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e pelo senador Flávio Bolsonaro (PL).

Em declarações anteriores, o político também destacou a experiência acumulada em mais de três décadas de vida pública e defendeu propostas voltadas para segurança pública, equilíbrio fiscal, desenvolvimento econômico e fortalecimento do pacto federativo.



Alô Valparaíso/* Com as informações do SBT News | Foto: Rafa Neddermeyer/ Agência Brasil