Campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro vão analisar participações em debates

Equipes devem focar no monitoramento de pesquisas para ‘medir a temperatura’ do cenário

O pré-candidato à reeleição à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, ainda decide se vai participar dos debates eleitorais que começam em meados de agosto. Conforme apuração, a equipe de Lula vai avaliar “caso a caso” a presença dele. Já a definição, pelo menos por ora, da pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) é de que o pré-candidato não deve ir aos debates em que Lula faltar.

Segundo o cientista político Márcio Coimbra, a ausência estratégica em um debate costuma ser calculada principalmente por candidatos que lideram as pesquisas.

“Comparecer ao estúdio significa tornar-se o alvo prioritário de múltiplos ‘franco-atiradores’ e assumir o risco de cometer gafes que possam ser exploradas exaustivamente pelos oponentes”, diz.

Nesses casos, a equipe avalia que o custo político de sofrer ataques combinados supera o ganho de imagem ou de exposição, e a decisão de se ausentar busca preservar a vantagem acumulada e canalizar esforços para agendas com público e discurso controlados.

No caso de Lula e Flávio Bolsonaro, as pesquisas eleitorais ao longo da campanha podem funcionar como termômetro para a participação em debates.

Mais espaço para outros candidatos

Para Coimbra, um debate presencial sem as duas principais forças da disputa resulta em esvaziamento, além de sinalizar uma postura de soberba perante o eleitorado, abrindo margem para críticas.

Outros candidatos podem se beneficiar da ausência dos concorrentes mais fortes. “Essa vacância cria um palco valioso para confrontar projetos entre si, tentar capitalizar o descontentamento e disputar os votos das fatias que rejeitam os dois nomes no topo”, analisa o cientista político.

O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), por exemplo, em crítica à possibilidade da ausência de Lula aos debates, afirmou que vai a todos os que for convidado.

“Costuma falar em democracia, mas cogita não ir ao debate com outros candidatos. Eu estarei em todos, não vou fugir do confronto de ideias”, escreveu nas redes sociais.

 



Alô Valparaíso/* Com as informações do R7 | Foto: Ricardo Stuckert

Brasil tem quase 2 milhões de eleitores com deficiência, aponta TSE

Tribunal registra um crescimento de 42,5% em relação à última eleição

As eleições gerais deste ano contarão com o maior número de eleitoras e eleitores com deficiência aptos a votar.

Dados do Tribunal Superior Eleitoral revelam que 1.963.551 pessoas têm algum tipo de deficiência, um crescimento de 42,5% em relação a 2022, quando esse número era de 1.377.787 pessoas.

Os tipos de deficiência incluem pessoas com dificuldade de locomoção, deficiência visual, deficiência auditiva, deficiência física, intelectual ou outras condições que demandem adaptações no local de votação.

Entre os eleitores com deficiência aptos a votar nas Eleições 2026, 45,46% do total se enquadram na categoria “outros”.

Aproximadamente 617 mil pessoas declararam ter deficiência de locomoção; 319 mil têm deficiência visual e mais de 182 mil têm deficiência auditiva.

Mais de 64 mil pessoas com deficiência informaram ter dificuldade para o exercício do voto.

Para acompanhar esse aumento, a Justiça Eleitoral ampliou a estrutura destinada a garantir o exercício do voto com autonomia e segurança.

O número de seções eleitorais principais com acessibilidade passou de 156.296 em 2022 para 223.587 este ano, um crescimento de 43%.

Quem necessita de um local de votação adaptado pode solicitar a transferência para uma seção eleitoral acessível, instalada em locais com rampas, elevadores e trajetos livres de obstáculos físicos, por exemplo.

Para isso, é necessário atualizar o cadastro junto à Justiça Eleitoral, informando a condição de deficiência ou mobilidade reduzida.

O pedido pode ser feito pelos canais oficiais da Justiça Eleitoral ou presencialmente no cartório eleitoral.

O prazo para solicitar a transferência para uma seção acessível termina no dia 20 de agosto.

 



Alô Valparaíso/* Com as informações da Agência Brasil | Foto: Divulgação/Agência Brasil

Ministério Público processa empresas por escaneamento de íris

Alvos eram pessoas em situação de vulnerabilidade socioeconômica

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) ajuizou nesta segunda-feira (21) uma ação civil pública contra a Tools for Humanity Corporation e a Amazon AWS Serviços Brasil Ltda. por irregularidades na coleta de dados biométricos de íris de consumidores paulistanos. 

A promotoria pede, em caráter liminar, a preservação de todos os dados, registros e metadados relacionados ao processamento dessas informações, a apresentação de contratos e relatórios técnicos sobre seu armazenamento.

A promotora de Justiça responsável pela ação, Patrícia Leitão, solicita ainda a identificação da empresa do grupo Amazon responsável pela hospedagem dos dados e a suspensão de novas coletas de íris mediante qualquer tipo de pagamento ou benefício até a realização de perícia judicial. 

Para a promotora, o quadro caracteriza publicidade enganosa, exploração da vulnerabilidade dos consumidores e vício no consentimento.

A coleta desses dados era feita especialmente em pessoas em situação de vulnerabilidade socioeconômica, mediante oferta de compensação financeira e concentrada em regiões periféricas e de grande circulação, próximas a estações de metrô e unidades do Poupatempo.

“A ação requer ainda que as práticas sejam declaradas abusivas, que as rés sejam proibidas definitivamente de coletar dados biométricos de íris mediante contrapartida financeira, eliminem de forma irreversível os dados já coletados, indenizem a coletividade em ao menos R$ 240 milhões por danos morais e reparem os prejuízos individuais causados aos consumidores”, informou o MPSP.

Segundo o MPSP, a empresa manteve a prática por meio da concessão de benefícios internos no aplicativo World App mesmo depois de a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinar a suspensão da oferta de criptomoedas ou de qualquer compensação financeira pela coleta da íris.

“A Promotoria sustenta também que os consumidores não receberam informações claras sobre a finalidade econômica do projeto, os riscos relacionados ao tratamento dos dados biométricos, sua transferência para o exterior e a possibilidade de armazenamento dessas informações em servidores da Amazon Web Services”, explicou o MPSP.

A ação tem origem no relatório final da CPI da Íris, da Câmara Municipal de São Paulo, que investigou a atuação do Projeto World ID na capital paulista. 

Segundo a apuração, mais de 400 mil pessoas tiveram a íris escaneada em troca de recompensas financeiras que variavam entre R$ 300 e R$ 700.

 



Alô Valparaíso/* Com as informações da Agência Brasil | Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Justiça do DF manda Virginia apagar publicidade irregular de bets

Influenciadora está proibida de fazer postagens que sugiram lucro fixo

A Justiça do Distrito Federal determinou que a influenciadora digital Virginia Fonseca retire de suas redes sociais postagens de propaganda de apostas eletrônicas (bets) que não estão de acordo com as regras da legislação.

A decisão foi proferida nessa terça-feira (22) pelo desembargador Renato Rodovalho Scussel, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, e atendeu ao pedido liminar feito pelo Ministério Público (MP).

Pela decisão, Virginia terá prazo de 48 horas para retirar postagens feitas em parceria com a plataforma de apostas Blaze, que também foi acionada pelo MP.

O magistrado determinou que Virginia está proibida de fazer postagens que sugiram lucros fixos, renda extra, fonte de renda, investimento ou forma alternativa de emprego.

Segundo o desembargador, a legislação que autorizou o funcionamento das plataformas de bets impede a realização de publicidade com sugestões de ganho fácil com as apostas eletrônicas.

“A remoção de conteúdo deve limitar-se às publicações concretas que permaneçam acessíveis e que contrariem os comandos objetivos ora estabelecidos. Não se justifica, em cognição sumária, determinar a retirada indistinta de todo conteúdo relacionado a apostas, pois a atividade publicitária, dentro dos limites legais, não é proibida”, afirmou.

A Agência Brasil entrou em contato com a defesa de Virginia e aguarda retorno. O espaço está aberto para manifestação.

Pagamento solidário de R$ 120 milhões

No início deste mês, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) protocolou uma ação civil pública contra a influenciadora digital e a plataforma de apostas Blaze.

O órgão pede a condenação de ambos ao pagamento solidário de R$ 120 milhões em danos morais coletivos pela divulgação abusiva do site de apostas.

Na ação, o MP também solicitou uma liminar para proibir a influenciadora de divulgar publicidade irregular de bets, mas o pedido foi rejeitado pela primeira instância da Justiça do Distrito Federal. Em seguida, o MP recorreu à segunda instância.

 



Alô Valparaíso/* Com as informações da Agência Brasil | Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado