Flávio Bolsonaro começa giro pelo Rio; Lula vai ao Nordeste tentar recuperar votos

Campanhas definem primeiras viagens do 2º turno e miram estados para ampliar votação; Sudeste será prioridade dos candidatos

Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começam nesta sexta-feira (9) uma nova etapa da campanha presidencial com viagens para mobilizar eleitores e ampliar a votação no segundo turno.

Enquanto Flávio prevê compromissos no Rio de Janeiro e em São Paulo, Lula retoma os atos de rua pelo Distrito Federal e pelo Rio Grande do Norte, antes de concentrar esforços no Sudeste.

A escolha dos destinos reflete os resultados do primeiro turno e as estratégias traçadas pelas duas campanhas para as próximas duas semanas.

Flávio busca consolidar a votação em estados onde venceu e reduzir a vantagem de Lula no Nordeste. O petista pretende recuperar votos perdidos em relação a 2022 e reforçar a mobilização em regiões onde mantém apoio.

No primeiro turno, Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. A diferença foi de aproximadamente 2,2 milhões de votos.

Flávio começa por Rio e São Paulo

A campanha de Flávio prevê compromissos no Rio de Janeiro nesta sexta e no sábado (10). O estado deu ao candidato do PL 53,01% dos votos válidos no primeiro turno, contra 39,41% de Lula.

Em São Paulo, onde Flávio recebeu 51,93% dos votos, o candidato também pretende mobilizar lideranças políticas. No domingo (11), está previsto um almoço com prefeitos da Grande São Paulo, organizado pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB).

Na segunda-feira (12), Flávio tem uma carreata prevista em São José dos Campos, no interior paulista. A campanha também avalia uma visita ao Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, mas a passagem ainda não está confirmada.

A concentração de compromissos no Sudeste segue a orientação apresentada pelo coordenador político da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), durante reunião com parlamentares e governadores em Brasília, na quarta-feira (7).

Marinho explicou que Flávio não poderá visitar todos os estados e que a agenda será concentrada nos locais onde a campanha identifica maior possibilidade de ampliar a votação.

A orientação é que deputados, senadores e governadores assumam a mobilização em seus próprios estados, inclusive quando Flávio estiver em outra região. A campanha pretende aproveitar as estruturas eleitorais dos aliados e manter a distribuição de materiais, os comitês e a atuação nas redes sociais.

O Nordeste também está entre os alvos do PL. A equipe estuda viagens a capitais como Maceió, João Pessoa e Natal, onde pretende aproveitar o apoio de lideranças locais para diminuir a diferença em relação a Lula. As datas ainda não foram definidas.

Lula escolhe DF e Rio Grande do Norte

Lula começa sua agenda de rua nesta sexta-feira com uma caminhada em Ceilândia, no Distrito Federal, ao lado de Leandro Grass (PT), candidato ao governo local.

A escolha reúne dois objetivos da campanha: ampliar a votação presidencial em uma unidade da Federação onde Flávio venceu e reforçar a candidatura de Grass, que disputa o segundo turno contra a governadora Celina Leão (PP).

No primeiro turno, Flávio recebeu 51,31% dos votos válidos no DF, enquanto Lula ficou com 38,11%. Na disputa pelo governo, Celina obteve 49,93% e Grass, 34,47%.

Já no sábado (10), o presidente deve seguir para Natal, no Rio Grande do Norte, onde participará de um ato ao lado de Cadu Xavier (PT), que disputa o governo estadual contra Allyson Bezerra (União).

O Rio Grande do Norte está entre os estados em que Lula manteve a liderança na eleição presidencial. O petista recebeu 59,75% dos votos válidos, contra 34,77% de Flávio. A estratégia é preservar essa vantagem e mobilizar os eleitores para o segundo turno.

A campanha petista planeja ainda uma sequência de viagens a Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo na próxima semana. Uma passagem pela Baixada Fluminense está em preparação, mas ainda não tem data definida. Os três estados concentram os maiores colégios eleitorais do país e deram vantagem a Flávio no primeiro turno.

A equipe avalia ainda novas viagens à Bahia e ao Ceará, possivelmente na semana seguinte. No primeiro turno, os dois estados deram vitória a Lula e são considerados importantes para ampliar a vantagem do petista no Nordeste.

Leia também



Alô Valparaíso/* Com as informações do R7 | Foto: Divulgação/Ricardo Stuckert e Divulgação Vitor Salles

Flávio Bolsonaro diz que vai manter Bolsa Família e Farmácia Popular

Candidato à Presidência declarou “guerra” a facções e milícias

O candidato à Presidência da República pelo PL, senador Flávio Bolsonaro, afirmou nesta sexta-feira (9) que vai manter os programas Bolsa Família e Farmácia Popular. O candidato se disse alvo de campanhas de notícias falsas.

“Há várias mentiras circulando. Uma delas é que eu acabaria com o Bolsa Família. Isso é mentira”, declarou.

Ele descreveu que o programa será focado em quem mais precisa e acompanhado de ações de capacitação e qualificação. Nas palavras dele, será “o maior programa de mobilidade social que esse Brasil já viu”.

O candidato conversou com jornalistas no intervalo de um evento de campanha, no qual reuniu apoiadores e políticos, na Ilha Itanhangá, um espaço de eventos na Barra da Tijuca, bairro nobre do Rio de Janeiro.

Flávio afirmou que vai melhorar o programa Farmácia Popular, com os medicamentos sendo entregues em casa e com avisos, pelo celular, sobre o horário da medicação.

O senador disse que vai incentivar o empreendedorismo entre as mulheres, prometeu menos impostos, financiamento barato e disse que a economia de um eventual governo será “baseada na produtividade”.

Combate a facções

Ao lado do deputado estadual Douglas Ruas (PL-RJ), vencedor da eleição para governador no estado, Flávio Bolsonaro disse que ambos estão alinhados em “declarar guerra” ao crime organizado.

“Aos narcoterroristas de Comando Vermelho, PCC e milícias que estão aqui no Rio, estão em São Paulo, estão em todo o Brasil”.

Flávio Bolsonaro também chamou de “boataria do PT” a informação de que ele privatizaria a Petrobras.

Ele criticou a política do governo de subsídios ao preço do diesel ─ em alta por causa da guerra no Irã ─ que, segundo ele, levaria ao aumento do preço logo após as eleições. Nesta sexta-feira, o governo prorrogou os inventivos por mais 30 dias.

O candidato agradeceu o apoio firmado pelo candidato na véspera derrotado à Presidência Augusto Cury (Avante) e afirmou que “está conversando” com outros partidos.

Leia também



Alô Valparaíso/* Com as informações da Agência Brasil | Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

TSE manda retirar publicações de Lula, Janja e aliados contra Flávio Bolsonaro

Nunes Marques e André Mendonça apontam falta de “substrato fático mínimo” em afirmações sobre programas sociais, aposentadoria, jornada de trabalho e crime organizado.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou nesta quinta-feira (8) a retirada de publicações do presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT), da primeira-dama Janja, e dos deputados André Janones (Rede-MG) e Lindbergh Farias (PT-RJ) com críticas ao Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República.

As determinações foram dadas em quatro processos apresentados por Flávio e atingem conteúdos publicados em redes sociais.

Em linhas gerais, os ministros Kassio Nunes Marques e André Mendonça entenderam, em decisões liminares, que determinadas afirmações apresentavam como certas propostas ou consequências de um eventual governo Flávio sem que houvesse elementos concretos mínimos para sustentá-las.

As decisões ainda serão submetidas ao plenário da Corte.

Vídeo de Janja

Nunes Marques determinou que Janja retire, em até 24 horas, um vídeo publicado em seu perfil no Instagram.

Na gravação, ela afirmou, entre outros pontos, que Flávio queria que trabalhadores atuassem sete dias por semana, que acabaria com o Farmácia Popular e que, com ele na Presidência, o crime organizado dominaria o Brasil.

A publicação também dizia que, em uma nova pandemia, haveria novamente “covas abertas”.

Para Nunes Marques, algumas passagens do vídeo estavam protegidas pela liberdade de expressão, como críticas genéricas sobre direitos das mulheres e referências à política de armas. O ministro, porém, entendeu que outras afirmações ultrapassaram os limites da crítica política.

Segundo ele, não havia elementos indicando que Flávio tivesse manifestado intenção de impor jornada de sete dias por semana ou acabar com o Farmácia Popular. O ministro também considerou irregular a associação entre a eleição do candidato e o domínio do país pelo crime organizado.

Nunes Marques afirmou que a publicação, ao apresentar essas declarações como fatos certos e sem “lastro mínimo”, entrou no campo de fatos “sabidamente inverídicos e gravemente descontextualizados”.

Além de retirar o vídeo, Janja deverá se abster de republicar o mesmo conteúdo ou reprodução substancialmente equivalente que mantenha as afirmações analisadas na decisão. A ordem também alcança reproduções do conteúdo no Instagram.

Programas sociais

Em outra decisão, André Mendonça determinou a retirada de uma publicação feita no perfil de Lula no Instagram sobre os impactos de um eventual corte de gastos em um governo Flávio Bolsonaro, que tem prometido um “tesouraço” nas despesas.

No vídeo, Lula afirmou que cortes atingiriam programas como Pé-de-Meia, Farmácia Popular, Minha Casa, Minha Vida, merenda escolar e Gás do Povo.

Também disse que não haveria aumento do salário mínimo acima da inflação para trabalhadores e aposentados. Mendonça considerou que a propaganda atribuiu a Flávio uma “intenção definida” de fazer cortes em programas específicos, sem identificar declaração, entrevista, documento ou manifestação do candidato que sustentasse essas propostas.

O ministro destacou ainda que, de acordo com os elementos apresentados no processo, o plano de governo registrado no TSE contém compromisso de manutenção dos programas sociais existentes.

A decisão determinou a remoção integral da publicação e proibiu a republicação do mesmo vídeo pelos representados, sob pena de multa de R$ 10 mil por publicação feita em descumprimento da ordem.

O pedido de direito de resposta apresentado por Flávio ainda será analisado após a apresentação das defesas e a manifestação da Procuradoria-Geral Eleitoral.

“Se Flávio vence, você perde”

Mendonça também determinou a retirada de outra propaganda publicada no perfil oficial de Lula no Instagram, construída em torno do bordão “Se Flávio vence, você perde”.

O vídeo dizia que uma vitória de Flávio significaria a perda de medicamento gratuito, aposentadoria, salário mínimo e acesso à casa própria.

Também afirmava que mulheres voltariam a ser alvo de violência, crianças seriam expostas mais cedo à violência e que “a milícia vai ter um amigo no cargo mais alto da República”.

Na avaliação de Mendonça, a propaganda não apresentou essas afirmações como possibilidades ou riscos políticos, mas como consequências que ocorreriam necessariamente em caso de vitória do candidato.

O ministro disse não identificar “substrato fático mínimo” para afirmar que Flávio extinguiria medicamentos gratuitos, aposentadorias, salário mínimo ou acesso à casa própria.

A retirada integral da publicação deverá ocorrer em até três horas após a ciência da decisão. Mendonça, porém, rejeitou naquele momento uma proibição genérica de futuras manifestações e a extensão automática da ordem para conteúdos ainda não individualizados.

Vídeos de Janones e Lindbergh

Uma quarta decisão de André Mendonça atingiu publicações dos deputados André Janones e Lindbergh Farias no Instagram, Facebook e YouTube.

No vídeo, os parlamentares atribuíram a Flávio propostas de elevar a idade mínima de aposentadoria a 70 anos para homens e 65 anos para mulheres, desvincular benefícios previdenciários do salário mínimo, acabar com a política de valorização real do mínimo, estabelecer jornada de 12 horas por dia durante sete dias por semana e privatizar a Petrobras.

Mendonça afirmou que a gravação apresentou as medidas como propostas específicas do candidato e integrantes de seu programa de governo. Segundo o ministro, os elementos disponíveis no processo não forneciam respaldo mínimo para essas atribuições.

Ele afirmou que críticas a orientações econômicas e prognósticos políticos estão protegidos pela liberdade de expressão, mas distinguiu essas manifestações da atribuição categórica de propostas concretas ao adversário.

O ministro ordenou a retirada, em até três horas, de cinco publicações e proibiu Janones e Lindbergh de republicarem o mesmo vídeo em perfis sob seu controle. Em caso de descumprimento, foi fixada multa de R$ 10 mil por dia ou por publicação, para cada representado.



Alô Valparaíso/* Com as informações do g1 | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Augusto Cury anuncia apoio a Flávio Bolsonaro para o 2º turno das eleições de 2026

Cury ficou em terceiro lugar no 1° turno, com mais de 3 milhões de votos

O escritor e psiquiatra Augusto Cury (Avante), terceiro colocado na eleição presidencial com 3,4 milhões de votos, anunciou nesta quinta-feira (8) apoio a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno.

A decisão muda a posição adotada por Cury na noite do primeiro turno, no domingo (4), quando disse que ficaria em silêncio sobre a segunda etapa da disputa e que pretendia deixar a política.

Segundo o escritor, o acordo foi fechado em uma longa conversa com Flávio por videochamada, já que ele está fora do país. Em troca do apoio, o candidato do PL assinou um compromisso público com propostas defendidas por Cury na campanha, como a “revolução na educação”, a valorização dos professores, a telemedicina, a proteção às mulheres, a defesa do cooperativismo e das microempresas e a pacificação nacional.

Contrato foi assinado por Flavio Bolsonaro – Reprodução

Cury afirmou que o apoio não envolve negociação de cargos, privilégios ou vantagens pessoais e que vai cobrar o cumprimento do que foi assinado.

“Tive com Flávio uma longa conversa, olho no olho, sem filtros e sem rodeios. Disse-lhe claramente que não participaria de seu governo e que minha independência de pensamento seria inegociável”, afirmou.

Ele disse ainda que o apoio “não é um cheque em branco”. “Apoio não é submissão! Se concordar, direi que concordo. Se discordar, direi que discordo.”

O escritor também afirmou que foi “exigente” com Flávio Bolsonaro e que não poderia apoiar Lula, por causa de seu “projeto”.

A exigência feita ao senador foi de “entregar um Brasil melhor para cada brasileiro”.

Condições

Na mensagem, Cury reafirmou a oposição à reeleição presidencial e defendeu uma liderança que combine desenvolvimento econômico e inclusão social, resumida por ele na expressão “mente capitalista e coração social”.

O escritor também disse que o apoio não dispensa Flávio de prestar esclarecimentos à sociedade e às instituições, e defendeu o respeito aos direitos humanos, às minorias, à liberdade de pensamento e ao papel da oposição.

Em setembro, ainda durante a campanha, Cury havia condicionado um eventual apoio a Flávio a explicações sobre o uso do dinheiro repassado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para a produção do filme Dark Horse, inspirado na trajetória de Jair Bolsonaro. Na mesma ocasião, disse que não apoiaria Lula em nenhuma hipótese.

Mais cedo, nesta quinta, Flávio já havia citado o escritor em entrevista coletiva ao comentar o apoio do Podemos à sua candidatura.

Leia também



Alô Valparaíso/* Com as informações do R7 | Foto: Divulgação/Avante