Falas de Lula e Alckmin evidenciam governo em clima de campanha
Em evento do PT, presidente falou abertamente sobre vencer o pleito desde ano e estratégias; em exclusiva à Jovem Pan, vice foi duro com adversários
Declarações dos últimos dias do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) mostram que a base do governo já está em ritmo de campanha.
Durante a celebração dos 46 anos do Partido dos Trabalhadores (PT), realizada em Salvador, o petista fez um discurso cobrando autocrítica dos colegas. afirmou que “as brigas internas acabaram com o PT”, ao questionar a perda de espaço nos municípios e cobrar que a sigla pare de “perseguir o erro”.
Sobre as próximas eleições, Lula foi categórico ao dizer que a vitória dependerá da “narrativa política”. De acordo com Lula, a principal necessidade do PT é retomar o contato direto com a população mais pobre. “O PT precisa ir para a periferia conversar com o povo”, afirmou.
Ele destacou também a importância de dialogar com o grupo evangélico. “Nós não precisamos esperar o pastor falar bem de nós. Nós precisamos ir lá”, completou. Também defendeu alianças políticas com partidos de centro, argumentando que política se faz com estratégia: “Nós temos que escolher se a gente quer ganhar ou se a gente quer perder”, disse.
Líder das pesquisas, mas com dificuldades de diminuir a alta rejeição, Lula deu o recado aos colegas de partido e aliados: a campanha já começou e o alvo é conquistar votos de demografias que foram mais alinhadas a Jair Bolsonaro (PL) na última eleição.
Em entrevista exclusiva à Jovem Pan News na última sexta-feira (6), o vice-presidente foi numa linha semelhante, mas mirou outro tipo de eleitor ao dizer que o agronegócio brasileiro terá um ano “maravilhoso” em 2026. Exaltou os dados econômicos numa tentativa de afagar o empresariado, que também costuma torcer o nariz para os governos petistas.
Conhecido por ser mais comedido, Alckmin também subiu o tom contra o bolsonarismo. Questionado sobre a aliança improvável que formou com Lula, antigo rival, disse que o “apreço pela democracia” fez com os que os dois se aproximassem. A defesa do Estado de Direito deu o tom da campanha de 2022, que terminou com vitória da esquerda.
Em seu discurso no sábado, Lula também brincou com a aliança com Alckmin, que classificou como “inimaginável” alguns anos atrás, mas fez questão de exaltar o ex-governador de São Paulo, dando a entender que manterá a dobradinha que foi vitoriosa no pleito passado.
Alckmin é cotado para disputar as eleições como candidato a governador ou senador por São Paulo, mas é mais provável que se mantenha como vice de Lula.
Alô Valparaíso/* Com as informações da Jovem Pan News | Foto: Ricardo Stuckert / PR


