Consumo de alimentos ultraprocessados no Brasil preocupa especialistas
Relatório do Ministério da Saúde aponta relação com doenças crônicas e excesso de peso
Um relatório publicado pelo Ministério da Saúde no dia 31 de janeiro mostra que o consumo de alimentos ultraprocessados no Brasil continua elevado. Os dados foram coletados pelo Sistema de Vigilância de Fatores de Risco de Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), com informações referentes ao período de 2006 a 2024. O levantamento indica que 25,5% dos adultos consumiram cinco ou mais grupos de ultraprocessados no dia anterior à pesquisa.
Esses produtos são definidos como formulações industriais compostas por substâncias extraídas de alimentos, derivados de constituintes ou sintetizadas em laboratório, como corantes, aromatizantes e realçadores de sabor. Entre os exemplos estão biscoitos, balas, sorvetes, refrigerantes, embutidos, macarrão instantâneo e temperos prontos. Segundo especialistas, a combinação de ingredientes faz com que o consumo seja excessivo, sem promover saciedade adequada.
A gerente de Vigilância de Doenças e Agravos Não Transmissíveis e Promoção da Saúde da Secretaria de Saúde do Distrito Federal, Mélquia da Cunha Lima, explica que os ultraprocessados apresentam baixo valor nutritivo e estão relacionados a problemas como excesso de peso, ocorrência de doenças cardiovasculares, diabetes e pelo menos 15 tipos de câncer. Ela ressalta que o consumo frequente desses alimentos contribui para o aumento da obesidade e de outras doenças crônicas não transmissíveis.
O relatório também apresenta estimativas sobre outros fatores de risco, como padrões de alimentação, atividade física, consumo de bebidas alcoólicas, tabagismo e qualidade do sono. Entre os indicadores mais recentes, 20,2% dos adultos brasileiros relataram dormir menos de seis horas por noite e 31,7% afirmaram sofrer de insônia. Os dados reforçam a necessidade de políticas públicas voltadas para hábitos de vida mais saudáveis e prevenção de doenças crônicas em todo o país.
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Alô Valparaíso/* Com as informações da Agência Brasília | Foto: Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde-DF


