Após recuo da greve, governo terá nova rodada de negociações com caminhoneiros
Guilherme Boulos vai receber representantes dos caminhoneiros nesta semana para falar sobre reivindicações ainda pendentes
Apesar de decidirem não iniciar uma paralisação nacional na semana passada após o governo publicar uma medida provisória beneficiando caminhoneiros, entidades ligadas à classe ainda estão sob estado de greve, que está mantido até a conclusão das negociações sobre pontos da pauta da categoria ainda pendentes.
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, vai receber representantes dos caminhoneiros nesta semana, em mais uma etapa das tratativas abertas após a publicação da medida.
A decisão tomada na sede do Sindicam (Sindicato dos Caminhoneiros da Baixada Santista), em Santos, não encerrou o movimento, mas transferiu para os próximos dias uma nova avaliação sobre eventual paralisação.
“Está mantido o estado de greve”, disse o presidente da ANTB (Associação Nacional de Transporte no Brasil), José Roberto Stringasci.
Segundo ele, a maioria dos participantes da assembleia queria parar, mas aceitou aguardar mais sete dias. “Se em sete dias o governo não resolver a situação e não der um sinal positivo para as pautas, eles vão parar”, afirmou.
A CNTTL (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística) afirmou em nota que a paralisação nacional está, “por enquanto, suspensa” e atribuiu a decisão à publicação da medida provisória.
O presidente da entidade, Paulo João Estausia, o Paulinho do Transporte, disse que os caminhoneiros agiram com “maturidade, responsabilidade e coerência” ao evitar a paralisação. A confederação informou ainda que continuará negociando com o governo outras pautas da categoria, que poderão ser apresentadas por meio de emendas à medida provisória.
A Abrava (Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores) também informou, em nota, que a greve geral está suspensa até nova reunião com o governo nesta semana.
A entidade relacionou a decisão às medidas publicadas nos dias 12 e 19 de março sobre diesel, frete e fiscalização do piso mínimo. Segundo a associação, a suspensão do movimento está condicionada ao avanço das negociações e ao atendimento das reivindicações ainda pendentes.
O presidente do Sindicam, Luciano Santos de Carvalho, indicou durante a assembleia que a avaliação das lideranças foi a de manter a negociação aberta após a publicação da MP. “Para nós, o piso mínimo é dignidade e qualidade de vida para os caminhoneiros. Se subir o diesel, agora, com as regras dessa MP, o frete subirá também”, afirmou.
O que diz a MP do governo
Publicada em edição extra do Diário Oficial da União, a MP nº 1.343/2026 reforça as regras para o cumprimento do piso mínimo do frete no transporte rodoviário de cargas.
A MP traz modificações à lei da Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas, de 2018. Para isso, estabelece mecanismos mais rigorosos de controle, como, por exemplo, a obrigatoriedade do registro de todas as operações por meio do CIOT (Código Identificador da Operação de Transporte).
A medida também prevê um reforço na fiscalização, unindo dados coletados pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), Receita Federal e fiscos estaduais e municipais.
Outra mudança importante envolve o endurecimento das penalidades por descumprimento das regras. Neste caso, empresas transportadoras poderão ser punidas com a suspensão do registro no RNTRC (Registro Nacional de Transportes Rodoviários e Cargas) e até mesmo com o cancelamento da autorização para atuar no setor por até dois anos.
Os TACs (Transportadores Autônomos), por sua vez, não serão alvo das suspensões.
As multas para contratantes que descumprirem o piso do frete também sofreram aumento: agora, podem variar de R$ 1 milhão a R$ 10 milhões por operação, além da possibilidade de proibição de contratar novos fretes.
A responsabilização pode ainda se estender a sócios e integrantes de grupos econômicos, por meio da desconsideração da personalidade jurídica.
Também na semana passada, o governo publicou o decreto nº 12.883/2026, com diretrizes para a definição do preço de referência do diesel.
Leia também
Alô Valparaíso/* Com as informações do R7 | Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil


