Da Lava Jato à CPMI do INSS: como filho de Lula virou ‘calcanhar de Aquiles’ para o Planalto?
Documento elaborado pelo deputado Alfredo Gaspar aponta suposta ligação do filho do presidente com fraudes no instituto
A proposta de relatório final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, divulgada nesta sexta-feira, 27 de março, recomenda o indiciamento e a prisão preventiva de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O texto é de autoria do deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), integrante da oposição, e será submetido à votação dos membros da comissão até sábado, último dia de funcionamento do colegiado.
Gaspar sustenta que há indícios de quatro crimes atribuídos a Fábio Luís: tráfico de influência, lavagem ou ocultação de bens, organização criminosa e corrupção passiva. Segundo o relator, elementos compartilhados pela Polícia Federal com a CPMI indicariam vínculos entre o filho do presidente e o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, apontado como operador das fraudes e preso preventivamente desde setembro.
O relatório afirma que o capital político associado ao sobrenome presidencial teria sido utilizado em operações envolvendo empresas e pessoas próximas, com a empresária Roberta Luchsinger citada como elo entre Lulinha e Antunes. O documento menciona ainda viagens internacionais realizadas por Fábio Luís em datas coincidentes com deslocamentos de Antunes, além de registros de mensagens que indicariam repasses financeiros.
A defesa de Fábio Luís nega as acusações. O advogado Guilherme Suguimori Santos declarou que a inclusão de seu cliente no relatório tem motivação política e que a comissão não apresentou provas novas, apenas reproduziu reportagens já publicadas. Ele também afirmou que não houve recebimento de recursos de Antunes ou de Luchsinger.
O advogado de Roberta Luchsinger, Bruno Salles, também contestou o relatório. Em entrevista, disse que não há elementos de materialidade para indiciamento e que os serviços prestados por sua cliente foram regulares, sem repasses a terceiros.
Parlamentares da base governista criticaram o relatório e acusaram Gaspar de agir com interesses eleitorais. O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou que o relator estaria preocupado em disputar vaga no Senado. Já a deputada Dandara Tonantzin (PT-MG) destacou que as fraudes no INSS começaram em gestões anteriores e que a operação da Polícia Federal foi deflagrada durante o atual governo.
O relatório pede o indiciamento de 216 pessoas, incluindo empresários, ex-ministros e parlamentares. Caso seja aprovado, seguirá para o Ministério Público Federal, que decidirá sobre eventual denúncia criminal.
As investigações envolvendo Fábio Luís remontam a 2005, quando seu nome apareceu na CPMI dos Correios em razão de repasses da Telemar à empresa Gamecorp, da qual era sócio. Desde então, ele foi alvo de diferentes apurações, algumas arquivadas, como na Operação Lava Jato. O novo relatório reacende o debate sobre sua trajetória empresarial e as suspeitas de favorecimento político.
Alô Valparaíso/* Com as informações da BBC News Brasil | Foto: Geraldo Magela/Agência Senado


