Governo federal amplia imposto sobre importados e inclui smartphones na lista de produtos afetados
Mais de mil itens passam a ter taxação maior; medida busca preservar a indústria nacional e já provoca reação de importadores
O governo brasileiro elevou, no início deste mês, o imposto incidente sobre mais de mil produtos importados. A decisão atinge bens de capital, como máquinas e equipamentos para produção, além de bens de informática e telecomunicação, incluindo smartphones. A taxação dessas compras foi ampliada em até 7,2 pontos percentuais.
Importadores criticaram a medida, apontando impacto na competitividade e no custo para consumidores. O governo defendeu a iniciativa como forma de preservar a indústria nacional. O Ministério da Fazenda informou que as importações de bens de capital e de informática cresceram 33,4% desde 2022 e que a participação desses produtos no consumo nacional chegou a 45% em dezembro de 2025. Segundo a pasta, esse nível ameaça a cadeia produtiva e pode provocar regressões tecnológicas de difícil reversão.
Em nota técnica, o ministério avaliou que a medida é moderada e focalizada, necessária para reequilibrar preços relativos e mitigar a concorrência assimétrica. Também destacou que outros países adotaram instrumentos tarifários semelhantes para enfrentar choques externos e práticas de dumping.
No ano passado, os principais fornecedores de bens importados foram Estados Unidos, com US$ 10,18 bilhões e 34,7% de participação; China, com US$ 6,18 bilhões e 21,1%; Singapura, com US$ 2,58 bilhões e 8,8%; e França, com US$ 2,52 bilhões e 8,6%. Apesar do aumento das tarifas, o governo abriu a possibilidade de pedidos de redução temporária da alíquota para zero até 31 de março, com concessão provisória por até 120 dias.
O cenário internacional também registrou mudanças. Nesta sexta-feira (20), a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu que o presidente Donald Trump extrapolou sua autoridade ao impor um amplo aumento de tarifas sobre importações de quase todos os parceiros comerciais, medida conhecida como tarifaço. A corte derrubou parte do aumento de impostos.
No Brasil, representantes do setor privado avaliam que o aumento das tarifas pode gerar efeitos em cadeia. Mauro Lourenço Dias, presidente do Fiorde Group, afirmou que parte do parque industrial brasileiro opera com equipamentos com mais de 20 anos de uso e que a indústria nacional não consegue atender plenamente à demanda interna. Para ele, o aumento das tarifas compromete projetos de modernização e reduz a competitividade internacional.
Na prática, o reajuste pode refletir no preço de motores de portão em condomínios, televisores, eletrodomésticos, manutenção de equipamentos hospitalares, exames médicos e obras de infraestrutura. O Ministério da Fazenda, no entanto, avalia que o efeito sobre o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo deve ser indireto e baixo, já que bens de capital e de informática são bens de produção.
Produtos afetados
Parte dos aumentos anunciados pelo governo já entrou em vigor, o restante começa em março. Entre os produtos que tiveram as tarifas elevadas, estão:
- Telefones inteligentes (smartphones)
- Torres e pórticos
- Reatores nucleares
- Caldeiras
- Geradores de gás de ar
- Turbinas para embarcações
- Motores para aviação
- Bombas para distribuição de combustíveis ou lubrificantes
- Fornos industriais
- Congeladores (freezers)
- Centrifugadores para laboratórios de análises, ensaios ou pesquisas científicas
- Máquinas e aparelhos para encher, fechar, arrolhar, capsular ou rotular garrafas
- Empilhadeiras
- Robôs industriais
- Máquinas de comprimir ou de compactar
- Distribuidores de adubos (fertilizantes)
- Máquinas e aparelhos para as indústrias de panificação, açúcar e cervejeira
- Máquinas para fabricação de sacos ou de envelopes
- Máquinas e aparelhos de impressão
- Cartuchos de tinta
- Descaroçadeiras e deslintadeiras de algodão
- Máquinas para fiação de matérias têxteis
- Máquinas e aparelhos para fabricar ou consertar calçado
- Máquinas e aparelhos para fabricar ou consertar calçado
- Martelos
- Circuitos impressos com componentes elétricos ou eletrônicos, montados
- Máquinas de cortar o cabelo
- Painéis indicadores com LCD ou LED
- Controladores de edição
- Tratores
- Transatlânticos, barcos de excursão e embarcações semelhantes
- Plataformas de perfuração ou de exploração, flutuantes ou submersíveis
- Navios de guerra
- Câmeras fotográficas para fotografia submarina ou aérea, para exame médico de órgãos internos ou para laboratórios de medicina legal ou de investigação judicial
- Aparelhos de diagnóstico de imagem por ressonância magnética
- Aparelhos dentários
- Aparelhos de tomografia computadorizada.
Alô Valparaíso/* Com as informações do g1 | Foto: Canva


