Lula desafia Rubio e antecipa mote de campanha: soberania e democracia

Presidente participou de convenção do PDT, centrada em tom anti-imperialista e de críticas ao alinhamento de Flávio Bolsonaro e Donald Trump

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) usou sua participação na convenção nacional do PDT nesta segunda-feira (20) para deixar um recado aos Estados Unidos e ensaiar os motes que guiarão sua campanha a um eventual quarto mandato: a defesa da soberania, no plano externo, e da democracia, no interno. Por decisão unânime entre seus filiados e delegados, o PDT foi o primeiro partido a formalizar o apoio à reeleição de Lula no evento, realizado na sede do partido, em Brasília.

Discursos que antecederam a fala do presidente reforçaram a tônica contrária aos EUA e às interferências da Casa Branca sobre o Brasil, em um momento em que o país é alvo de medidas que vão desde um tarifaço até a classificação de facções criminosas como terroristas, uma categorização temida como brecha para intervenção militar em território nacional.

Presidente do PDT e ex-ministro da Previdência de Lula, Carlos Lupi disse que o petista representava no mundo a “antítese” do americano Donald Trump.

No encerramento de sua participação, Lula agradeceu a Lupi e ao partido pelo apoio já no primeiro turno — em 2022, por exemplo, o PDT lançou Ciro Gomes como candidato próprio e só ingressou nas fileiras petistas no segundo, com ressalvas de Ciro, hoje regresso ao PSDB e pré-candidato ao governo do Ceará.

O presidente afirmou que a coligação não tem “o direito de permitir que o negacionismo e o fascismo voltem a pensar a governar” e o que está em jogo é a manutenção de políticas públicas e uma estratégia nacional desmantelada após o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016.

Ao voltar a falar sobre punição a forca a traidores da pátria, em referência que faz paralelo com a Inconfidência Mineira e as ações da família Bolsonaro na busca por apoio da Casa Branca, Lula provocou o secretário de Estado americano, Marco Rubio, e disse que, mesmo com um apoio explícito do governo americano, Flávio Bolsonaro não será capaz de vencê-lo.

“Estou convidando quem quiser vir do mundo para ver as eleições aqui do Brasil. Se o secretário Marco Rubio quiser vir apoiar o meu adversário que venha, que monte um comitê, porque nós vamos derrotar todos em nome da defesa da democracia nesse país “, declarou.

Essa foi a primeira fala pública do presidente desde que Rubio acusou Lula de ter negociado de má-fé contra a aplicação da sobretaxa de 25% contra uma gama de produtos brasileiros na última semana.

Na ocasião, o secretário disse que Lula “colocou seu próprio ego à frente” de um acordo favorável ao povo brasileiro e era o responsável direto pelo tarifaço.

A declaração foi rechaçada pelo Itamaraty, mas Lula disse que só faria manifestações sobre o tarifaço depois de Trump, para manter o mesmo nível de hierarquia a nível de governo.

Brizola e Arraes

Na sede do partido que ecoa o legado do ex-governador Leonel Brizola (1922-2004), líder trabalhista que pendulou entre aliado e adversário do petista ao longo dos anos, Lula fez questão de fazer acenos a outras lideranças históricas da política brasileira e lamentar o que chamou de “podridão” instalada na política brasileira nos últimos anos.

“Mesmo quando eu e Brizola brigávamos, a gente nunca deixou de ser amigo. Por mais que tivéssemos divergência, a gente teve uma relação respeitosa. E hoje, passado tanto tempo, eu posso dizer a vocês: o nosso querido engenheiro Leonel de Moura faz falta na política brasileira de hoje”, elogiou, ao lado da neta Juliana Brizola, que encabeça a chapa para o governo do Rio Grande do Sul.

“Meu avô Brizola sempre foi determinante para a luta contra o imperialismo. O outro lado entrega as nossas riquezas, que acha que ter uma filha mulher é uma fraquejada. O PDT tem lado”, destacou Juliana.

Outros elogios também foram distribuídos ao pernambucano Miguel Arraes (1916-2005), fundador e presidente histórico do PSB, e a nomes como Ulysses Guimarães (1916-1992) e Mario Covas (1930-2001).

Herdeira dos Arraes, a pré-candidata ao Senado Marília Campos também ecoou a tônica anti-Trump ao dizer que o “imperialismo sempre teve o apoio das elites brasileiras”.

“A diferença é que o bolsonarismo faz isso escancarado”, afirmou Marília.

Candidato ao governo do Paraná, o deputado estadual Requião Filho disse que a aliança marca uma reaproximação estratégica entre os partidos em um momento de ataques internacionais.

“Estamos em uma guerra na qual está em jogo o futuro de uma nação. Caminhamos em uma aliança forte, em cima de princípios, e não de pragmatismo. Devemos estar juntos em 2030. Não estamos retrocedendo, estamos reorganizando”.

O entendimento foi endossado pelo presidente do PT, Edinho Silva.

“Estamos construindo uma aliança para deixar um recado para as futuras gerações”, disse.

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Alô Valparaíso/* Com as informações do SBT News | Foto: Reprodução/YouTube