Planalto passa a tratar Flávio como adversário de Lula sem mudar estratégia
Governo aposta que isenção do Imposto de Renda será percebida por assalariados rapidamente e pode melhorar aprovação já no primeiro trimestre
A pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência começa a ser tratada no Palácio do Planalto como a mais provável no caminho da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Mas aliados do petista avaliam que isso não implicaria em mudança de estratégia eleitoral, cujo cenário anterior tinha o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como representante do bolsonarismo na disputa nacional.
Quando Flávio anunciou a pré-candidatura, em dezembro, e disse ter aval do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o Planalto ainda considerava mais provável a escolha de Tarcísio para constar nas urnas em outubro.
No entanto, o desempenho do senador nas primeiras pesquisas do ano, que o colocam em patamares próximos ao do governador e com uma alta taxa de transferência de votos de eleitores de Jair em 2022 para Flávio, e os gestos de Tarcísio rumo a uma nova disputa pelo Palácio dos Bandeirantes, fizeram a avaliação sobre o campo adversário mudar.
Essas mesmas fontes do governo Lula consideram o cenário mais provável uma polarização muito semelhante à de 2022, com dificuldades para avanço de uma candidatura de centro — a avaliação foi feita antes da migração do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, para o PSD, partido que já tem Ratinho Jr (PR) e Eduardo Leite (RS) como gestores estaduais pré-candidatos ao Planalto.
Imposto de Renda
Em se confirmando a candidatura de Flávio Bolsonaro a presidente, integrantes do governo a par da estratégia de campanha afirmam que não haverá mudança de rota. Isso porque fazia parte do plano de ação tratar Tarcísio sem diferenciação em relação à Jair Bolsonaro nas críticas ideológicas — com Flávio, a associação ficaria ainda mais direta, segundo as fontes.
A aposta do Palácio do Planalto é de que, já neste primeiro trimestre, a isenção do Imposto de Renda será sentida concretamente pela população beneficiada.
Aprovada no ano passado, a redução do tributo entrou em vigor no salário de janeiro dos trabalhadores formais, cujos pagamentos são feitos em fevereiro. Assim, o dinheiro extra ajudaria a mexer nos ponteiros de aprovação do presidente — e, eventualmente, nos índices de intenção de voto.
Tanto que o governo produziu uma campanha publicitária com peças regionais — isto é, destacando as entregas da gestão na localidade onde a peça é exibida —, mas em todas haverá menção explícita ao início da isenção do IR.
Alô Valparaíso/* Com as informações da CNN Brasil | Foto: Reprodução X @FlavioBolsonaro


